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Exteriorizações da memória

Confesso que precisei de saber. Precisei de saber se realmente valeria a pena esperar e lutar por ti.
Não foi fácil estar horas deitado no sofá a ouvir aquelas memoriosas músicas do VH1 que me lembravam o quanto inocente e ignorante era eu na Arte da Sedução (sim, seduzir é uma arte, resistir faz parte) e saber que por muitas “cantadas” ou tentativas do tal café não foram suficientes para te convencer a estar mais 15 minutos comigo. Todas as minhas certezas de que afinal eu já saberia seduzir uma mulher caem por terra, desabou aquela máscara confiante e segura de mim. Tu, com ou sem intenção, com ou sem consciência, diminuirias este homem num “gajo” qualquer, criatura esta que nem há pouco bastavam umas palavras para conquistar a atenção da plateia, ou parte dela (é assim que se começa rapazes) e conquistava meio mundo, e que naquele momento nem a ele próprio se convenceu que era capaz de seduzir uma mulher.

Valeria eu a pena para ti? Seria eu o suficiente para ti? Seria eu o ideal para ti? Ou então, serias tu tudo isto para mim? Seriamos apenas uma ilusão, um sonho acordado alimentado pelas tesões partilhadas, ou mesmo única e exclusivamente uma pequena história que acabou no momento que começou?
Eram dúvidas que me atormentavam e não me deixavam avançar sem ter a certeza que nós valeríamos a pena…

Sabes, tudo em cima se tornou obsoleto, deixou de fazer sentido. Agradeço-te por me teres permitido te conhecer, e saber que afinal ainda sei fazer alguém feliz e preenchida. Sabes, ela reapareceu, voltou com aquele sorriso que me encanta e me deixa babado, basta um palavra para me derreter e me deixar com cara de parvo. Quando passas pela vida de alguém deixas sempre rasto e marcas, tu simplesmente não és passageiro. Algo teu fica sempre, nem que seja para preencher temporariamente para que no final ficar o definitivo, nem que seja um definitivo temporário…

© O Vizinho 2017 #69letras

Sinto-me uma rebelde…

Essa fúria toda… porque a tens?
Pior… porque é que eu a quero?
Não sei se é a fúria que quero ou se te quero a ti com essa fúria toda. Sim, certa que te quero a ti com essa fúria toda. Bem em cima de mim.
De mãos cravadas em mim.
Tu bem dentro de mim.
Esse teu gosto de whisky nos lábios, surreal sensação que me fazes sentir.
Sinto-me uma rebelde.
Ao teu lado, uma bad girl.
De mal comportamento…
O que te faz ser assim tão bruto?
De tanta força pegar em mim e jogar-me como uma bola para cima da cama??

Não sei, quem ou o que te fez…assim. Mas adoro esse teu ser.

És errado.
Mas demasiado divertido.

© Krishna  2017 #69Letras

Bastou!

Quase na linha de chegada
Tu mais uma vez partes-me o coração.
Já perdi a noção, se sou rascunho ou defeito para ti.
És tanto para mim e eu tão pouco para ti.
Chega
A tua rapariga já não o sou.
Perdi tempo suficiente contigo e no teu mundo de leves mentiras.
Bastou!
De certo que já não te quero.
Mais que tudo, fomos juntos para separar.
Mais que correto que contigo não vou ficar.
Último beijo enquanto a chuva cai…
Pois à porta do meu coração tu vais ficar.

© Krishna 2017  #69Letras

Sem olhar a quem!

