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Lágrimas salgadas

Quando acordei o sol fustigava-me a cara.
O sal daquela maresia de final de tarde de outono na praia, cravava-se sem contemplações no meu rosto como punhais de Naruto.
Eu estava febril, a minha pele crepitava, os meus músculos estavam entorpecidos, o meu coração estava doente, os meus lábios secos pareciam incapazes de se moverem.
Ao largo, um pequeno barco à vela vagueava pelo mar sem sentido, ao sabor da sorte, sem lutar contra a vontade das ondas, perante o olhar atendo daquela meia dúzia de gaivotas que me fazia companhia naquele final de tarde esquecido no tempo.
Recordo-me de me querer levantar, de querer correr pela praia em tronco nu,… talvez até todo nu, ….já nada mais importava, e gritar bem alto o teu nome na esperança que me ouvisses e com a ilusão do teu regresso.
Estava sem forças, as minhas ilusões haviam sido levadas por aquele vento cada vez mais forte, os meus gritos não se ouviam, estavam abafados neste corpo moribundo, sem alma, sem vontade, sem ti.
Foste embora, contigo levaste-me a vida, o meu sorriso, aquele sorriso largo e sincero que um dia disseste que amavas.
Levaste-me a vontade, a vontade de lutar contra esta tristeza que me invade a razão e me faz correr as lágrimas pelo rosto numa abundância que parece não ter fim.
Sinto me perdido, vejo-me a caminhar vendado pelos vinhedos de Canela, é como se estive em queda livre no Poço profundo de Neversink.
Salva-me.
Preciso de um beijo teu, devolve-me à vida.
Salva-me…devolve-me o sorriso…

 

#PSassetti #69Letras 14.10.2017

Não há amores perfeitos

“Sinto-me vivo! Sinto-me amado!”

E que bom seria que todos se sentissem assim, rejuvenescidos, de sorriso e coração aberto para o Mundo. Nem sempre é fácil, sei disso, mas só acontece se estivermos dispostos a tal. Não adianta fugir, nem fingir que somos insensíveis e que o Amor é para uma Elite de pessoas que facilmente se apaixona e que anda sempre de sorriso nos lábios.
Isso não é para mim! Fechei completamente o meu coração.” Esta é uma das frases mais ditas por um coração magoado.
Já acreditei que seria possível encerrar todas as portas daquele capitulo e seguir em frente sozinho sem sentir qualquer afeto por alguém mas depois, do nada, o coração aperta, bate aquela saudade de sentir o desejo, e aí pensas que afinal queres partilhar o teu dia a dia com alguém, queres sentir as borboletas no estômago, queres ver o arco-íris todos os dias (não te esqueças que para ver o arco-íris tens que aguentar com a chuva), e aí que fazes? Abres-te logo? Atiras-te de cabeça à primeira promessa de amor eterno ou ficas a aguardar pelo “amor perfeito”? E isso existe? Começas com calma, protegendo-te do “ataque” feroz que surge com a paixão e sem te dares por ela já estás a afastar esse alguém que potencialmente poderia ser uma de duas coisas, ou mais um flop ou uma paixão arrebatadora, e aí sim tens que ter a coragem de enfrentar o que daí irá surgir.
Decides avançar sem saber o que te moveu ao certo. Será Amor e Paixão, será Tesão ou será mesmo medo da solidão? De uma coisa eu sei, se não arriscares nunca irás saber.
– Deu dor? Sem sentir a dor não saberias reconhecer o prazer e dar valor a quem te faz bem. Aliás, a dor precisa de ser sentida!
– Deu Tesão? Aproveita e usa, faz memórias e boas histórias para recordar.
– Deu Medo? Ganha coragem, enfrenta-os e supera-te! Não te deixes amedrontar.
– Deu Amor e Paixão? Sente e desfruta! Não há amores perfeitos e de certeza que esse não o será. Afinal, a vida não precisa de ser perfeita para que o amor seja extraordinário.
– Vai com calma, pensa o suficiente. Pensar demais queima neurónios, atormenta e deixa-nos ansiosos.
– Deixa fluir. O Amor é como a água que corre no rio, sempre transpondo os obstáculos até chegar aonde tem que chegar, afluente esse alimentado pela Paixão que transborda entre dois seres deixando-nos muitas vezes irreconhecíveis.
Ah!! Conselho importante.
– Quando estiveres apaixonado/a não faças promessas pois nestes momentos não tens noção do que estás a prometer.
– Estás de beicinho, sempre com aquele sorriso “estúpido”!
E agora, que fazer? Nada! Nada e tudo! É neste momento que cometemos loucuras, tomamos atitudes que não são “normais”, deixando os nossos amigos e família parvos da vida. Por isso aproveita, não negues os teus desejos nem vontades. Usa e abusa de carinhos, de cafuné e conchinha. Surpreende e abraça! Abraça muito! Beija ainda mais!
– Deu Merda? Melhor! É sinal que não era para ser, e que o próximo Amor é que vai ser o melhor Amor da tua vida! O importante é não desistir, não baixar os braços nem virar as costas ao Amor.
Aproveita. Não fiques apático à espera que o Amor vá ter contigo.
E aprende. Lembra-te que o teu Amor tem validade, nem que seja enquanto fores vivo, e que o teu Amar seja uma infinito dentro de uma eternidade. Mas lembra-te, há infinitos maiores que outros.

© O Vizinho 2017 #69letras

E dizia eu…

Acho que a minha alma não estava ali, saiu do corpo parar me “mirar” de fora.
Estava apenas o meu corpo e as minhas vontades que eram tantas !

