Arquivo de etiquetas: Portugal

Mais um Verão em Portugal… Desta vez mais negro…

Desde miúda que me lembro de ver as notícias sobre os incêndios florestais. Todos os verões, sem excepção, aqui e ali, estatísticas chocantes em alguns anos, esperançosas noutros. Mão criminosa, matas mal limpas, churrascos que correram mal, calor em demasia…

As causas são infindáveis, as localidades diversas, mas foi todos os anos… Felizmente nunca estive perto de uma catástrofe de grandes dimensões e como sou de Lisboa, eram mais os anos em que ficava preocupada pelos colegas que iam passar o verão à “terra” e cheguei a ouvir relatos de aldeias cercadas de fogo, de uma clausura em forma de fumo denso, de sóis de cores diferentes…

Homenageio aqui os guerreiros e guerreiras que bravamente combatem o fogo, com força de heróis, com resistência sobrehumana… Ainda nos dias​ que correm é triste saber que nem todos estão devidamente equipados e protegidos, é triste saber que os meios são sempre escassos, mas louvo-lhes a coragem por irem na mesma, alguns por darem a vida em prol da segurança de mais uma casa, de mais uma família…

Confesso-me emocionada a escrever estas palavras e confesso também que durante muito tempo nada fiz… Era mais uma que via as notícias, criticava o governo, amaldiçoava quem por mão criminosa se atrevia a roubar um pouco mais de oxigénio à terra… Podemos fazer alguma coisa sim! Longe ou perto, muito ou pouco… Algo tão simples como água pode ser precioso. Tornar o fim de semana de família num projeto de limpeza da mata local pode ser vital (ainda que seja algo pequeno, se arder pode chegar dentro de casas…).

Como li algures, todos os gestos são pequenos mas muitos pequenos gestos são uma grande ajuda…

Sinto que tudo isto já foi dito, já foi escrito, mas não me desata o nó na garganta… Deixo homenagem e apelo e fogem-me as palavras para mais…

Não posso terminar este texto sem lamentar as vítimas de Pedrógão… As minhas condolências às famílias. Muita força e coragem nestes tempos…

© VickyM 19.06.2017 #69letras

 

De raízes bem fundas

As minhas raízes não vêm de nenhum país exótico ou distante. 

Sou portuguesa mesmo. 

Venho da terra com horizontes de eucaliptos  decorados com o rio Tejo. 

Carrego a saudade no meu peito enquanto choro um fado à desgarrada. 

Sou mulher agarrada às minhas raízes embora longe e distante. 

Insisto em nunca esquecer de onde venho, para que me oriente sempre para onde vou. 

Reconheço a tacanhez do meu país, somos pequenos ainda num mundo de gigantes. É certo.  Mas jamais a tacanhez fará parte do meu DNA. 

Sou grande na força de vontade, sou grande na luta mesmo que os ventos não soprem a meu favor. 

Tenho alma  lusitana  e ninguém me tira isso. 

Sou portuguesa orgulhosa da língua de Camões e da simplicidade dum prato de bacalhau. 

Sou mulher portuguesa com raízes tão profundas como os princípios e valores que defendo e esses falam todas as línguas… 

©Miss Steel 69letras 2017 

Amo-te, Portugal*”Amo-te, aconteça o que acontecer. Amo-te por causa de ti. Não é apesar de ti. É por causa de ti. Não há outra razão. Nem podia haver uma razão mais simples.”

Portugal,

6da1559041a3cd91df3ab8d01f00e84e
Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu não queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar à conclusão que te amava por uma lenta acumulação de razões, emoções e vantagens. Mas foi ao contrário. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer espécie de aviso, e desde esse dia, que remédio, lá fui acumulando, lentamente, as razões por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras razões, para não te amar, ou não querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti. És difícil. És muito bonito e és doce mas és pouco dado a retribuir o amor de quem te ama. Até dás a impressão que tanto te faz seres odiado como amado; que gostas de fingir que estás acima disso, olhando para os portugueses de agora como o céu olha para os passageiros nos aviões.

