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Soldado

Lá íamos nós marchando ao sabor da canção, focados e ansiando o que ia vinha.
Querendo ou não o dever chamava por nós e agora era tarde para pensar em fugir ou regressar. Foi o que jurámos fazer e é o que faremos cumprir.

Olhei para ele e notei-o motivado. Ele estava louco por isto, sempre quis defender a pátria sem qualquer receio. Ao contrário de mim. Tinha que admitir, nestes momentos, ficava nervoso. Tão nervoso que muitas vezes tinha que fugir do grupo para ir à casa de banho. Os nervos não tinham piedade de mim. Continuar a lerSoldado

Uma aventura que ainda agora começou

Faz hoje um ano.

Um ano que me aventurei nesta caminhada da escrita, neste mundo de sentidos e sentimentos. A cada dia que passa sinto-me cada vez melhor naquilo que faço é porque o faço. E tudo começou com uma brincadeira. Uma espécie de teste ao tentar partilhar os meus devaneios. Sempre escrevi é verdade. Mas eram apenas rasgos, momentos ou até mesmo opiniões em tom de desabafo. Nunca escrevi em busca de atenção nem com segundas intenções. Faço-o porque para mim é uma catarse. Uma espécie de sensação semelhante à quando saem do ginásio. Cansados fisicamente, relaxados psicologicamente. Pois, para mim é isso mesmo. Continuar a lerUma aventura que ainda agora começou

MissKitty, espero que não nos mates

100Modos

Nem era tarde nem cedo. Estávamos na véspera do aniversário da MissKitty e queríamos preparar um presente para a deixar babada e toda contente da vida. Comigo estava a VickyM que tinha vindo tratar de uns assuntos e se cruzou comigo, aproveitei para partilhar. Assim que lhe falei na ideia mostrou-se inteiramente disponível para colaborar. Por ela era um banquete cheio de coisas boas e muito bom vinho pronto a beber, música ambiente e com karaoke no fim. Mas não podíamos, pelo menos não nesta fase e sem mais dias de manobra. Na véspera, encontrei-me com a VickyM na esplanada ao sabor de uma bela cerveja preta aconchegados com o calor do fim da tarde que nos aquecia a pele… E não só.

Peguei no telemóvel e liguei para a Kitty.

Atendeu do outro lado uma voz meio ensonada, parecia que tinha estado a dormir. E esteve. Ficou surpreendida, comoveu-se com a surpresa. A VickyM estava atenta ao meu lado a ouvir a voz da Kitty através do meu telefone. Foi mesmo surpresa, andava meio adoentada porque  este tempo não perdoa, diria que tem uma espécie de TPM… E sabíamos que ela precisava desta boa energia.

Combinamos as horas e obrigámos que não cozinhasse nada. Absolutamente nada! Nós trataríamos de tudo. E assim foi. O resto da tarde tratámos dos preparativos para o dia seguinte.

O dia estava meio farrusco. Daqueles dias que dá vontade de ficar por casa. E não iríamos fazer por menos. Bem preparados fomos ter ao andar da Kitty. Ai ai, este elevador do condomínio… Sempre lentinho… Soltámos um sorriso denunciante enquanto esperávamos. Quando chegámos à porta da Kitty, batemos. Não ouvimos som nenhum. Olhei para a VickyM que me obrigou a bater com mais força.

“A ir!!!!!”

Ouvimos. Instantes antes de ela destrancar a porta de casa para nos receber… Fugimos. Fugimos pelas escadas de emergência do condomínio. Deixando-a à toa… E não só. Paralisada, um pouco assustada de início mas curiosa. Ela claramente não contava com isto, com esta surpresa. Não demorou muito para se sentir com calor e colocar a primeira pergunta…

VickyM

“És tu o meu jantar de aniversário?”

O homem de corpo torneado, moreno com olhos cor de mel e vestido a preceito acenou sem proferir palavra e, estendendo a bandeja ofereceu-se à Kitty que estava aturdida com toda a situação…

Então eu e a peste do 100Modos preparamos uma noite de princesa para a nossa vizinha. Escolhemos um Beef Wellington acompanhado de legumes salteados, regado por um Escultor, alentejano, envolvente e cheio de fruta madura e servido por uma escultura de homem, bem ao gosto da nossa Kitty.
A noite teria além da refeição, uma massagem de relaxamento e uma lap dance, que esperávamos nós, iria envolvê-la num mood de calmaria que era o que ela bem precisava!

