Irritas-me e eu adoro-te!

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Irritas-me!

Irritação imediata desde a primeira troca de palavras, não sei de onde ela surgiu, mas tu afetaste-me. Se falavas, irritavas-me, se não falavas pior eu ficava. Era chuva e sol.

Noite e dia, era azeite e vinagre… mas juntos éramos o tempero perfeito.

As palavras rompiam dos meus lábios sem filtro, dura e crua assim me mostrava numa naufragada tentativa em diminuir o impacto profundo que provocavas em mim.
Um homem dois sentimentos divergentes, minha doença meu médico, frio e calor!
Não podias!
Não podia ser, tinha de te afastar, empurrar para bem longe e cada vez que te aproximavas caracterizava-me de vilã e esquartejava-te verbalmente para que fosses e levasses todo esse poder que tinhas sobre mim… Mas não arredaste pé, implacável desde aquela primeira impressão.
Calores.. suores… tremores… vida no meu corpo desde o primeiro olhar.
Desafias-me… devolvo-te…
Faíscas atravessam-nos numa luta constante onde sangramos até morrermos naquele beijo que rompe a “chinesise” verbal e aí, renascemos, na pele de amantes numa mansa paz, onde as nossas metades se unem, onde a linguagem é igual e se eu estiver por cima e tu por baixo ou se invertermos papeis nao constituirá problema.
Foi t3são ou paixão desde aquele instante? Foi ambos?
Fomos nós capazes de sentir tanto?
Irritas-te!
Quero-te!
Não quero!
Irritas-me!

 

  © ?Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2015

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