Já que estava apaixonado, sem maneira de me livrar – nem sequer voltando para ti e vivendo contigo mais trinta anos – que remédio tinha eu senão começar a convencer-me que havia razões para te amar.

Encontram-se sempre. E, a partir de certa altura, quando já são seis ou sete razões que se foram arranjando ao longo dos anos, deixamos de amaldiçoar este amor que nos prende a ti e, inevitavelmente, começamos a sentir-nos, muito estúpida e secretamente, vaidosos por te amarmos. Como se fôssemos nós que tivéssemos sido escolhidos.

Digo nós mas falo por mim. Digo eu sabendo que não sou só eu, que nós somos muitos. Possivelmente todos. Tragicamente todos, um bocadinho. Se calhar estamos todos, de vez em quando, um bocadinho apaixonados por ti.

A tua pergunta bocejada, de país farto de ser amado, amado de mais, aborrecido com tanto amor, apesar da merda que tens feito e da maneira como nos pagas, é sempre a mesma: «Diz-me lá, então, porque é que me amas…»

Pois hoje vou-te dizer. Não me interessa nada a tua reacção. Estás a ver? Já comecei a mentir. É sinal que a minha carta de amor já começou.

Amo-te, primeiro, por não seres outro país. Amo-te por seres Portugal e estares cheio de portugueses a falar português. Não há nenhum outro país, por muito bom ou bonito, onde isso aconteça.

Mesmo que não achasse em ti senão defeitos e razões para deixar de te amar, preferia isso, mesmo deixando de te amar, a que não existisses.

Se deixasses de existir, o meu olhar ficava de luto e nunca mais podia olhar para o resto do mundo com os olhos inteiramente abertos ou secos ou interessados.

Para que continuasses a existir, mesmo fazendo cada vez mais merda, trocava imediatamente ir-me embora de ti e nunca mais poder voltar e nunca mais poder ver-te, e nunca mais encontrar um português ou uma portuguesa, e nunca mais poder ler ou ouvir a língua portuguesa.

E olha que este é um desejo que muitas vezes tenho.

Esta é a única verdadeira prova de amor: fazer tudo para que sobreviva quem se ama. Mesmo que nunca mais te víssemos, Portugal, saberíamos que continuavas a existir, que as nossas saudades teriam onde se agarrar. Por muito que mudasses, mal te deixássemos e nunca mais te víssemos, já não mudavas mais.

Mesmo que não houvesse em ti um único pormenor que não houvesse nos restantes países do mundo, que são muitos; mesmo que houvesse um país escondido que fosse igualzinho a Portugal em todos os pormenores; mesmo assim eu amar-te-ia como se fosses o único país do mundo, diferente em tudo.

Portanto, já viste, ó Portugal: não preciso de nenhuma razão para te amar. Amo-te sem razão. Amo-te às cegas, antes sequer de olhar para ti. Podes ser o pior país do mundo, ou o melhor, ou o mais monotonamente assim-assim. Não me interessa. Amo-te. Amo-te à mesma. Amo-te antes de falarmos nisso.

Amo-te tanto que, quando perguntas porque é que eu te amo, não fico nervoso nem irritado. Não preciso de tentar dar uma razão convincente. Amo-te à mesma, fiques ou não convencido.

E, mesmo que te aborreças de ouvir todas as razões que tenho para te amar, eu continuarei a dizê-las, porque gosto de dizê-las e porque, que diabo, também eu preciso, às vezes, de me lembrar e de me convencer do quanto eu te amo.

Amo-te mesmo que sejas impossível de conhecer ou de descrever. Isto é muito importante. O Portugal que eu conheço e descrevo é apenas o Portugal que eu julgo, se calhar, conhecer (pouco) e descrever (mal).

Cada pessoa apaixonada por ti está apaixonada por um Portugal diferente do meu. Até o meu Portugal é, conforme os climas, bastante diferente do meu – para não dizer estrangeiro.

