Pertenço ao silêncio

 

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O silêncio não me tem trazido todas as respostas para o mundo de contradições que em mim habita, mas, tem-me ensinado a viver de um modo que me faz feliz.
O silêncio ensinou-me a apreciar, aceitar e a abraçar sentimentos outrora vividos, outrora desprezados e desvalorizados, outrora sentidos na superfície da pele, talvez porque naquele instante estava cega pelo barulho que me sufocava sem dar conta.
O silêncio ensinou-me a sentir o presente, a sorrir para aquele rosto amigo, a unifica-me através do toque, a entregar-me naquele olhar, a escutar o que o meu corpo pede e o meu coração deseja. Hoje sorrio para o sorriso que me ilumina e aceno para quem nada me diz. Hoje continuo fiel à minha rebelião e às minhas vontades, mas com a diferença de as sentir antes, durante e depois.
O silêncio despertou em mim esta vontade louca de dar voz às palavras através da caneta e brincar com o turbilhão de emoções contraditórias que me assolam, ou no papel ou na mente, passou a ser um dos meus passatempos favoritos e foi na companhia deste silêncio revelador que alinhar pensamentos, fundir sentimentos, experiências, criatividade e segredos que as palavras conquistaram lugar também no meu Reino.
Reino que transborda de sonhos sensações e contradições. E aqui, ter talento ou não, é irrelevante.
Relevante sim, é sentir-me detentora de um Império.
O meu.
Onde pertenço.
No meu Reino,
No meu silêncio, rodeada de palavras vindas do passado, sentidas hoje e viagens no tempo até ao futuro, que é tudo aquilo que me apetecer que seja.

 

A Vizinha

Fotografia: Via Pinterest

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