Mal sabíamos nós que a nossa escolha para esta noite já conhecia a nossa Kitty de outras paragens, de uma outra vida como ela em jeito nostálgico nos dizia às vezes.
Depois de a porta se fechar, levei o 100Modos a jantar para comemorarmos a nossa proeza. Enviamos uma mensagem simples dizendo “Esperamos que gostes e não nos mates” à qual nunca obtivemos resposta.

“Calma Vicky, ela deve estar a aproveitar…”

Regressamos ao condomínio onde ecoavam gemidos. Gemidos de prazer puro. Olhei para o 100Modos e sorrimos os dois, lascivos…

“Acho que a coisa correu bem”
“Acho que sim… Amanhã vou querer saber detalhes…”
“Vicky, os detalhes são audíveis…”
“Isto é mais do que prazer, não sentes?!”
“Sinto pois… não se vê?”

Ai Kitty, conta-me e agradece-nos depois…

© 100Modos 69 Letras® e VickyM 69 Letras® 06.05.2017

 

A Vizinha da frente 5

| M18 | Maiores 18 |

Estava ansioso para chegar a casa. Sentia-me sujo e cansado. Dia de loucos e como se não bastasse tinha acordado atrasado o que me dificultou o trabalho que tinha para o dia. Não tive paciência para aguardar pelos transportes, era hora de ponta, céu meio nublado a pedir chuva e consegui imaginar na perfeição o quão cheio viriam os autocarros. Fui a pé.

Quase na chegada a casa observei a janela da vizinha do prédio da frente. Desde o último aparato nunca mais a vi, nem a observei como habitual.

Estaria ausente? Tinha ido embora? O que era feito dela?

Este sentimento de preocupação misturado com o desejo ainda me excitava mais. E andar o dia todo excitado é complicado… Principalmente quando não nos controlamos.

Chego a casa e meto-me confortável, preparo-me para um duche. Hoje nem jantar iria fazer, assim que terminasse o banho ia enfiar-me na cama para compensar e recarregar as energias. Deixei a água a correr e fui à cozinha. A sede instalou-se no meu corpo e fui procurar algo fresco. Bolas… Precisava mesmo de ir às compras, não tinha rigorosamente nada. Bom, água serviu.

Meti-me no banho e a minha cabeça ficou cheia de pensamentos eróticos com aquela alma… Não demorou muito até que a excitação surgisse… Tinha que me controlar… Mas… Não conseguia.

Comecei a tocar-me… Lentamente… Encostei-me com as costas nos azulejos na parede. O frio dos mesmos fez com que me arrepiasse todo. Foi bom até. Mas… Senti-me esquisito. Talvez a água estivesse muito quente. Regulei a temperatura para gelar mais a água. Foi pior… Afastei-me da parede e agarrei-me à porta do chuveiro.

“Algo está errado comigo… Acho que estou a perder os sentidos… Tenho…”

Não conseguia raciocinar mais e a única coisa que fiz, através de reflexos, foi sair do WC e dirigir-me até ao quarto. Esbarrei com toda a força na ombreira que dava acesso ao quarto e aos tropeções fui em direcção à cama. Merda, deixei a água aberta… Mas alguém estava a mexer na torneira e fechou… O quê?! Perdi os sentidos…

Algum tempo depois…

Ouvi um sorriso. Um sorriso familiar. Um sorriso de troça mas angelical. Sentia os olhos pesados, ainda precisava de esperar um pouco. Um cheiro que reconheci imediatamente fez-me querer abrir os olhos a todo o custo. Esforcei-me mas ainda via tudo muito turvo. Tentei soltar umas palavras mas um dedo húmido impediu-me de falar. E assim obedeci. Mas que pressão era esta?? Ok, percebi que alguém estava em cima de mim, sobre a minha cintura. Tentei mexer-me mas em vão. Foi então que o aço me magoou a pele dos pulsos. Estava algemado à cama. As tais algemas. Mas?! Seria ela? Claro que era… Quem mais poderia ser?

