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Deixa-me revelar o teu ser…

Porque quase sempre começa numa brincadeira…
Num avaliar superficial…
Aquele parecer ser que acaba por não ser…
E vais raspando assim sem querer…
Revelando o ser que se esconde…
E o que era uma brincadeira torna-se um prazer…
Descobres o que não te quer esconder.
Talvez seja sempre uma brincadeira…
Mas é uma brincadeira que já me dá prazer…
E o que seria de nós se não tivéssemos quem nos desse prazer em conhecer o seu ser??

©Read Mymind 2017 #69Letras

Apetece coisas loucas! Apeteces-me tu!

As vezes apetece coisas loucas…
Apetece que sejas minha!
Minha talvez não…
Gosto de animais a solta.
Em cativeiro perdem o brilho…
Apetecia…
Apenas isso…
Nua…
Sorridente e quente…
Apetecia sem muito que falar…
Para quê falar com o tanto que me apetece te fazer…???
Tudo tem de ser falado?
Explicado?
As palavras tiram o tempo dos gemidos…
Desgastam as vontades em vãs procuras…
Somos corpo e vontades…
Desejo e tes@o…
Não somos jovens loucos a procura de algo novo…
Sabemos o que queremos.
Passamos o tempo dos mistérios…
Porque não desfrutarmos um do outro?
Sem procurar segredos e penumbras…
Guardemos as sombras para esconder eventuais vergonhas.
Fiquemos pelos lençóis molhados dos nossos suores…
Esses não precisam explicação…
As mãos que a ti, toda procuram sentir…
Os meus lábios sequiosos dos teus…
Teus seios tesos de apetite do meu sugar…
São frases com começo, meio e fim!
Sem pausas e vírgulas!
Os meus dedos que te exploram o calor…
A tua mão que me sente a vontade…
Autênticas cartas escritas com o erotismo do saber de nós mesmos…
Que seja eu louco…
A loucura que me explique por palavras tuas onde me perdi em vontades de ti…

©Read Mymind 2017 #69Letras

Naquele dia…

Quando saí e senti a brisa marinha a fustigar-me no rosto, a minha alma ficou purificada. Nenhuma das culpas e angustias que carregava quando bati a porta do carro faziam agora sentido. A minha cara estava lavada, o meu coração estava limpo, rejuvenescido.

