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Algemada pelo medo escrevo o que apago e filtro tudo o que te digo. Digo-te pouco e sinto-te muito. Como pode isto ser? Só posso estar louca! Puxo-me pelos cabelos de volta à realidade, descalça deixo que os pés no chão gelado me acalme as ideias. O que é que tu tens que me está a puxar? Continuar a ler

Ilumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

O único pecado que existe é não estares ao meu alcance, como poderei eu saciar-me se não te tenho aqui onde és preciso?
Preciso-te para que me preenchas com os teus pedaços de homem trágico. Luz todos a temos, mas quantos de nós entram no quarto escuro da alma em que habitamos? E desses quantos, quantos são os que o partilham ou se deixam visitar? Adoro-te por isto! Pela porta que me abres, onde rompo por ti a dentro e instalo-me na noite sem estrelas onde resides, bruto, liberto, nessa mártir que me seduz onde alberga a minha luz. Continuar a lerIlumino-te. Apagas-me. Acendo-me e roubas a luz.

Eu gosto é daquele amor que me desafia, mexe e remexe, sacode e agita, e faz o meu sangue borbulhar entre as certezas e incertezas, assim és tu, detentor das minhas emoções, quente chegada e fria partida. Tão depressa me enches de luz como me deixas vazia sem ela. Poderoso domínio, meu fascínio minha condenação.

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Podes explicar-me tudo de novo?

O odor que brotava do teu pescoço enquanto te debruçavas na secretária tentou-me de tal forma que na minha boca nascia a seiva por ti provocada, humedecida, esfregava os lábios perdida de vontade, desorientada por te ter tão perto. Continuar a lerPodes explicar-me tudo de novo?

Que feitiço foi esse que lançaste que por mim só o tempo passa menos o que sinto por ti.
Suspiro.
Alto e baixinho escuto os anseios desta pobre alma, em lamentos já não sorri para as estrelas nem festeja os amanhas. Diz ela, que deixaram de ter encanto porque já não te trazem e de quarta em quarta-feira murmura entre dentes que não aguenta tantas saudades.
Ela quer-te. Quero-te eu.

Este medo é um papão grande e aterrador.
Tu és como um furacão que me sacode e tira de mim. Tão depressa rodopias dentro de mim como me roubas e partes sem olhar para quem deixas. Quando vais, meus dias são nublados quando surges o tempo abre, brilha o sol brilho eu! Oh…! O medo… saber como dói ficar só… sem ti sobre mim, apenas dentro… dentro e abandonada sem direito ao teu afago…oh! Quero-te! Gosto-te! Adoro-te! Amo-te!? Odeio-te! Odeio que signifiques tanto e desse tanto não teres feito nada… poderia eu ser a tua casa e tu a minha…!

Mas quando estás..!
Meus dias são de pura adrenalina, tão incerto mas tão certo de tão viva que eu estou!
Viva e marcada, sou a tela onde me tatuas com os dedos que me apertam a carne onde me cravas os dentes numa tentativa furtiva de me rasgares… branca e sangrenta, arrepias-me a pele, deliro no frenesim animal que me provocas. Não é pele é além dela…. tão crú que até dói… e se dói, desfaço-me de desejo, enlouqueço, perco as estribeiras e as maneiras pois entre nós tudo é permitido, se é pecado é para fazer.

Sorrio enquanto escrevo estas palavras lembrando-me que algures estás tu na mesma ânsia que eu, duro e insatisfeito, perdido noutros corpos a fod3r como um louco tentando encontrar o gozo que existe quando estamos juntos!


Nada é como tu.
Ninguém é quem tu és.

Trago-te por entre os dias e pela noite a dentro, enlouqueço-me, molho-me toda com orgasmos que te pertencem…
Quero-te.
Anseio-te.
Tenho medo de me perder novamente…
Isto não é normal. Só pode ser feitiço.

 © 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016

Como é possível a tua noite, ser o meu dia!

Quando me deixaste achando que o que tínhamos era passageiro não te lembraste que me estarias a despedaçar, a fazer recolher-me para a concha que nem queria ter saído… mas saí, por ti quis ser brava e amar de forma destemida, sem passados ou merdas a atormentar… mas foste.

Abandonaste-me e fiquei como se a pele me tivesse sido arrancada e por mais que me vestisse ( e acredita que me vesti muitas vezes) nada nem ninguém me cobriu como tu.
Sei lá eu o que é ter o sol dentro de mim, só o frio restou…
O meu emotivo olhar foi substituído por gelo, nunca mais vi ou alcancei, trespassei tudo o que se pusesse à minha frente talvez tentando ver se te avistava!
Meu corpo nunca identificou as diferentes peles que o cobriram, do algodão sintético à caxemira, meu toque não distinguiu nada em que tocou. Simplesmente foram corpos em atrito, tentativas furtivas tentando encontrar a pele que me roubaste mas acabei por descobrir que mesmo percorrendo todas as lojas do mundo apenas tu, tens o modelo que me veste. Tu sim tens a vida que sinto falta.

Porra! Não podias simplesmente ter ido e deixar-me de fora?

Doeu tanto… ainda dói. Fez frio… ainda faz! Mas…!
Não quero mais aquele inverno rigoroso, atravessar aquela frente de tempestade, foi devastador ainda ando a colher os pedaços espalhados a pouco a pouco…!


Como é possível
a tua noite,
ser o meu dia! A vida?

 © 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016

| M18 | Fecho os olhos e o som do teu cinto a saltar das tuas jeans arrepia-me o corpo. A fivela, fria tocou-me entre as nádegas… estremeci!
Que se seguirá? Só tu sabes.
Porta aberta, de gatas sobre o banco de trás exposta para a rua, enlaças o cinto ao meu pescoço, vil e cruel como sempre enches-me com o teu sexo numa única estocada, puxas-me o pescoço com o cinto como se de umas rédeas se tratasse e sufocas-me… bruto, penetras-me fundo adormecendo as minhas nádegas com o impacto das tuas ancas em mim, meus gemidos morriam cada vez que apertavas cada vez mais o pescoço. Davas-me e tiravas-me o ar. Era tua até no respirar.
Os teus gemidos satisfeitos ecoam nos meus ouvidos deixando-me ainda mais molhada tal lobo a uivar de prazer. minha besta! Meu animal!
Tenho saudades sabes?
Da forma como só precisava do teu olhar para a leoa que há em mim se recolher e me transformar numa indefesa gatinha…! Oh! O tremor que o teu olhar me provocava e a forma como me trespassavas nunca mais tornei a sentir. Tenho saudades.

 © 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016