Sentia-me encantada….. se é que ainda seria possível isso!
O buraco vazio que tinha em mim era tão grande e a tua subtileza disfarçada na tua habitual postura, preencheu-o na perfeição !
Nem me apercebi!
Foi sem contar, foi mágico, foi acontecendo!
Deixei fluir, fui deixando, eu gosto de sorrir, de conversar com quem saiba conversar!
Deixei andar, senti que estava a gostar, também te senti gostar! Continuar a lerE dizia eu…

…O tal defeito meu !

Foi um deslize,
Uma fraqueza comum,acontece!
Não devia ter-Te falado tanto…
E tão de dentro!
(o tal defeito meu,falo demais)

Deveria ver com mais atenção a própria atenção!
Deixar de brincar às fases e usar apenas as minhas frases!
Foi um deslize…
Como muitos que acontecem sobre determinados erros de linguagem e interpretação!
Como muitos que são propositados para usar o nome “deslize” e são actos de maldade…

Foi um deslize, uma fraqueza, uma lacuna …
Erro crasso meu…
Que guardo, confortada, com os sorrisos que causa …
E que não me intimidam ou fragiliza…
tornam-me mais forte no caráter de Mulher que sei que sou, …mais Eu!
Porque sim, sou… um “Eu Humano” e sem medo de mostrar falhas…

Não faltam deslizes, por aí, camuflados!
Com medos tão absurdos que se mostram ser quem não são nem nunca o foram!
Um dia eu, algum dia tu, todos os dias outros …
Com os nossos deslizes…
Que fazem parte da aprendizagem da vida!

©My Sighs 2017 #69Letras

Alguém na minha condição

Não adianta, não vale a pena! Não consigo f@der sem fazer amor!

Meu alter ego bem me guia para constantes engates, divertimentos one nigth stand mas meu corpo nega, meu Eu racional abana comigo e diz-me de forma subtil que não é disso que eu preciso.
De que vale uma lap dance quando o que eu preciso é de cafuné?
De que me vale uma noite de copos e folia quando o que eu quero mesmo é o sofá e Netflix com ela?
De que me vale despir o corpo quando não consigo despir a alma?
Nem todos sabem Amar e muito menos sabem f@der. Numa conversa saiu-me uma frase que agora uso:

“F@der é fastfood, fazer amor f@dendo é gourmet!”

Nunca esta expressão fez tanto sentido! Nunca na vida pensei em concordar tanto comigo!
É qual a causa disto tudo?
O que está por detrás deste dilema que me atormenta de uma forma tão subtil mas causa estragos tão grandes?
Ela. Aquela. Tu.

E esta cabeça de burro pensa de mais, age de menos e congela, não faz o que devia fazer.

Talvez por medo de mexer nos confins do meu coração e da minha mente… Ou medo de mexer com os dela, sabendo eu da sua condição. Estes receios levam-me a Friedrich Nietzsche, neste pensamento adaptado.
“Sou demasiado orgulhoso para acreditar que uma mulher me ame: seria supor que ela sabe quem sou eu. Também não acredito que possa amar alguém: pressuporia que eu achasse uma mulher da minha condição.

© O Vizinho 2017 #69letras

E agora, quem sou eu?

Já não sei escrever.
As palavras ferem o meu silêncio.
E é uma luta dentro de mim.

As palavras que se embrulham na minha garganta.
O silêncio que se mata para ser mais forte.

E com isto, quem sou eu?
Não me reconheço.
Não sei quem sou.

Continuar a lerE agora, quem sou eu?

Exteriorizações da memória

Confesso que precisei de saber. Precisei de saber se realmente valeria a pena esperar e lutar por ti.
Não foi fácil estar horas deitado no sofá a ouvir aquelas memoriosas músicas do VH1 que me lembravam o quanto inocente e ignorante era eu na Arte da Sedução (sim, seduzir é uma arte, resistir faz parte) e saber que por muitas “cantadas” ou tentativas do tal café não foram suficientes para te convencer a estar mais 15 minutos comigo. Todas as minhas certezas de que afinal eu já saberia seduzir uma mulher caem por terra, desabou aquela máscara confiante e segura de mim. Tu, com ou sem intenção, com ou sem consciência, diminuirias este homem num “gajo” qualquer, criatura esta que nem há pouco bastavam umas palavras para conquistar a atenção da plateia, ou parte dela (é assim que se começa rapazes) e conquistava meio mundo, e que naquele momento nem a ele próprio se convenceu que era capaz de seduzir uma mulher.

Valeria eu a pena para ti? Seria eu o suficiente para ti? Seria eu o ideal para ti? Ou então, serias tu tudo isto para mim? Seriamos apenas uma ilusão, um sonho acordado alimentado pelas tesões partilhadas, ou mesmo única e exclusivamente uma pequena história que acabou no momento que começou?
Eram dúvidas que me atormentavam e não me deixavam avançar sem ter a certeza que nós valeríamos a pena…

Sabes, tudo em cima se tornou obsoleto, deixou de fazer sentido. Agradeço-te por me teres permitido te conhecer, e saber que afinal ainda sei fazer alguém feliz e preenchida. Sabes, ela reapareceu, voltou com aquele sorriso que me encanta e me deixa babado, basta um palavra para me derreter e me deixar com cara de parvo. Quando passas pela vida de alguém deixas sempre rasto e marcas, tu simplesmente não és passageiro. Algo teu fica sempre, nem que seja para preencher temporariamente para que no final ficar o definitivo, nem que seja um definitivo temporário…

© O Vizinho 2017 #69letras