Sei que poucos de vós me conhecem a cara, ou mesmo o espirito, mas posso-vos dizer que sou eterna criança.
Sinto-me todos os dias como se fosse uma gaiata que descobre tudo pela primeira vez.
Sou leve, levinha a quem me olha e pesada quem me quer mal.
Vibro com cores, formas e feitios.
Estudo todos os recantos da vida, pois sem ela seriamos inúteis.
Abraço assim tudo o que me conforta o coração e de certa forma rejuvenesce a alma, desde do nascer do sol à sua ida, apanho todas as manhas e segredos que o dia me oferece.
Bom dia, boa tarde e um como vai? São tão importantes que muitos não se apercebem do preenchimento de alegria que nós dá, da satisfação que é sentir a simpatia da alma humana.
Sou tão isto e tanto mais…
Espero que todos vós assim sejam, e se não forem…
Troquem a pressa pela calma de uma chávena de café à janela da vossa humilde casa, não deixem que a maldade da sociedade vos devore e sejam amáveis, troquei o telemóvel por uma sangria na praia com amigos de pés na areia e agarrem as noites quentes no campo com um piquenique!
Partilhem um “olá” com aquele senhor de olhar cansado que vai no barco convosco, de certo que com isto o dia dele irá ser melhor.
Porque alguém se interessou, reparou na existência de quem ali está.
Custa tão pouco ser humano, e felizmente consegui acordar para a vida simples e singela que me rodeia antes que a vida industrializada me levasse para longe.
Pratiquem a bondade,
Rezem à alma, seja qual for a alma.
Digam “olá”,
Não se esqueçam do “dorme bem”,
Sem olhar a quem!

©Krishna 2017 #69Letras

Sem destino saio.

Hoje resolvi sair, festejar não sei bem o que.
Não preciso de motivo.
Festejo porque quero, como tudo o que faço. É porque quero.
Quero estragar a minha alma com sexo sem sentido, o meu corpo com álcool caro e a minha pessoa sem vergonha nenhuma nesta cara.
Sem destino saio.
E sabe deus que é escassa a minha roupa.
Gosto desse teu ar.
Como seguras o copo e mordes o lábio enquanto me penetras com o olhar.
Já perdi a conta aos copos… às garrafas que por mim já passaram.
Anda comigo que se faz tarde.
Transpiras confiança em me ter … isso excita-me para além do racional.
E se dar por isso já estou estragada.
Debruçada de rabo empinado para te servir mais uma bebida nesta longa madrugada neste quarto de hotel.
Manda vir mais uma garrana que está calor, e sem medos bebe-a em cima de mim.
Meu estranho faz-me feliz,
Leva-me ao limite.

Porque eu hoje saí para festejar e assim vamos continuar.

©Krishna 2017 #69letras

Por favor faz-me valer um bom café…

Sei que com todo o direito pensas que podes invadir e espreitar o meu interior.
Aqui é verão todo o ano,
Sem restrições e sempre de cabelo solto..
Música pela tarde e libertamos a nossa mente!
Muitos dizem que sou estranha, 
Mas digo-te que vale a pena conhecer.
Não gosto de me deitar cedo.
Gosto de manhãs apressadas e cafés saborosos.
Arrasto os saltos pela noite, tal e qual como canto sem medos.
Anda que só estamos aqui os dois e tudo de bom que entre nós existe.
Vem, que não me quero deitar já e vender a minha alma barata.
Por favor faz-me valer um bom café…

©Krishna 2017 #69Letras

Meu porto de abrigo

Existe algo no teu peito que me conforta.
Algo que acolhe o meu mundo, este mundo complicado que por vezes não cabe no mundo real.
Não encaixa nos estereótipos impostos pela sociedade. 
Simplesmente não cabe. 
Este meu mundo é grande mas incompleto sem o teu. 
Torna-se gélido, quase inútil aqui permanecer, sem ti.
O teu núcleo é quente e sólido derretendo o meu gelo, o meu coração.
Não.
Não sou histórias de amor e paixões perdidas.
Sou de amores.
De preferência puros, sinceros.
Como tu.
Como esse teu peito, de tamanho do mundo, de coração miúdo, de amor profundo. 
No teu abraço descanso sem receios, 
Na tua alma eu encosto a minha.
Meu porto de abrigo. 
Meu amigo.
Meu abraço predileto.
©Krishna 2017#69Letras