Os nossos reinos uniram-se

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E não é que o que está destinado a acontecer, acaba por acontecer?
Contrariar o destino apenas adiou o encontro das nossas almas.
Apelidas-me de ‘enguia’ por te ter escapado por entre os dedos uma vez, dizes-me ser ‘esquiva’ pela forma como fujo de quem me quer amar.
Na minha mente, trago presente o teu domínio sobre o meu corpo perante a rebeldia do desejo que queria libertar em ti. Ali, na cama onde fomos realeza, imobilizaste os meus movimentos e impediste-me de ser a alma dominante daquele quarto. A firmeza com que me prendeste com o teu corpo contra o meu, contou-me que não vais desistir de me segurar contra o teu peito, até que eu me deixe de debater e me permita sentir a melodia que compõe a tua alma.
Os teus vizinhos e o suor que te lavava a pele, assistiram ao inicio do degelo que me cobria o coração e me impedia de aquecer, condenando-me a viver com o peso de um amor inventado, sem rosto, sem cheiro, sem paladar.
Assim que me sentei no teu ceptro feito de aço os nossos reinos uniram-se num cântico que fez estremecer os céus, abrindo-nos os portões da imortalidade onde apenas a beleza e a pureza das paixões indomáveis, pertencem.
Tu reinas a cada batida do meu coração e és a armadura que quero fundir na minha pele.
Muros?
Entre tu e eu… apenas existirá pele!

A Vizinha

Fotografia: Via pinterest

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