Sai do meu corpo meu amor.

 

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Sabes quantos banhos tomei na esperança de lavar as memórias que deixaste na minha pele?
A esponja queima a cada passagem, mas não deixo de repetir o ritual e persisto na limpeza rumo à minha libertação.
Desejo profundo, gravado em cada camada do meu ser, resistes às inúteis tentativas de te apagar.

Quando foi que entraste de forma tão bravia na minha alma?

Aconchegada pela água morna, fecho os olhos e relaxo o meu corpo… apareces! Sorrio. Bem vindo. Surge na memória o banho que me deste. O teu toque contrariou o animal que profanou o meu corpo horas antes. Massajaste cada sinal roxo que me provocaste acompanhando com um suave beijo ternurento, como a pedir-me desculpas por precisares de exercer o teu domínio em mim. Demoraste-te nos meus cabelos que tanto idolatras. Os teus dedos, emitiam amor no meu couro cabeludo agora irritado pelos puxões a que me sujeitaste sempre que te perdias dentro de mim.

Beijas-me demoradamente,

perdendo o teu toque no meu rosto.

Sorris com afeto. Não precisamos de palavras. Eu sei, tu sabes. Retribuo o teu sorriso, com os olhos carregados de emoção. Num abraço perfeito, aconchegas os meus peitos cheios de espuma, ainda inchados pelo teu apetite, contra a tua camisa desabotoada… quanto tempo fomos um só?
… Abro os olhos e o desapontamento invade-me o peito quando descubro que foi mais um sonho acordado, dos já habituais e que não te encontro. Como dói a tua omnisciência.
Sozinha, na banheira a água assume um tom avermelhado. Vermelho de paixão. Paixão esta que não cabe no meu peito e procurou libertar-se através dos poros da minha pele arrepiada, excitada, fazendo a água corar de saudade.
Entre as pernas, um liquido viscoso revela-se nos meus dedos, e insisto para amainar a tempestade que perdura desde que me invadiste pela primeira vez.

Meu amor, se queres partir, parte de uma vez. Mas por favor, leva tudo o que deixaste em mim!

Vizinha #69Letras

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