– Se és realmente tu… Hoje não sais daqui! – Fiz questão que ela ouvisse.
Já aqui estou desde ontem hmmmm… – Aquela voz… Tal e qual a voz que ouvi quando fui ao prédio dela… – A prova disso é que tu de manha saíste tão rápido e não me viste dormir na tua sala… – Acrescentou.
– Eu estava atrasado… – E fui calado de imediato por dois dedos, igualmente húmidos que entraram na minha boca.
– E eu estava pronta… Tal como agora… – Gemeu.

Que sabor… Era o sabor dela… Estava completamente entregue ao momento e assim que a confirmação se instalou não procurei mais respostas. Agora já conseguia abrir os olhos e ver. Só naquele momento é que percebi que estávamos ambos nus. A beleza dela era desconcertante. Linda em todos os aspectos e um diabo angelical provocante que ia dançando em cima de mim ao som do momento. Estava tão entesado que as veias eram visíveis e ela apenas me tinha dado a provar o seu néctar dos deuses.

– Gostas de me espiar não é vizinho maroto? – Questionou naquele tom inconfundível. – Pois então agora vais continuar a observar!

E deu-me a provar de novo os seus dedos…

Começou com uma dança sintonizada com os gemidos que ia soltando, sem me colocar dentro dela. Apenas com a sua cavalgada lenta que deslizava no meu membro coberto deste licor que me fazia doer a alma por não poder servir-me à vontade. Que sensação. Esta mulher sabia realmente o que fazia e o que me fazia. Se era assim apenas a deslizar em mim… Aproximou a cara dela junto à minha e soprou-me de leve e apenas para “provar” o seu aroma. Frutos vermelhos… Oh fuck. Queria aquela boca. Beija-la furiosamente. Parte de mim naquele instante tornou-se animal e apenas me preocupava com a necessidade de alimento. Procurei libertar-me mas em vão. A minha cama era tão boa como as algemas. De seguida passou a sua língua no meu queixo deixando-me ainda mais doido. Sorriu.

Agora tinha-se levantado e manteve assim para que eu observasse o seu corpo. Tocou-se para mim e o meu coração quase colapsou. Conseguia ouvir os demónios dentro de mim a suplicar piedade. O meu membro palpitava ao ritmo do meu coração e ela decidiu piorar as coisas… Virou-se de costas para mim e sentou-se por cima de mim, deixando o meu membro entre as pernas dela mas não no seu interior. Ela olhou para trás e piscou-me o olho e começou a fazer algo com as mãos no meio das suas pernas. Oh meu deus…

Se não soubesse o que estava a fazer diria que estava dentro dela… Foda-se que sensação. O que ela fazia era claramente um pecado. Além da visão divinal que tinha de toda a sua traseira… Eu não me consegui conter muito mais. Ela não parou. Ela queria mesmo avançar com aquilo até ao fim e assim foi… O orgasmo foi tão intenso que me magoei seriamente nos pulsos, ficando em sangue e ela não parava de me tocar, mesmo depois de me vir… Eu já soluçava para que parasse mas nada… Fez questão de continuar até um segundo orgasmo… Eu já tremia. Desta vez parou… Voltou-se para mim e libertou-me. Não tinha qualquer força para me mexer. Saiu de cima de mim e disse algo…

– Desta vez ficamos assim vizinho cusco. Darei noticias. – E vestiu-se. Não me respondeu a qualquer pergunta que fiz entretanto, apenas me piscou o olho, foi ao WC abrir novamente as torneiras e saiu. Uma solidão fria esbateu naquela divisão.  Tive que fazer um esforço, e que esforço, para ir lavar-me. Estava todo sujo e tinha os pulsos ensanguentados. Desloquei-me até ao WC mas ao passar na sala vi na mesa algo… Umas algemas… De novo???

Não. Estas foram as primeiras que recebi…

As que estavam na cama eram novas? Mas porquê? O que queria disto dizer? Milhares de pensamentos penetraram a minha cabeça naquele instante. Mas primeiro… Banho.

© 100Modos 69 Letras® 04.05.2017

A Vizinha da frente 4

O calor que emanas em mim

Tens um poder sobre mim que não sei explicar, apenas sentir. E sinto-o mesmo.
Poderia dizer que me enches o peito, que me fazes sorrir, que me deixas desamparado e atrapalhado sem conseguir pensar direito.