Continuar a lerNaquele dia…

Sous le ciel de Paris

E lá estava ela.
O olhar brilhante, o sorriso doce, as madeixas douradas a ondular ao sabor da brisa, o casaco vermelho a combinar com a boina, o corpo esbelto e perfeito.
Na ponte sobre o rio Sena lá estava ela, a contemplar a Torre Eiffel, como sempre fazia ao fim da tarde.
A neve caía-lhe sobre os ombros como se algodão fosse e ela não se importava com o frio cortante que se fazia sentir naquele Inverno parisiense.
E, como sempre, aqui estou eu sentado na escadaria à espera que ela chegasse, apenas para a contemplar.
Apenas a olhar, sem a poder tocar, sem lhe poder dizer que o meu coração se prendeu a uma estranha.
O meu coração prendeu-se a ela.
Mas hoje foi diferente.
Hoje, depois de olhar a Torre, ela olhou para mim.
O seu olhar chocou com o meu e, timidamente, ela sorriu.
Sorriu para mim. E aproximou-se.
“Posso sentar-me aqui?”
Surpreso, apenas acenei a cabeça em sinal afirmativo.
O meu corpo estremeceu quando ela se sentou e o seu perfume suave invadiu o espaço.
“A vista é linda. Todas as tardes venho até aqui para olhar para a Torre e ver o anoitecer cair sobre ela.”
“Eu sei. E eu venho aqui só para te olhar e comprovar que o teu brilho é maior que o das estrelas”, pensei.
Sorri para ela e apresentei-me.
A conversa sobre Paris e a sua beleza prolongou-se até a noite chegar.
“Amanhã irei voltar. Encontro-te aqui?”
Ela queria voltar a estar comigo.
O meu coração quase explodia com tanta felicidade.
A semana passou-se com encontros diários na escadaria.
E eu sentia-me apaixonado.
Numa dessas tardes ela contou-me porque olhava sempre para a Torre Eiffel ao anoitecer.
“Um dia gostava de ir até ao cimo da Torre e olhar as estrelas. Acredito que de lá lhes poderia tocar e que os meus desejos se realizariam.”
“E qual é o teu desejo?”, perguntei.
“Neste momento…tu”.
Os nossos olhares fixaram-se, aproximando os nossos rostos e fazendo com que os lábios se tocassem.
Que beijo tão suave e doce.
Eu amava-a. Eu queria tornar os seus sonhos realidade.
Uma tarde, antes de nos despedirmos, sussurrei-lhe ao ouvido:
“Esta noite vais mais alto. Esta noite vais tocar nas estrelas.”
E entreguei-lhe uma chave. Uma chave para a Torre.
Os olhos dela ganharam um brilho maior que o do sol.
Abraçou-me.
“Obrigado! E tu? Vens comigo? Queres ir mais alto e sentir como é tocar numa estrela?”
“Eu já senti. Eu já te toquei.”
E assim nos despedimos.
Na noite cerrada, caminhei em direcção à Torre Eiffel.
Parei na ponte onde sempre a costumava ver.
Olhei para o topo da Torre e vi uma silhueta.
Uma silhueta esbelta e mais brilhante do que o anel de diamante escondido no meu bolso.
Tocava nas estrelas pedindo os seus desejos. Estava lá, mais alto.
A mulher a quem entreguei o meu coração.
A mulher que amo.

© Fox 2017 #69Letras

Enfim… Apenas o tanto que nos quisemos…

Enfim..
Tudo tem um fim…
Parece que acabou…
Os suspiros terminaram…
Sobraram as vontades…

Algumas brincadeiras pensadas e inacabadas…
Ficaram as que escolhemos,
Quase sem querer…

Aquelas em que tudo era paixão e emoção!
Onde os teus lábios eram a perfeição em que me perdia.

O teu sabor…??
O tempero afrodisíaco.
Encaixes de vontades .
Eram perfeitos?

Não…
Formas de sentir que se apaixonaram uma pela outra.
Talvez sejas igual a tantas outras com que me cruzo na rua….
Assim ao olhar despido de sentires…
Foste tu que me fizeste acreditar em emoções que se atraem.

A tua boca que me fazia recordar ,
as súbitas descidas de uma montanha russa.
Onde o estômago se encolhe…
E as emoções afloram à boca.
As tuas e as minhas em beijos plenos de querer…

Os teus “aiiis”deliciosos…
Pernas longas que me uniam à tua necessidade de a mim sentir preencher…

Sim…!!!
A mim!!!
A mim que ainda hoje desejas em ti….

A mim, que me corrói a mágoa de não o ser!!!
O ser que te sente!!!!!
Sente quente e carente
Do meu tanto a ti querer…

©Read Mymind 2017 #69Letras

Ser humano/insatisfeito

Nunca estamos satisfeitos! Parece que estamos sempre esfomeados ou nunca estamos contentes.

Se está calor, queremos frio. Se está frio queremos calor.

Queremos a camisola de cor clara quando nos oferecem a escura, as calças de cor escura nunca vão ter a tonalidade clara que desejamos.

Hoje dizemos que estamos gordos, amanhã o nosso rabo é demasiado achatado e sem volume.

Luta-se para ter aquele item de ultima geração para passado pouco tempo passar de moda e continuarmos à luta pelo modelo seguinte.

O ser humano é o ser mais insatisfeito que existe!Porquê? Não sei mas calculo que seja um estado crónico.

