Todos os artigos de MissSteel

Miss Steel é intemporal, nao tem religião ou estado civil. Não é loira nem morena. Gorda ou magra tão pouco. Miss Steel dá voz a todas as mulheres e opina como tal. Vejo na escrita um escape para a rotina do dia a dia e para purificar-me a alma. Dá-me imenso prazer escrever de maneira simples e por vezes até um pouco visceral misturado com humor. A personagem Miss Steel pouco tem a ver com a pessoa que lhe dá vida. Mas as semelhanças não deixam de ser evidentes...

Dás-me um bocadinho da tua cor?

Sabem daquelas manhãs em que o sol nos beija a face, os passarinhos lá fora despertam-nos os sentidos com o seu palrar? Dessas mesmo!

Não tem nada a ver com a minha manhã de hoje. Até me pareceu ouvir o despertador ” levanta-te preguiçosa, que estás à espera?”.

Levantei-me a custo com os meus dois pés esquerdos e fui para o meu trono refletir sobre a vida. Sim esse trono. A sanita!

Steel falta-te cor na vida pah! Tua vida cinzenta e sem luz já teve dias melhores. Rodeia-te de pessoas que te iluminem a alma, para que tenhas brilho novamente! Isso! E vai ser hoje! Não! Agora! Mas primeiro limpar-me, lavar os dentes e vestir-me.

Abro a porta do meu apartamento no mais belo condomínio de todos. Já sei por onde começar.

-Krishna! Oh Krishna!

-Steel a porra da  campainha funciona! Pára de gritar mulher! Bora tomar o pequeno almoço comigo, vá!

Krishna é laranja! Uma mix de loucura e lealdade sem fim!

-Já vou! Primeiro vou acordar a Oyster!

-Trá-la contigo.

The Oyster, amarelo sereno. Transmite paz e tranquilidade.

-Steel, não empurres. Calma, acabei agora a minha sessão de Yoga. Vai buscar o Vizinho.

-Despacha-te, Oster! Antes que as torradas se arrefeçam.

O Vizinho é azul turquesa. Um muro de segurança e coerência.

-Miúda achas que a Krishna tem café que chegue para todos?

-Não te preocupes. A vizinha abasteceu-nos ontem.

A Vizinha, preto de liderança e inovação!

-Vizinha?! Tens a porta aberta de casa… Ups Anónimo! Começam logo de manhã vocês?

Anónimo, verde tropa de camaradagem.

-Mas que gritaria é esta logo pela manhã?

-Nada demais Lola! Pequeno almoço hoje é na Krishna.

Lola, vermelho fogo da sensualidade e paixão.

-Read Mymind, estás em casa?

-Para ti sempre! Anda, tenho vontades…

-Não! Credo! Rapaz atina-te e veste uns boxers ao menos! O pequeno almoço é na Krishna. Veste-te!

Read Mymind, cinza claro de malícia e desejo.

-Steel! Que bom ver-te logo pela manhã!

-Oh és uma querida Misses Kat!

Misses Kat, violeta. Representa um misto de erotismo com inocência.

-Toc Toc! 100Modos? Estás em casa? Hello?….. Tenho oreos….

-Chamaste?

100Modos, castanho chocolate quente.

-Steel! Posso ir? Posso? Por favor?

-Minha Fox pequenina, claro que sim! Tenho um lugar ao meu lado só para ti.

Fox, verde alface de tanta frescura e espontaneidade!

São mais… Neste condomínio são muitas as cores que nos pincelam as vidas diariamente. Sem querer fazemos uma casa com imensas janelas para o mundo.

Cada um único e necessário para o todo. Somos cores! As vossas cores! Somos 69Letras de cor!

 

© Miss Steel #69Letras 2017 

 


Desatinas-me o corpinho todo, homem!

Mas que carrossel me saíste homem! Ora pega, não pega! Ora chove, ora faz sol! CREDO! 

Pões-me o corpo a pedir esmola à porta do diabo! 

Contigo a minha alma não tem descanso! Adrenalina sempre a mil à hora, numa descida e sem travões. 

Tanto me atiças as vontades, como despejas um balde de água gelada no meu corpinho em brasa! 

OH homem tu decide-te! Que eu já não aguento os arranhões e chupões que a tua rebeldia me marca! 

Já me fui embora e voltei um milhão de vezes, bolas, que és cá um vício! 

Ai a minha mente é cá um reboliço… 

Tanto me enervas como te esfregas! 

Ora cospes,  ora comes! 

Ai homem dás cabo de mim… 

©Miss Steel #69Letras 2017 

Com a Lilith não se brinca

M18/Texto erótico

-Dona Lilith, importa-se de chegar ao meu escritório.

