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Lágrimas salgadas

Quando acordei o sol fustigava-me a cara.
O sal daquela maresia de final de tarde de outono na praia, cravava-se sem contemplações no meu rosto como punhais de Naruto.
Eu estava febril, a minha pele crepitava, os meus músculos estavam entorpecidos, o meu coração estava doente, os meus lábios secos pareciam incapazes de se moverem.
Ao largo, um pequeno barco à vela vagueava pelo mar sem sentido, ao sabor da sorte, sem lutar contra a vontade das ondas, perante o olhar atendo daquela meia dúzia de gaivotas que me fazia companhia naquele final de tarde esquecido no tempo.
Recordo-me de me querer levantar, de querer correr pela praia em tronco nu,… talvez até todo nu, ….já nada mais importava, e gritar bem alto o teu nome na esperança que me ouvisses e com a ilusão do teu regresso.
Estava sem forças, as minhas ilusões haviam sido levadas por aquele vento cada vez mais forte, os meus gritos não se ouviam, estavam abafados neste corpo moribundo, sem alma, sem vontade, sem ti.
Foste embora, contigo levaste-me a vida, o meu sorriso, aquele sorriso largo e sincero que um dia disseste que amavas.
Levaste-me a vontade, a vontade de lutar contra esta tristeza que me invade a razão e me faz correr as lágrimas pelo rosto numa abundância que parece não ter fim.
Sinto me perdido, vejo-me a caminhar vendado pelos vinhedos de Canela, é como se estive em queda livre no Poço profundo de Neversink.
Salva-me.
Preciso de um beijo teu, devolve-me à vida.
Salva-me…devolve-me o sorriso…

 

#PSassetti #69Letras 14.10.2017

A matéria de que somos feitos não é só pó…

Gosto de lugares serenos, feitos de feno e girassois, de lugares amplos, tão amplos que transbordam liberdade e magia.
Aprecio silêncios, quietos, lugares vazios, intemporais, comovo-me com os teus ais.
Gosto do silencio do nosso olhar, é nele que nos amamos em toda a plenitude, é nessa acalmia magica onde os nossos corações se tocam e dançamos nus a dança do amor.
São trilhos secretos desvendados sem pudor, que incendeiam as searas da nossa pele e que nos dissipam os medos nos precipícios obscuros da nossa mente.
É nesse calar abafado dos nossos beijos, que desprovidos de vaidade faz a noite tornar-se dia, e que transforma todas as nossas angustias num lugar prospero de certezas.
São estes momentos efémeros, únicos, irrepetíveis, momentos sinceros, em que o choro calado na noite teima em confundir-nos a razão, dando lugar a gemidos e a vontades.
E é aí, nesse momento parado no tempo, que percebemos finalmente que a matéria de que somos feitos não é só pó, é mais do que isso, muito mais do que isso, é alegria, é vontade, é magia, é felicidade, é luz,  é pele, é saliva, é tesão, e é sem duvida…. Amor!
#PSassetti
#69Letras 22.09.2017

Vem, deixa-me sonhar

Vem sem demoras, bem sei que tudo não passa de um sonho quando vejo os nossos corpos nus a dançarem livres pelas ruas nas noites chuvosas de Dezembro.
Não hesites, não te retraias, deixa a minha imaginação fluir enquanto que sinto os teus lábios quentes a morderem-me a pele sequiosos de prazer.
Deixa-me sonhar.
Deixa-me alimentar-me no teu corpo, beber nos teus mamilos em chama, perder a razão nos teus sinais, vaguear sem sentido pelos teus ais e mostrar-te os caminhos sinuosos do prazer.
Deixa-me beber em cada um dos teus orgasmos como se fosse o ultimo, sentar-me e assistir à dança provocadora da tua língua no meu corpo e mergulhar na doçura imensa desse teu olhar azul celeste.
Vem sem demoras, bem sei o quanto tudo isto parece inventado, imaginado, inexistente até,  quando teimosamente, com esse olhar carinhoso de mel me chamas de “amor”, ou quando de mãos dadas passeamos livremente pelos jardins encantados da vida, ou ainda quando abraçados choramos as mesmas lágrimas de sal abraçados ao por do sol.
Sabes querida, a verdade é que sinto cada um dos teus suspiros, cada um dos teus ais, cada uma das tuas preces que me incendeiam o corpo quando ousas passar por perto. 
Sabes querida,… vem….. desejo-te….
vamos fazer amor na areia ainda quente de uma praia de céu iluminado e sentir a alegria das estrelas quando os nossos corpos se entrelaçarem e jorrarmos juntos o orgasmo de uma vida.
Vem querida, deixa-me misturar os meus beijos nos teus.
#pSassetti 