Poderia. Mas se fosse só isso…

A tua presença esbate em mim pacificamente e revela uma sensação de calor. Um calor que não queima mas que incendeia, lentamente… Que vai devorando cara minuto que espero para poder aproximar-me de ti. É um calor sentido à distância. Sabem aqueles arrepios que vos dão quando ouvem uma música que vos faz ficar com pele de galinha? É isso, mas em forma de calor.

O amor é sentido de varias formas e isso ninguém pode negar. Que é amor não duvido. Mas nunca o senti desta forma. Já quase todos sentimos amor por alguém, retribuído ou não, mas já sentimos. E também já sentimos o efeito que isso tem nos nossos corpos. Em tempos, lembro-me perfeitamente, parecia que o meu coração ia saltar do peito para fora ou até mesmo que me congelavam as mãos. Desaprendia a andar, dizia coisas sem nexo nenhum… Até um simples cumprimentar com dois beijos na cara nos deixava a desejar fugir dali para fora. O que segundos depois era motivo de conquista.

Não sei porque o sinto tanto e desta forma.

Sabe bem, e por aqui pairo vivendo esta sensação que cria um mundo à minha volta e que nada mais importa. Quero mais. Muito mais. Arde-me se for preciso. Mas este calor que emanas em mim é qualquer coisa.

© 100Modos 69 Letras® 04.05.2017

The Lingerie Restaurant | Uma experiência a não perder!

Ganhar o voucher para ir jantar ao The Lingerie Restaurant foi a desculpa perfeita para sair da rotina.
Confesso que apesar de já ter visitado o site e ter visto imagens e de as reviews serem bastante positivas, havia algum receio de que toda a experiência fosse um mau cliché.

Fomos os primeiros clientes da noite a chegar e as dúvidas que pudessem haver foram dissipadas logo à entrada. A recepção foi feita com extrema simpatia e profissionalismo. Foram-nos apresentadas as opções disponíveis no nosso Menu, bem como os outros menus disponíveis. De seguida, encaminharam-nos para a mesa, privilegiada, diga-se de passagem, com vista para o palco.

Tempo para apreciar o espaço. Simples, em tons de preto e vermelho, com fotografias de muito bom gosto a cobrirem as paredes e um bar bem apetrechado. Qualquer um dos empregados de mesa era apetecível, de trato afável. Elas de body, eles de boxers. Definitivamente e confirmou-se durante todo o jantar, primam por um serviço de excelência.

Escolhemos um vinho a condizer com o mood da noite (Pouca Roupa) e não desiludiu. As entradas são simples mas bastante apetitosas e quando somos brindados com os pratos principais, já está instalada uma excelente atmosfera, acompanhado pela boa escolha de música ambiente.

Os pratos não desiludiram. Fomos presenteados com um Bacanal na praia e com um Minete à antiga que só pela vista alimentava-nos o olhar.
Muito bem apresentados, não só pela disposição do prato mas também por quem os acompanhava.
Uma pequena amostra de como fomos servidos:

Minete à antiga Bacanal na praia
Lombinhos de porco com molho de mostarda à antiga servido com batata assada e legumes. Folhado de Bacalhau com molho de marisco servido com legumes da época.

Até estávamos com pena de desfazer o maravilhoso prato. Enquanto dávamos espaço aos orgasmos na boca íamos apreciando o “desfile” dos empregados e empregadas, sempre sorridentes e atenciosos. A meio do prato anunciaram o inicio do espectáculo. O mais aguardado por todos os que ali se deliciavam com a refeição.
Achámos bastante interessante que na mesa existia um suporte de plástico que continha três cartões de diferentes cores e que até então não tínhamos prestado a devida atenção. Cada cartão tinha a sua cor, verde, laranja e vermelho. Assim que foi descrito o que cada cartão significava fez-se notar um sorriso em sintonia na sala. Curiosos? Nada como visitar o espaço.

Fomos previamente alertados para ter um certo cuidado com as fotografias captadas, tentar ao máximo não apanhar pessoas de outras mesas pois poderiam não querer aparecer na foto e em caso de partilha (redes sociais) poderia causar algum desconforto aos mesmos. Questões de privacidade.