-Sim.

Após a nossa sessão de sexo no carro as coisas voltaram à normalidade. Quer dizer pelo menos para mim. Os olhares intensos e faltas de concentração do chefe são constantes mas não mexem comigo absolutamente. Nem mesmo um toque indiscreto nas minhas costas no elevador, cujo o qual ele percebeu de imediato pelo meu olhar frio de desaprovação que não tinha minha autorização para tal.

-Dona Lilith, terei de ir a Nova Iorque fechar o negócio mas daria-me imenso prazer se me acompanhasse.

-Se é prazer então não necessita da minha presença.

-Queer dizer… eu necessito da sua companhia por uma questão profissional… só isso!

-Caso assim seja, posso lhe organizar companhia profissional durante a sua estadia em Nova Iorque, senhor.

-Bolas Lilith eu quero a si! Aquela tarde não me sai da cabeça! Eu quero que você me fod@ daquela maneira outra vez, percebeu?

-Perfeitamente! Mas não é você que tem de querer!

E para que não haja mesmo dúvidas, encosto-me o suficiente para me roçar no seu corpo saudoso do meu chegando-me ao seu ouvido.

-Lá fora sou eu quem quer, pode e manda brincar.

Viro costas a um homem frustrado. Desiludido por não conseguir o que queria. Um sorriso escapa-se-me de satisfação perante seu azar. 

Ele volta de Nova Iorque derrotado pela ausência da sua deusa. Mas ele não sabe que o espero na escadaria de sua casa. Os vidros partidos espalhados pelos degraus denunciam a minha nada pacifica entrada.

-Lilith! Credo, o que se passou? Você entrou …mas como?

-Pouco barulho! Despe-te e vem ter comigo ao quarto!

Apressa-se a largar malas e despir-se para me seguir até ao quarto.

Páro de frente ao quarto e olho para ele com um ar severo.

-Perdão minha senhora!

Abre-me a porta de olhar cabisbaixo.

-Ninguém te mandou andar pois não? Rasteja até à cama e põe-te de joelhos.

-Nada me dá mais prazer do que obedecer-te a tudo mas seria possível um dia termos uma relação normal?

-Hummm, normal! Claro. Querido conta-me sobre a tua viagem enquanto chupas o meu dedo do pé e me massajas os pés!

Não consigo falar assim…

-Exato! Também não te quero ouvir. Só te quero fod3r. 

Com toda a dedicação massaja-me os pés enquanto alternadamente vai-me chupando os dedos grandes. Sinto-me relaxada e vou apreciando seu corpo nu que me adora.

-Pára e deita-te na cama de barriga para cima.

Acendo uma das velas e enquanto espero que se derreta um pouco vou-me despindo. Lentamente.

Reparo como ele não consegue disfarçar o estado de excitação. Deseja tanto me possuir como precisa de ar para respirar.

Subo para cima da cama e fico de pé à cabeceira com a cabeça dele entre os meus pés. Com o meu soutien prendo-lhe as mãos. Abro-me o suficiente para ele apreciar tanto o que deseja.

-Quero-te tanto! És linda!

-E tu falas demasiado para escravo! Quero-te calado nem que estejas para morrer!

Que nem um cachorrinho obedece. Vou-me tocando pois excita-me ver sua devoção. Subo para cima da sua barriga. Com a ponta dos dedos dos pés, vou brincando com o seu sexo. A dor do silêncio estampada no seu rosto formiga-me a tesão.

-Sobe com a língua  pelas minhas pernas acima.

Sento-me na sua cara para ele com a sua língua me lubrificar. Sabe-me tão bem. Ele sabe como lamber e chupar o sexo da sua deusa. Vou-me deliciando, gemendo entre o vai e vem do meu corpo de encontro à sua língua devota ao meu prazer.

Pego na vela de parafina, olho para ele enquanto me vou ajeitando em cima do seu sexo, e vou despejando lentamente num dos seus braços atados à cama.

Sinto seu corpo tremer facilitando a penetração. Seu sexo dentro de mim, seu olhar de dor e submissão às minhas vontades e toda eu à beira de um orgasmo que não vou conseguir aguentar por muito tempo.

Mantém-se calado, sofrendo em silêncio mas é pura satisfação que leio nos seus olhos.

Despejo um pouco mais de cera enquanto me afundo mais nele. Não aguento muito mais, sabe bem demais.

Apago a vela e cavalgo seu sexo com ganas de o partir ao meio.

Um orgasmo simultâneo gritado por ele e bem suado por mim. Descarga de adrenalina que se apodera dos nossos corpos fez-nos reféns numa ligação de tortura e prazer.