Agridoce

Sinto cravado nos meus lábios o sal e o doce dos teus beijos.
Sinto-o, saboreio-o, derivo nesse sabor agridoce sempre que os meus olhos se cerram e abrem as janelas das minhas recordações.
Fazes de mim um homem novo, rejuvenescido, mas com as vontades de sempre quando os meus pensamentos tropeçam em ti.
Há algo mutante em mim quando o meu desejo de ti se suplanta à minha amargura de não te ter.
Como consegues?
Como fazes para estar em cada poro da minha pele, em cada ranger dos meus músculos, em cada pensamento, em cada vontade, em cada cheiro dos meus dias?
Como consegues invadir-me assim sem aviso, sem reservas, desta forma avassaladora que me consome e que me faz desejar cada pedaço do teu corpo?
Ah…. o teu corpo….
As saudades que eu tenho do teu corpo, da tua pele, das tuas pernas macias, dos teus pés de menina, do teu ventre que me inspira, da tua vulva que me enlouquece.
Ainda suspiro pelos teus orgasmos ofegantes, abundantes, pelos teus ais, pela tua voz a gritar em surdina o meu nome, ….ai….
Onde paras tu mulher de sabor a sal, com os lábios de mel e com o corpo de canela, polvilhado com pecado?
Volta…  sou teu.
#PSassetti
#69Letras 24/07/2017

Dona das minhas vontades.

É no toque suave dos teus lábios que a minha loucura acorda, é neles que sinto a lamina de gelo que me trespassa a barriga e que se aloja no meu coração em chama, derretendo de uma só vez a sua carência, precipitando todo o meu corpo num abismo de vontades.
É no toque da tua pele que me sinto vivo, é nela que sinto o meu sangue a correr sem vagar pelas minhas veias dilatadas pela vontade, é nela que me sinto livre, tão livre quanto as águas bravas de Dane Jackson na longínqua Vera Cruz.
É no teu ventre que sinto a mansidão dos teus afectos e é com a cabeça repousada sobre ele que sinto os teus dedos a acariciarem os meus cabelos, deixando-me me sem guarda à tua mercê.
Fazes-me teu, sabes-me teu quando precipitas os teus seios sobre mim, ou quando me mostras o mar revolto do teu desejo que guardas neles e que teimas em despertar na minha presença.
Abusas de mim, fazes-me provar do teu sabor guiando-me ao sabor das tuas vontades, por entre os teus cabelos longos que teimam em tapar-te os seios e as tuas pernas contorcidas de tesão.
Bebo de ti, provo do mel que escorre pela tua vulva latejante, sinto-te minha, nesta entrega em que há muito já sou teu.
És a dona das minhas vontades.
#PSassetti
#69Letras
06.07.2017

Quando os meus olhos se fecham….

Quando a noite cai e os meus olhos se fecham, vejo-te a correr livremente pelo meu pensamento, de cabelo solto ao vento, feliz como as chitas de Shamwari.
Vagueias em mim de pés descalços, de seios despidos, de sorriso rasgado e com o sol a clarear esse teu corpo de menina feito mulher.
Teimas em chapinar nas poças das minhas ilusões, baralhas-me a razão e excitas-me com o teu perfume de flores silvestres e águas bravas de Niagara.
Sinto-me teu, tão teu, que chego a tocar o teu corpo imaginado, a beber dos teus seios, a morder a tua vulva selvagem.
Perco-me nos teus cabelos. Agarro-os com força, quase tanta quanta a força que abuso do teu quadril.
Beijo-te o ventre, deslizo a minha língua descontrolada pelo teu corpo, acaricio-te o rosto, sorris, para por fim beber do mel que jorra de ti.
Sou teu, sabias?
#PSassetti 26.06.2017
#69Letras

Eu, tu e uma dúzia de gaivotas…

Deslizo os meus dedos macios pela tua pele eriçada, como que numa dança de cereais maduros nos longos campos livres da Califórnia do Sul, à mercê do vento e com sabor a maresia. Aprecio o teu tremor.  Demoro-me.
Dedilho calmamente o teu dorso como numa valsa de Viena, sem pressas, e empenho-me na descoberta incessante do estimulo dos teus sentidos.
Perco-me livremente pelos teus sinais, deixo-me conduzir por eles, percorro-te sem destino.
Provo dos teus lábios molhados de sal em beijos demorados com sabor a pecado e a ternura, enquanto que afago o teu cabelo contra o meu peito.
Ao longe, o sol demora a esconder-se. A praia está deserta, estamos apenas nós a contemplar o momento, abraçados, longe de tudo, com o coração cheio de emoção e mais uma dúzia de gaivotas.
Os nossos corpos abraçam-se, entrelaçam-se, fundem-se. Penetro-te, sinto-me a deslizar calmamente pela tua vulva que me chama. Contorces-te. Aconchego-te. Percorro o teu pescoço sem pressas com o meu arfar quente, já agitado. Suspiras, soltas um gemido mais forte, afugentas as gaivotas. Despertas em mim o meu lado secreto, adormecido. Sinto-me empolgado. Sinto-me teu, neste fim de tarde, onde abraçados a ver o pôrdo sol, quiseste ser minha.