quando acordo a meio da noite

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Acordo a meio da noite e não durmo mais, e nesse momento em que a alma deixa de me pertencer, qual barco da vida que abandona o cais e tento que a razão faça por merecer o caminho por onde segues e por onde te vais é caminho do meu perecer devagar, na vida que é o teu cais. Tomara eu voltar a teu corpo de rugas que amo num só sentido, rugas de miuda que eu homem desabrido em teu ventre escorrego minha mão, como se quando te passo a passo de antemão soubesse que nesse teu escorrer não contido, nessa tua propriedade que amo tanto e tao pouco compreendido faz de ti mulher singular de todas elas nenhuma toma teu lugar, por essa propriedade nao conseguir alcançar. E quando se diz numa tolice propria de quem pouco sabe, que as mulheres são todas iguais, da me raiva que nunca mais haja inteligencia que nunca é por demais, saber que no mundo não existem mulheres iguais. E quando acordo a meio da noite e descubro que não estás, que aquele vazio é tão real, dou comigo a pensar que pior que viver pensando que tu vives mas sofres sozinha, por nao poderes estar presente, é morrer vivo na tua espera, numa espera lentamente. E quando por vezes adormeço é por gentileza que o faço, porque vontade minha se te mereço e tu achas que sim, guarda me em teu coração um pequeno espaço e deixa me morrer por fim, mais uma vez entalado no teu abraço.

O Inquilino

👠A vizinha #69Letras

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