Cansada saio de cima dele. Dirijo-me à sua casa de banho para tomar um duche rápido.

Por momentos até me esqueço da vitima que deixei para trás amarrado à cama.

Já depois de vestida admiro sua lealdade. Permaneceu calado e ansioso pelas novas ordens minhas.

-Muito bem. Portas-te à altura. Por isso vou-te dar um mimo.

Seu olhar equipara-se ao de uma criança perante um brinquedo novo.

Inclino-me e dou-lhe um beijo enquanto o liberto do meu soutien que o prendia à cama.

Nosso beijo quase que ro4ava na paixão, não fosse eu trincar o seu lábio inferior.

Viro costas e saio. Sim, deixo um pouco de destruição atrás de mim mas sinto-me satisfeita… por agora.

©Lilith 69Letras  2017

 

 

 

 

 

 

Ser humano/insatisfeito

Nunca estamos satisfeitos! Parece que estamos sempre esfomeados ou nunca estamos contentes.

Se está calor, queremos frio. Se está frio queremos calor.

Queremos a camisola de cor clara quando nos oferecem a escura, as calças de cor escura nunca vão ter a tonalidade clara que desejamos.

Hoje dizemos que estamos gordos, amanhã o nosso rabo é demasiado achatado e sem volume.

Luta-se para ter aquele item de ultima geração para passado pouco tempo passar de moda e continuarmos à luta pelo modelo seguinte.

O ser humano é o ser mais insatisfeito que existe!Porquê? Não sei mas calculo que seja um estado crónico.

Tal e qual como as “falhas de fabrico”. Porque além de nunca estarmos satisfeitos com o que temos, também temos a tendência a falhar naquilo para o qual fomos feitos para não falhar.

Falhar com as pessoas, errar nos sentimentos que demonstramos. Coisinhas confusas que somos. Seres defeituosos por vezes até, atrevo-me a dizer.

Por exemplo:

Os casais que têm um filho para lhe dar amor e carinho mas que nunca lhe proporcionam tempo de qualidade.  Porque precisam de trabalhar para sustentar a mesma criança que amam tanto…

Quando a vida é tão simples, temos o poder mágico de a complicar. Pena que não seja para beneficio de ninguém…

I have a dream

Quem o disse foi Martin Luther king mas eu também tenho os meus sonhos. E se me atrevo a sonhar alto, não tenho de pedir licença a ninguém porque ainda somos livres, ou não?

O meu sonho é deixar de sentir o “eu quero” na pele e cumprir o ” eu dou” mais. Libertar-me do “não posso” e viver plenamente no “juntos podemos”.

Porque depois de ver tantos sonhos afogados no egoísmo alheio, quero despir-me dos clichés da vida nómada da sociedade.

Quero viver ao máximo TUDO o que a VIDA nos oferece! E é tanto! Basta abrir os olhos! Abrir os braços e deixar-nos envolver pelas coisas simples da vida.

 

© Miss Steel 69Letras 2017

Para baixo, rapaz!

M18/Texto erótico

 

Aborrecida na fila do banco. Olho para as outras pessoas que me circundam e não vejo nada. Cada olhar mais insipido que outro. Sem conteúdo.

Até que olho para trás do balcão e vejo um olhar diferente. Jovem e entusiasmado. Daqueles que trazem o mundo no olhar cheio de esperanças inúteis.

-Bom dia minha bela senhorita! Em que posso ajudar?

-Para começar, não sou sua e tire esse ar de quem já me está a deitar na cama que não sou para seu bico.

-Ppeço perdão senhora.

-Perdoado. Quero levantar o dinheiro todo da minha conta.

-Com certeza minha senhora, posso saber o motivo?

-Não. Não pode.

-Lamento minha senhora mas devo insistir…

-Novamente, não sou sua senhora.

E eis que o rapazinho passa dos limites da minha paciência. Revira-me os olhos.

-E se me revira os olhos novamente, apenas com um sapato meu ponho-o a pedir clemência ! Entendido? Agora, passe-me o meu dinheiro já!

Os seus olhos deixam de transbordar autoconfiança excessiva para transmitir puro encanto. Esquisito. Estava à espera que chamasse antes o segurança.

-Notas grandes ou pequenas? MINHA senhora?

E desafia-me claramente. Seu olhar não sai do meu peito. Mais um peixe na rede.

Aproximo-me do balcão, pego no seu queixo elevando o seu indiscreto olhar até ao meu e com um sorriso cerrado mas sedutor meto os pontos nos is.