Por exemplo, uma das razões por que te amo é o teu clima. Acho que tens um bom clima. Mas não julgues que há muitos portugueses apaixonados por ti que concordam comigo. Esses julgam o teu clima dia a dia e hora a hora e gostam dele, quando muito, vinte por cento do ano. Em cada cinco horas do teu clima, gostam de uma e odeiam quatro.

Pois eu amo-te sem saber sequer se o teu clima é bom ou mau. Não tenho a certeza, mas não interessa: amo-te mesmo ignorando tudo a teu respeito. Amo-te mesmo estando completamente enganado. A pessoa convencida sou eu. Quem está convencido que ama, quando fala do seu amor, não quer convencer ninguém. Quer declarar que ama. Se é bom ou mau nem secundário é. Fica noutro mundo, onde vivemos.

Como vês, não preciso de razões para te amar. Mas tenho muitas. E boas. A primeira delas é secreta e embaraça-me confessá-la: amo-te, Portugal porque, não sei como e contra todas as provas e possibilidades, acho que és o melhor país do mundo.

Pronto. Está dito. É uma vergonha pôr as coisas de uma maneira tão simples. Mas era isto que eu estava há que séculos para te dizer: amo-te, Portugal, por seres o melhor país do mundo.

Como vês não sou o romântico que estava a fingir ser, que te ama sem precisar de razões para isso. Tenho uma razão muito interesseira para te amar: acho que és o melhor país do mundo. Por muito relativista que eu seja noutras coisas, acho mesmo que tive sorte de nascer aqui. Em ti. Aqui, entre nós.

Desculpa.

Mesmo assim, insistes em perguntar: que tens tu de tão especial, que os outros países não têm?

Essa íntima vaidade, por exemplo. Tu não és orgulhoso. Mas, muito bem disfarçada, tens uma vaidade sem fim. Dizes-te feio e vestes-te mal mas, quando passas por um espelho, espreitas e achas-te giro. E se alguém te diz que és feio e estás mal vestido, não ficas ofendido – achas que aquela pessoa é obviamente estúpida e não tem olhos na cara.

Ou, pelo menos, não tem o discernimento e o bom gosto necessários para apreciar a tua oblíqua mas inegável formosura. A tua beleza, estás convencido, está reservada para os apreciadores. A ralé passa ao lado e não vê: deixá-la passar.

A tua vaidade é tanta que até te permites um grande desleixo. Sabes que, na terra onde nada plantaste, há-de crescer um jardim preguiçoso que um dia será selvagem e bonito, sem qualquer esforço teu. Deus e o tempo trabalham por tua conta.

Sabes que a tinta fresca salta muito à vista e que é cansativa. Esperas, despreocupado, pela beleza que há-de vir com a passagem dos tempos. E a vaidade que sussurra, preguiçosamente, a quem insista em aproximar-se: «Sim, eu sei que sou uma casa bonita e não, não me lembro da última vez que fui pintada. Eu cá não preciso de me abonecar.»

Graças ao desleixo que a tua vaidade consente, mudas menos do que os outros países. As pessoas acham que és conservador, que és contra a mudança. Mas não é isso. És vaidoso e preguiçoso porque achas que não precisas de grandes esforços ou mudanças: sabes que continuas encantador.

O teu desleixo também é causa de muito sofrimento mas não é numa carta de amor que vou falar dele. Também tem consequências agradáveis.

Por exemplo, dizes que queres ser um país de primeira categoria. Mas sabemos todos que não queres. Gostas de ser de segunda, como gostas de não ser de terceira. Gostas de ter países melhores do que tu, para visitar ou invocar, quando fazes aquela fita de lamentar que não seja possível teres tudo o que tens de bom, menos tudo o que tens de mau, trocado pelo melhor que houver nos outros países.

Tu não queres nada a não ser que gostem de ti. E não estás disposto a fazer nada por isso. Nem é preciso serem muitos a gostar. Se calhar, até te bastava um. Aposto que é essa a impressão que consegues dar a cada um dos desgraçados, como eu, que estão apaixonados por ti.