Tal e qual como as “falhas de fabrico”. Porque além de nunca estarmos satisfeitos com o que temos, também temos a tendência a falhar naquilo para o qual fomos feitos para não falhar.

Falhar com as pessoas, errar nos sentimentos que demonstramos. Coisinhas confusas que somos. Seres defeituosos por vezes até, atrevo-me a dizer.

Por exemplo:

Os casais que têm um filho para lhe dar amor e carinho mas que nunca lhe proporcionam tempo de qualidade.  Porque precisam de trabalhar para sustentar a mesma criança que amam tanto…

Quando a vida é tão simples, temos o poder mágico de a complicar. Pena que não seja para beneficio de ninguém…

I have a dream

Quem o disse foi Martin Luther king mas eu também tenho os meus sonhos. E se me atrevo a sonhar alto, não tenho de pedir licença a ninguém porque ainda somos livres, ou não?

O meu sonho é deixar de sentir o “eu quero” na pele e cumprir o ” eu dou” mais. Libertar-me do “não posso” e viver plenamente no “juntos podemos”.

Porque depois de ver tantos sonhos afogados no egoísmo alheio, quero despir-me dos clichés da vida nómada da sociedade.

Quero viver ao máximo TUDO o que a VIDA nos oferece! E é tanto! Basta abrir os olhos! Abrir os braços e deixar-nos envolver pelas coisas simples da vida.

 

© Miss Steel 69Letras 2017

Bilhete Dourado

“Vai dar entrada na linha número um, o comboio Intercidades com destino a Porto-Campanhã”.

Desligou o microfone após anunciar o comboio. Mais um dos muitos que anunciava diariamente.

Limpou o suor da cabeça calva. O dia estava quente e a única aragem fresca era provocada pelos comboios sem paragem que passavam a toda a velocidade.

Costumava ficar a olhar para eles até desaparecerem na curva da linha férrea. Secretamente desejava que o levassem.

“Pára! Deixa-me embarcar! Deixa-me partir contigo e abandonar esta vida monótona!”

As campainhas já tocavam anunciando que o comboio se aproximava. Pegou na bandeira vermelha e dirigiu-se à plataforma.

As pessoas juntavam-se e esperavam ansiosamente pela chegada do comboio.

Ele perguntava-se que sítios iriam visitar, que aventuras iriam viver, que histórias iriam colecionar.

A sua vida estava estagnada. Um emprego que o deprimia, um salário parco, um velho apartamento perto da estação, um coração vazio.

Queria algo novo. Esta não era a vida que desejava. Desejar era tudo o que fazia mas sem réstia de esperança.

– Desculpe…

A voz feminina despertou-o da melancolia.

– Por favor, fique com isto. Percebi que a minha vida, afinal, começa aqui.

A mulher loira esticou-lhe um papel, sorriu e correu para junto de um homem que beijou apaixonadamente.

Ele olhou o papel na sua mão. Os seus olhos abriram-se surpresos.

Nas suas mãos tinha um bilhete com destino ao Porto no comboio que acabava de parar na estação.

Poderia esta ser a sua oportunidade?

Aquilo por que tanto ansiava estava na sua mão. Não tinha nada a perder.

O ar quente que emanava do comboio não o deixou sonhar mais alto. Tinha de entregar o bilhete na bilheteira.

Observou a plataforma. As últimas pessoas subiam para o comboio. O comboio das aventuras, dos sonhos, da esperança, da vida.

E ele ia ficar ali, a ver a sua vida passar sem chegar à próxima paragem.

Estava na hora de levantar a bandeira e deixar o comboio partir.

Apertou-a com força nas suas mãos. Largou-a, deixando-a cair.

Entrou no comboio, sentindo a porta fechar-se nas suas costas.

A vida era ele que a traçava.

No bolso apenas a carteira e o telemóvel.

Na mão o seu bilhete dourado.

No coração a excitação de um recomeço.

A viagem da sua vida estava prestes a começar.

© Fox 2017 #69Letras