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Lágrimas salgadas

Quando acordei o sol fustigava-me a cara.
O sal daquela maresia de final de tarde de outono na praia, cravava-se sem contemplações no meu rosto como punhais de Naruto.
Eu estava febril, a minha pele crepitava, os meus músculos estavam entorpecidos, o meu coração estava doente, os meus lábios secos pareciam incapazes de se moverem.
Ao largo, um pequeno barco à vela vagueava pelo mar sem sentido, ao sabor da sorte, sem lutar contra a vontade das ondas, perante o olhar atendo daquela meia dúzia de gaivotas que me fazia companhia naquele final de tarde esquecido no tempo.
Recordo-me de me querer levantar, de querer correr pela praia em tronco nu,… talvez até todo nu, ….já nada mais importava, e gritar bem alto o teu nome na esperança que me ouvisses e com a ilusão do teu regresso.
Estava sem forças, as minhas ilusões haviam sido levadas por aquele vento cada vez mais forte, os meus gritos não se ouviam, estavam abafados neste corpo moribundo, sem alma, sem vontade, sem ti.
Foste embora, contigo levaste-me a vida, o meu sorriso, aquele sorriso largo e sincero que um dia disseste que amavas.
Levaste-me a vontade, a vontade de lutar contra esta tristeza que me invade a razão e me faz correr as lágrimas pelo rosto numa abundância que parece não ter fim.
Sinto me perdido, vejo-me a caminhar vendado pelos vinhedos de Canela, é como se estive em queda livre no Poço profundo de Neversink.
Salva-me.
Preciso de um beijo teu, devolve-me à vida.
Salva-me…devolve-me o sorriso…

 

#PSassetti #69Letras 14.10.2017

Alguém na minha condição

Não adianta, não vale a pena! Não consigo f@der sem fazer amor!

Meu alter ego bem me guia para constantes engates, divertimentos one nigth stand mas meu corpo nega, meu Eu racional abana comigo e diz-me de forma subtil que não é disso que eu preciso.
De que vale uma lap dance quando o que eu preciso é de cafuné?
De que me vale uma noite de copos e folia quando o que eu quero mesmo é o sofá e Netflix com ela?
De que me vale despir o corpo quando não consigo despir a alma?
Nem todos sabem Amar e muito menos sabem f@der. Numa conversa saiu-me uma frase que agora uso:

“F@der é fastfood, fazer amor f@dendo é gourmet!”

Nunca esta expressão fez tanto sentido! Nunca na vida pensei em concordar tanto comigo!
É qual a causa disto tudo?
O que está por detrás deste dilema que me atormenta de uma forma tão subtil mas causa estragos tão grandes?
Ela. Aquela. Tu.

E esta cabeça de burro pensa de mais, age de menos e congela, não faz o que devia fazer.

Talvez por medo de mexer nos confins do meu coração e da minha mente… Ou medo de mexer com os dela, sabendo eu da sua condição. Estes receios levam-me a Friedrich Nietzsche, neste pensamento adaptado.
“Sou demasiado orgulhoso para acreditar que uma mulher me ame: seria supor que ela sabe quem sou eu. Também não acredito que possa amar alguém: pressuporia que eu achasse uma mulher da minha condição.

© O Vizinho 2017 #69letras

Exteriorizações da memória

Confesso que precisei de saber. Precisei de saber se realmente valeria a pena esperar e lutar por ti.
Não foi fácil estar horas deitado no sofá a ouvir aquelas memoriosas músicas do VH1 que me lembravam o quanto inocente e ignorante era eu na Arte da Sedução (sim, seduzir é uma arte, resistir faz parte) e saber que por muitas “cantadas” ou tentativas do tal café não foram suficientes para te convencer a estar mais 15 minutos comigo. Todas as minhas certezas de que afinal eu já saberia seduzir uma mulher caem por terra, desabou aquela máscara confiante e segura de mim. Tu, com ou sem intenção, com ou sem consciência, diminuirias este homem num “gajo” qualquer, criatura esta que nem há pouco bastavam umas palavras para conquistar a atenção da plateia, ou parte dela (é assim que se começa rapazes) e conquistava meio mundo, e que naquele momento nem a ele próprio se convenceu que era capaz de seduzir uma mulher.

Valeria eu a pena para ti? Seria eu o suficiente para ti? Seria eu o ideal para ti? Ou então, serias tu tudo isto para mim? Seriamos apenas uma ilusão, um sonho acordado alimentado pelas tesões partilhadas, ou mesmo única e exclusivamente uma pequena história que acabou no momento que começou?
Eram dúvidas que me atormentavam e não me deixavam avançar sem ter a certeza que nós valeríamos a pena…

Sabes, tudo em cima se tornou obsoleto, deixou de fazer sentido. Agradeço-te por me teres permitido te conhecer, e saber que afinal ainda sei fazer alguém feliz e preenchida. Sabes, ela reapareceu, voltou com aquele sorriso que me encanta e me deixa babado, basta um palavra para me derreter e me deixar com cara de parvo. Quando passas pela vida de alguém deixas sempre rasto e marcas, tu simplesmente não és passageiro. Algo teu fica sempre, nem que seja para preencher temporariamente para que no final ficar o definitivo, nem que seja um definitivo temporário…

© O Vizinho 2017 #69letras

Hoje sonhei contigo…

Good morning My Lady.