-Estou cá em cima! E quero as notas grandes assim como essa desobediência toda debaixo de mim às 12 30 em ponto. Estarei no seu gabinete!

-Mmas como sabe que tenho um gabinete?

-Simples. O seu nome está naquela porta ali dos fundos. Não se demore.

Tanto envergonhado como excitado, observa-me virar-lhe costas enquanto desfilo pelo banco fora.

12.30 em ponto. Entro de óculos escuros, simplesmente com o intuito de ninguém ver para onde meu olhar se dirige, e reparo que o balcão de atendimento ao publico por ele anteriormente ocupado encontra-se vazio. Vou direta ao seu escritório onde ele já parece estar ansioso por mim pois a porta está aberta.

Recebe-me com um sorriso e apressa-se a fechar a porta atrás de mim. Apressa-se a beijar meu pescoço por trás de mim.

-Calminha rapaz! Ainda não mereceste tal doce.

-Farei qualquer coisa! Minha senhora, você mete-me doido!

-Ótimo, então despe-te!

-Direta ao assunto! Gosto disso.

-Logo verás! Senta-te na cadeira.

Despido e excitado à minha mercê. Fará qualquer coisa só para me ter. Ingénuo, quase que sinto pena.

Puxo o vestido justo um pouco para cima para puder abrir as pernas. Sento-me no seu colo e enquanto lhe prendo os braços atrás das costas com a sua gravata deixo-o cheirar um pouco do meu corpo.

-Cheira tão bem minha senhora.

Agora cara a cara, humedeço meus lábios com a minha língua deixando-o de água na boca.

-Ainda cheiro melhor dentro de mim!

Involuntariamente solta um gemido. Quer-me tanto que mal se aguenta. Saio de cima dele. Sento-me na sua secretária de frente à sua linha de visão. Abre as pernas e dou a conhecer que não trago roupa interior.

Mais um gemido que ele solta e o seu membro atingiu o ponto máximo de dureza.

Meto um dedo na boca para humedecer e enfio-o em mim sem nunca tirar o olhar dele.

-Vais ser um bom menino, não vais? Para eu te recompensar depois.

-Ahhh SIM! Tudo o que a minha senhora quiser!

Enquanto dito as regras, vou brincando comigo própria. Meu corpo sempre foi e será objeto preferido do meu prazer.

-Jamais revires os olhos para a tua senhora e essa insolência tem de acabar ou senão…

Fecho os olhos por uns momentos enquanto me masturbo um pouco com mais força gemendo, conscientemente que isso está a prolongar o estado de excitação da minha vitima de hoje.

Ele não se aguenta e levanta-se, mesmo com os braços atados, tal não é o estado de excitação.

-Por favor deixa-me fod3r-te! Deixa-me!

Páro abruptamente de masturbar-me. Derrubo-o no chão de maneira que ele fique deitado de barriga para cima. Piso-lhe a cara com o meu sapato de salto alto e repreendo-o.

-Para baixo, rapaz! Aqui quem fod3 sou eu! E não larga mais um pio! Irritas-me!

Concorda com um abanar de cabeça. Dispo o vestido rapidamente e sento-me na sua cara puxando-lhe o cabelo com uma mão.

-Lambe-me já!

Com muita sofreguidão suga cada pinga de mim. Sua língua no meu clitóris provoca-me espasmos de prazer enquanto faço força nas minhas pernas para lhe apertar a cabeça.

-Isso! Belo menino! Vais-me fazer vir assim.

Excita-me tanto sua língua dentro de  mim como a sua entrega à minha luxuria. Não consigo evitar de com a mão livre agarrar meu peito e palmilhar cada centímetro de mim. 

Prestes a atingir o orgasmo, movimento minhas ancas para cima e para baixo para ele se esmerar num cunnilingus, somente para me dar prazer.

-AAAhhhhh!

E venho-me com sua língua enfiada em mim dando-lhe a provar o meu doce néctar. Puxo-lhe os cabelos com mais força ainda e deixo-me extravasar num doce orgasmo.

Levanto-me ainda a pingar um misto da sua saliva com o meu sugo. Ele ainda olha para mim com um ar esperançoso de que ainda possa possuir-me e assim puder explodir num orgasmo também. Liberto-lhe os braços enquanto ele se põe de joelhos para me pedir clemência para que lhe trate do membro duro e grande.

-Quem manda aqui? Diz!

-Você senhora! Agora por favor deixa-me fod3r-te que não aguento mais!

-Talvez amanhã.

E visto o vestido e ponho os óculos escuros.

-Por favor, não te vás! Não! Peço perdão por tudo!

