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Quanto vale uma vida humana?

Pedido de evacuação à população… 

” Não saímos daqui! Lutamos até ao fim! Temos de proteger as nossas casas e os nossos terrenos! Não saímos daqui…” Continuar a lerQuanto vale uma vida humana?

Mais um Verão em Portugal… Desta vez mais negro…

Desde miúda que me lembro de ver as notícias sobre os incêndios florestais. Todos os verões, sem excepção, aqui e ali, estatísticas chocantes em alguns anos, esperançosas noutros. Mão criminosa, matas mal limpas, churrascos que correram mal, calor em demasia…

As causas são infindáveis, as localidades diversas, mas foi todos os anos… Felizmente nunca estive perto de uma catástrofe de grandes dimensões e como sou de Lisboa, eram mais os anos em que ficava preocupada pelos colegas que iam passar o verão à “terra” e cheguei a ouvir relatos de aldeias cercadas de fogo, de uma clausura em forma de fumo denso, de sóis de cores diferentes… Continuar a lerMais um Verão em Portugal… Desta vez mais negro…

Não somos super heróis!

Nem sempre o dia começa ou acaba como imaginamos. Marca-se um jantar, uma ida ao cinema, um jogo de futebol ou uma noite de filmes no sofá com direito a pipocas, mas o telefone toca… E se não tocar, ao longe ouve-se o som da sirene que provoca sempre aquele arrepio.
O dever chama e fica tudo para trás, o jantar , o futebol, o cinema, os amigos, a familia, o sossego de um dia ou noite que tinha tudo para ser normal.
No caminho até ao quartel a adrenalina começa a correr nas veias. E depois não há tempo para pensar em muito. No quartel já se ouvem os carros a trabalhar, à nossa espera. Já se vê os colegas a correr num ritmo frenético para nada ser esquecido. Outros a correr para trocar de roupa, calçar as botas e pegar no material de proteção que é necessário.
Até que corremos para o carro que nos levará ao inferno. É uma palavra forte, bem sei, mas acreditem que o é.
Temos um equipamento especial para combate a incêndios que não é um fato de super herói. O calor é de tal forma infernal que sentimos a pele quase a queimar por baixo da roupa. Passamos horas a fio num combate sem tréguas, tantas vezes mal ou pouco alimentados e hidratados. É um esforço desumano passar 12, 20, 30 horas nesta luta desigual. São noites sem dormir, descanso pouco ou nenhum, o calor, o desgaste…
É devastador não conseguir vencer as chamas e vê-las levar o que as pessoas demoraram uma vida a construir. Arriscamos tanto para salvar o que não é nosso, mas lutamos como se fosse! Às vezes corre bem, outras vezes nem por isso e aí temos que correr atrás do prejuízo. Nesse momento nem se pensa… Quando temos que fugir por baixo de um mar das chamas, quando temos que tomar uma decisão de “vida ou morte”, quando o fumo já não nos deixa ver nada e respirar já se torna dificil, quando olhamos para trás e até as mangueiras já arderam.
Não procuramos agradecimento pelo que fazemos, eu pelo menos vejo as coisas assim. O que me custa mesmo é quando nos criticam, sem pensarem que por baixo da farda vermelha e azul existe uma pessoa.
Uma pessoa! Que tem a família preocupada em casa à espera do regresso. Que deixou tudo para ajudar sem olhar a quem. Que está ali a dar o seu tempo em troca de nada. Que por vezes já está num nível extremo de cansaço e nem assim baixa os braços.
Continuamos sempre, apesar de tudo.
Não somos super heróis, mas temos que agir como se fossemos.

 

Muita força para todas as famílias que perderam os seus entes queridos.

©Raio de Sol 2017 #69Letras

Bombeiros das nossas vidas

Todos os dias nas noticias destacam-se. A população já não vive sem eles. Salvam vidas, lares, memórias tão valiosas para nós meros mortais, contudo todos os dias eles fazem-se de super-heróis para garantirem a nossa segurança. Mas por incrível que pareça são subestimados, por vezes desprezados e atrevo-me até a dizer marginalizados por parte da sociedade. Mas isso acaba HOJE.
Se depender da Miss Steel e da comunidade 69 letras, esses anjos de guarda terão o devido mérito e reconhecimento!
Por isso, decidi agarrar num bolo gigante, muita bebida e dirigir-me ao quartel de bombeiros mais perto da Rua dos Prazeres.
Estranho, não está cá ninguém.
– Está cá alguém?
– Bom dia. Estou só eu. Em que posso ajudá-la?
Viram a foto do texto? Pois, eu sei. A mim também me impressionou! Como podem trabalhar os nossos bombeiros com falta de fardamento? Coitado, aposto que tem frio…
– Oh Desculpe. Quer um casaco? Ou uma t-shirt? Moro aqui perto, posso ir buscar!
Miss Steel a pôr a pata na poça…
– Bom, eu trouxe umas bebidas e um bolo para vocês como agradecimento a tudo o que fazem por nós.
– Muito obrigado! Que simpático da sua parte. Infelizmente são raros os gestos de agradecimento para com a nossa instituição. Venha comigo. Temos um refeitório onde poderemos pousar tudo para quando os meus camaradas chegarem.
– Aonde foram? Algum fogo aqui perto?
Credo será que deixei tudo fechado em casa? Ou já se tornou evidente o fogo que este Deus grego provocou em mim. PÁRA STEEL! Mania que tens de pensar que a culpa é sempre tua…ele que se vista…
– Sim mas segundo ultima atualização via rádio, a situação encontra-se sob controle.
A minha situação nem por isso mas adiante…
Continuamos a pôr a mesa para os heróis que estavam a chegar de mais um dia de batalha contra o fogo. Entretanto ele ia-me contando histórias que mais pareciam ter vindo de filmes com atos heróicos e de puro altruísmo. Depressa esqueci-me que ele tinha um corpo de sonho e fiquei-me pelas memórias daquele ser humano que embora sendo tão jovem, já viveu imenso…
Chegou o resto da equipa. E todos se juntaram à mesa a comer e a beber. Mas acima de tudo, a agradecerem a Deus por mais um dia que passaram sem perderem nenhuma vida humana.
E vocês? Já agradeceram hoje a Deus ou ao cósmico por alguma coisa?
Fica o meu mais sincero agradecimento a esses homens e mulheres que abdicam das suas vidas, todo os dias, em prol das nossas famílias.

©Miss Steel 69letras 2017