O meu coração encolhe com a tua ausência

Pensei que serias a exceção pela qual tenho ansiado e aguardado. Confesso que acreditei que me irias segurar para nunca mais largares…

Que travo amargo é este que deixaste em mim?
O meu coração bateu o pé contra a consciente razão. O meu coração garantiu-me que juntos iríamos brincar com os nossos demônios, que iriamos estremecer todos os locais onde nos entregássemos à paixão e contaminar quem nos visse juntos pela carga energética que exalamos.
O que me deste não me chega. Não me basta. A minha fome não sabe o que é ser saciada e tu deixaste-me carregada de desejo.
Toco o meu pescoço, e ainda trago o teu toque. Faço pressão nos nódulos negros com que me tatuaste, e arrepio-me… os meus peitos endurecem… e desta forma invento a tua presença e tento colmatar a falta que me fazes. Vem! Vem antes que as tatuagens desapareçam, não as leves contigo.
O meu coração encolhe com a tua ausência, os meus olhos não têm expressão.
As memórias surgem na minha cabeça, e enlouquecem-me. Em curtas-metragens, assisto à arte que fizemos com os nossos corpos. Recordo-me, do momento, em que estava de joelhos diante de ti a envolver-te com os lábios sob o comando das tuas famintas mãos nos meus cabelos selvagens, e olhamo-nos, nos olhos. Por cima de ti, o céu tinha descido até nós, e quase que parecia que conseguia tocar também as estrelas com a minha boca gulosa. De volta aos teus olhos, sorrio. Sorriso que devolves com ternura, apenas por uns eternos segundos, até o teu rosto voltar a ser possuído pelo desejo que carregas.
Necessito de ti. Confesso. Este desejo descontrola-me e a tua ausência fere-me.
Devolve o sorriso que roubaste com os teus grossos lábios ao beijares a minha boca de menina.
Desliza a tua barba pelo meu corpo e deixa-me sentir novamente os teus dentes a morder o meu corpo… ainda tenho a cicatriz que me abriste. Ferida que lambeste, sugaste e me deste a provar.
Reprimiste o meu corpo para que não te tocasse, para que não te alcançasse, mas o meu coração apanhou-te… e por isso fugiste… volta…

 

A Vizinha

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