Deu-se aso ao espectáculo, à vez, mulheres e homens iam fazendo o seu número. Temos que admitir que após quatro representações conseguíamos perceber que as dançarinas eram muito mas muito mais entregues ao espectáculo. Eles não ficavam muito atrás mas notava-se que elas viviam muito mais o espírito que por ali pairava. Havia mesas para todos os gostos, casais mais reservados, grupos mais tímidos outros o oposto e apelavam à aproximação dos dançarinos, e outros casais que eram esporadicamente surpreendidos pelas investidas dos representantes. Além de muita apreciação visual houveram muitos risos naquele jantar. Todos os dançarinos eram dotados no que faziam, embora muita gente, ao inicio, ficasse tímida e receosa de uma aproximação eles sabiam perfeitamente como investir. Tudo dependia da disposições dos cartões.

Depois da quarta actuação pedimos a sobremesa que foi trazida quase instantaneamente e igualmente bem apresentada, desta vez tratava-se de um Ménage à trois (Bolo de chocolate com coulis de frutos silvestres e torrão) super saborosa tentação de comer e chorar por mais. Recomendamos vivamente.

Infelizmente tínhamos o tempo contado e antes que o show terminasse tivemos que pedir a conta, fomos convidados para acompanhar uma das beldades que por ali desfilavam até à recepção onde podemos participar num passatempo com a possibilidade de ganhar uma viagem a um local paradisíaco. Nem pensámos duas vezes. Em simultâneo demos o nosso feedback à responsável do espaço que agradeceu a nossa presença e nós pelo excelente atendimento e acompanhamento, em altura alguma nos sentimos esquecidos ou mal servidos. Fizemos questão de deixar bem claro que regressaríamos num futuro próximo pois é uma experiência fabulosa e queremos testar os diferentes menus.

Saímos do espaço realizados, contentes, surpreendidos pela positiva. Algo que parte de nós nunca pensou assistir sem ficar envergonhado ou com vontade de se esconder. Posso admitir que em nenhuma altura tive receio ou vergonha, pelo contrário.  

A não perder. Visitem o The Lingerie Restaurant!

Sim, também choro. E então?

E com orgulho. Porque prezo e tenho medo. Algum problema em se sentir medo em perder algo que amamos?

Esse conceito de que um homem não chora é a maior parvoíce que já ouvi.

Todos nós tivemos passados complicados. Uns mais que os outros como é óbvio. E não diminuindo qualquer um deles, cada um de nós lidou com os mesmos à sua maneira. Com stress, com paciência, com raiva, com vontade de enfrentar o desafio, desistindo, procurando ajuda, partilhando a dor com alguém ou até mesmo a chorar para libertar aquela tensão tramada e pesada que habitava em nós.  Também admito que nem sempre aliviava. Por vezes ainda me afundava mais.

E então?

É um reflexo dos nossos sentimentos. Quando nos queimamos na mão tendemos a fugir com ela de imediato… Ora quando algo nos fere ou receamos muito algo tendemos a fechar-nos na nossa bolha e chorar. Seja sozinhos ou acompanhado.

Sim, já chorei. Inúmeras vezes, e chorarei as vezes que forem precisas se assim se proporcionar. Chorei baba e ranho com medo de a perder. Ao lado dela, na cama com ela. Acordava a meio da noite, depois de um pesadelo ou de um lindo sonho com ela, olhava para ela, a dormir que nem um anjo e tremi de medo. Medo de não poder ter tempo de partilhar algo com ela ou receio de a perder. Medo de um dia acordar com a cama vazia de lençóis gelados.

Chorava porque além de ser a pessoa que amava era uma amiga. Um porto seguro, a guerreira que me levanta sempre que me desequilibro, que puxa por mim quando me sinto encurralado, que me motiva a fazer o impossível. Juntos.

Sinto medo de perder isso e por isso as lágrimas caiem-me pelo rosto numa forma de expressão do quão a pessoa é importante para mim. Como já vi em algum lado, as pessoas choram não porque são fracas, mas porque foram fortes durante muito tempo. E neste caso não se pode aplicar a teoria do quem não deve não teme. As relações não devem ser despreocupadas. Façam-no saber. Preocupem-se. Se se sentirem tristes, chorem. Não tem mal nenhum. Garanto-vos que não vão receber nenhuma taça por isso.

© 100Modos 69 Letras® 20.04.2017