-Claro que pedes! Até amanhã! E não rastejes atrás de mim pelo banco fora quando eu sair.

 

 

©Lilith 69Letras 2017

 

 

 

” É a vida…”Não, é ser-se esmagada pela vida.

“Deus escreve direito em linhas tortas.”

Ou seja, caso estejas a ter um dia de merd@, não te preocupes porque vai-te acontecer algo tão extraordinário que irá apagar tudo o que aconteceu de mal. 

Certo? ERRADO! 

Acordo às 6 30 da manhã bem disposta e motivada para ir correr. Decidida a perder aqueles… Muitos quilos a mais! Ganho coragem, destapo-me da roupa quentinha e aconchegante e sento-me na beira da cama. Sinto as dores menstruais a arrastarem-me para a cama. Mas a corrida aguarda-me e eu penso para mim própria ; “Steel, é a vida…” 

Abro a porta do prédio motivada e de rabo de cavalo no cabelo esticadinho e deparo-me com um dia de chuva daqueles que me faz enrolar os caracóis defeituosos. “Steel, é a vida…” 

De volta a casa, um banho vem sempre a calhar depois de tanto suor e deparo-me com a botija de gás vazia. De bicos dos peitos rijos penso para mim própria, uma vez mais ; ” É a vida…” 

Já no trabalho, depois de passar uma manhã inteira a sonhar com as migas do restaurante preferido, informam-te que esse mesmo restaurante fechou. Oiço os colegas a consolarem-me , ” É a vida…” 

Tento ligar a um bom amigo à procura de algum conforto e a única coisa que oiço do outro lado da linha é ” Steel deixa-te de merd@s, é a vida…”

 A caminho de casa, parada no trânsito e dá-te aquela vontade súbita de ir fazer xixi. “É a vida…”

Paro o carro de frente à garagem e o comando do portão automático não tem pilhas. Um vizinho olha para mim e diz:

-Boa tarde Miss Steel, tem de abrir o portão da garagem manualmente. É a vida…

Lanço um sorriso esforçado enquanto saio do carro e tento abrir o portão que muito gentilmente, claro, volta a descair acertando em cheio em mim.

E a vizinhança grita ” É a vida, Steel…”

Se é a vida, tirem-na de cima de mim porque esmaga-me!

 

©Miss Steel 69Letras 2017

 

Sou estranha

Tenho perfeita consciência da minha estranheza. Mas o facto de eu ser estranha não é para qualquer um apreciar mas sim respeitar. Porque é a minha maneira de ser. Meu carácter pessoal, único e exclusivo. Como o de qualquer outra pessoa.

Sou estranha aos olhos dos outros. Mas já convivo comigo própria há tanto tempo que já nem ligo… 

Tenho umas manias meio esquisitas. Sim, não acreditam? Então passo a explicar. Tenho a mania de dar os bons dias a toda a gente. Seja a estranhos na rua, como aos meus contactos nas redes sociais. Mesmo àqueles que não passam de contactos com uma foto de perfil. Sei, estranho não é? 

Outra estranheza minha é o facto de me preocupar com as pessoas e perguntar-lhes se estão bem. Realmente um disparate, já sei, mas inevitável para mim. Sabem aqueles colegas de trabalho com que raramente se cruzam? Pois até esses pergunto se estão bem! Uma coisa que incomoda bastante, de facto, aquele “olá, tá tudo bem ctg?” mas que para mim sai tão naturalmente. 

Outra capacidade minha é dizer a verdade na cara, conseguindo dentro da maneira possível mantendo o respeito, e resolver conflitos cara a cara. Horrível! Só isto, avaliando pela reacção de certas pessoas, justificava uma cruz vermelha na porta e um letreiro a dizer “Persona non grata”! Para quê que eu tenho de dizer às pessoas o que penso de negativo quando posso muito bem estar calada, sorrir e dar graxa. Assim caía nas boas graças dos chefes, superiores, vizinhos e afins. Mas não.

E admitir os meus erros ou simplesmente admitir que não concordo. Defender o que acredito ou simplesmente defender-me. Mas que parvoíce! Nem sei onde ando com a cabeça às vezes! 

Quem me manda ser verdadeira e genuína. Reles ou cabra. Já deveria saber que isso são tudo qualidades que se aprecia só da boca para fora porque na realidade, confrontarmo-nos com esse tipo de pessoas é desconfortável.

O melhor mesmo é afastarem-se de mim. Virarem a cara, comentar com o vizinho que sou louca e nunca mas nunca tentarem-me perceber. Ui! Deus vos livre! Podem apanhar uma doença qualquer… 

 

©Miss Steel 69Letras 2017