Hoje acordei contigo no pensamento e no corpo também. Sonhei contigo. Sei que não te pedi permissão mas sendo eu um rebelde ninguém manda no meu subconsciente.
E que sonho!

Sonhei com esse teu tímido sorriso de lábios rosados que eu tanto gosto, com a mordida provocante e com as covinhas nessas bochechas rosadinhas.

Sonhei com os teus cabelos selvagens e ondulantes pela brisa do mar como que um conjunto de felinos belos e magníficos se tratassem.

Sonhei com os teus olhos, profundos e misteriosos, onde a perdição é um simples estado de espírito.

Sonhei com o teu cheiro… Ah.. Aroma fresco e frutado, como se uma mistura de néctar dos Deuses se tratasse, entrou narinas e de tão delicioso e estonteante senti-me a voar com esse soberbo aroma.

Sonhei com toque da tua pele. Oh, tão macia e quente, reativa ao meu toque.

Sonhei com o teu abraço e com o teu beijo. Haverá algo mais puro e apaixonado que um beijo cheio de intensidade e vontade? Abraço apertado com as mãos a circular as costas, subindo os braços e segurando na cara. A respiração intensa, o arfar profundo e os olhares pedindo sempre mais, deixando a promessa no ar que o próximo será ainda melhor.

Sonhei que fazíamos amor ao Luar, na foz do rio junto ao Rochedo dos Amantes. Melhor sitio não poderíamos ter encontrado. Ali, tu foste minha e eu fui teu. Ali consumamos a nossa tesão e desejo acumulado, as nossas vontades bem pendentes deste o primeira dia em que nos vimos.

Sabes, meu corpo deve ter reagido ao sonho pois acordei cansado mas com a mente a sorrir. Tenho a certeza que sonhei com uma infinidade de coisas que acordado imaginei que te faria, com a certeza que desta vez terá sido mais prazeroso tendo em conta que acordei cansado… Sim, não é a primeira vez que sonho contigo, apenas considero que só te devo descrever este, ficando os restantes para mim. Quem sabe um dia não te demonstre como foram?

© O Vizinho 2017 #69letras

Quando os meus olhos se fecham….

Quando a noite cai e os meus olhos se fecham, vejo-te a correr livremente pelo meu pensamento, de cabelo solto ao vento, feliz como as chitas de Shamwari.
Vagueias em mim de pés descalços, de seios despidos, de sorriso rasgado e com o sol a clarear esse teu corpo de menina feito mulher.
Teimas em chapinar nas poças das minhas ilusões, baralhas-me a razão e excitas-me com o teu perfume de flores silvestres e águas bravas de Niagara.
Sinto-me teu, tão teu, que chego a tocar o teu corpo imaginado, a beber dos teus seios, a morder a tua vulva selvagem.
Perco-me nos teus cabelos. Agarro-os com força, quase tanta quanta a força que abuso do teu quadril.
Beijo-te o ventre, deslizo a minha língua descontrolada pelo teu corpo, acaricio-te o rosto, sorris, para por fim beber do mel que jorra de ti.
Sou teu, sabias?
#PSassetti 26.06.2017
#69Letras

Eu, tu e uma dúzia de gaivotas…

Deslizo os meus dedos macios pela tua pele eriçada, como que numa dança de cereais maduros nos longos campos livres da Califórnia do Sul, à mercê do vento e com sabor a maresia. Aprecio o teu tremor.  Demoro-me.
Dedilho calmamente o teu dorso como numa valsa de Viena, sem pressas, e empenho-me na descoberta incessante do estimulo dos teus sentidos.
Perco-me livremente pelos teus sinais, deixo-me conduzir por eles, percorro-te sem destino.
Provo dos teus lábios molhados de sal em beijos demorados com sabor a pecado e a ternura, enquanto que afago o teu cabelo contra o meu peito.
Ao longe, o sol demora a esconder-se. A praia está deserta, estamos apenas nós a contemplar o momento, abraçados, longe de tudo, com o coração cheio de emoção e mais uma dúzia de gaivotas.
Os nossos corpos abraçam-se, entrelaçam-se, fundem-se. Penetro-te, sinto-me a deslizar calmamente pela tua vulva que me chama. Contorces-te. Aconchego-te. Percorro o teu pescoço sem pressas com o meu arfar quente, já agitado. Suspiras, soltas um gemido mais forte, afugentas as gaivotas. Despertas em mim o meu lado secreto, adormecido. Sinto-me empolgado. Sinto-me teu, neste fim de tarde, onde abraçados a ver o pôrdo sol, quiseste ser minha.

Era um beijo teu…

Aquele toque no meu ombro ….
Era um beijo teu … tão bom de sentir… Continuar a lerEra um beijo teu…