Eu poderia perder anos a fazer um cuidadoso retrato de ti. Por muito verosímil que fosse, davas uma olhadela e dizias com desdém, a fazer-te caro ao mesmo tempo: «Isso não sou eu. Isso é outro país qualquer que inventaste…»

É a tua maneira, Portugal amado, de garantir que continuaremos a tentar retratar-te. Tanto te faz que o retrato seja feio ou bonito, desde que seja de ti.

Quanto mais variados forem, mais gostas. Até tu, nas tuas paisagens, varias e hesitas tanto e recusas-te a decidir, como quem não tem pressa e, no fundo, não escolhe nem decide, porque quer tudo.

Preferias ser amado por quem tem razões para te odiar? Isso sei eu. Paciência. Eu amo-te porque mereces. Eu amo-te pelas tuas qualidades. Preferias não tê-las. Para que o amor fosse mais puro, mais contraditório, mais injustificável. Mas tens qualidades.
Desculpa lá dizer-te isto, Portugal, mas amar-te é uma coisa simples.

Amo-te, aconteça o que acontecer. Amo-te por causa de ti. Não é apesar de ti. É por causa de ti. Não há outra razão. Nem podia haver uma razão mais simples.

Por muito que te custe ouvir (apesar de eu saber que não só não te custa nada como gostas de ouvir), digo-te: é tão grande o meu amor por ti que até consigo amar-te sem dar por isso.

Já viste?

Texto de: Miguel Esteves Cardoso

Fotografia: Via Pinterest

E se coubesses num abraço ?

12508837_1645313242381073_3315635321198175718_n

 

E se coubesses num abraço ? Se coubesses encostada ao peito, junto ao coração arrancando um pedaço do que dele resta e ali ficasses na quebra da solidão ? E se te encolhesses entre meus braços ? E suspirasses numa paz que ao pensamento te livrasse de embaraços que a vida te traz ? E se sorrisses por estares bem ? Por te deixares ficar entretida nas minhas mãos num afago de vai vem que passeio pelo teu cabelo numa ternura sentida em que te trago ? E se fechasses os olhos e viajasses ? Para terras distantes e camas perto, sonhos que colasses em teu pensamento mais negro do qual te liberto ? E se te deixasses ficar ? Ali naquele gesto tão simples de te deixar, relaxar, suspirar fazer do dia a noite e do almoço o jantar ? E se não quisesses sair do meu lugar ? Que seria teu também o teu ocupar, sem tempo por saber o que é tempo de findar ? Se coubesses no meu abraço eu vivia para ti, para adormecer tambem em teu regaço e viver tambem para mim e assim pernoitar noite e dia por ali, até que o lusco fusco da vida tivesse fim.

O Inquilino

Falas do jeito com que te olho…

image

Os meus olhos são o motivo pelo qual ainda não desististe de mim. São a porta de entrada para o coração ao contrário das palavras que pedem que te afastes.
Pudesse eu olhar-lhe de outro jeito para não me revelar. Mas os olhos que te olham admiram-te, carregam vontade e desejo, iluminam de carinho e doçura, inflamam de paixão e fervor e por mais palavras que te diga tu não vais. Persistes em entrar porta adentro e me desarmar… por isso é que quando me apanhas, me agarras, me beijas e me amas para não falar…
Pudesse eu calar os meus olhos e falar menos.

A Vizinha

Apenas um beijo

image
Um beijo é tudo o que te peço.
Só preciso de te dar um beijo para devolver à tua alma a esperança e voltares a acreditar que poderás voltar a amar,
Apenas um beijo será suficiente para sentires que ao meu lado nunca deixarei que te falte nada e que se é o céu que me pedes é para lá que voaremos.
Só te peço um beijo, um único beijo para provares o gosto do quanto te quero e te convencer a entregares-me a tua alma, saborearás nos teus lábios o gosto do amor, e sei que não o irás desperdiçar.

A Vizinha – Segue-me no facebook. Clica aqui.

Sou ao contrário

Florbela Espanca:

Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer.

👠A vizinha #69Letras