Subway

Fazes todos os dias o mesmo percurso de metro.
Vês as mesmas pessoas, mas há aquelas que passam na surdina e não te apercebes.
Pensas que passas desapercebida no meio daquela multidão, mas a tua postura, o teu brilho, só a alguns é que tocas.
Mas a confusão diária, não te deixa ver os sinais, porque todos os dias vais embrenhada nos teus problemas.
Mas um dia…. Abstraiste do que te corroi o ser e vai matando a tua alma.
Olhas ao redor e comecas a ver os rostos de quem partilhas todos os dias a mesma carruagem.
Até….
Até, que alguém sobressai no meio da multidão. Retribui-te com um sorriso e desvia o olhar.
Será que foi para mim?
A dúvida permanece até voltares a sentir o olhar e o sorriso de novo.
Será mesmo?
Tentas não pensar muito no assunto, pois vais rodeada de pessoas, secalhar até nem era para ti.
Nos dias seguintes sucede a mesma coisa.
Será que o conheço e não me lembro?
Vou a sair da carruagem e perto do ouvido, oiço:
– Bom dia e bom trabalho.
Rodo a minha cabeça e a mesma pessoa que me retribuia o olhar, tinha-me dirigido a palavra. Meia sem jeito, esbocei um sorriso por delicadeza e educação.
Afinal o sorriso era para mim. Mas eu não o conheço.
Não deixei que aquele bom dia me consumisse o pensamento.
Mais outro dia, o mesmo ritual, as mesmas pessoas. Mas desta vez, instintivamente, andava à procura dele e não o via.
Senti um aperto no peito e senti-me decepcionada. Mas estava a ser parva, não tinha o direito de me sentir assim, ele não me era nada.
Fiz o resto do percurso cabisbaixa. A minha paragem. Ia preparar-me para sair, quando sinto uma mão forte e firme a segurar o meu braço.
Ia refutar, mas ouvi aquela voz incondundivel a dar-me os bons dias.
Atrapalhada, retribui com um sorriso.
Saimos os dois e fiquei meio intrigada. Virei pata tràs para perguntar, mas quando dei conta, estava dentro da cabine de tirar fotos.
Encostada na parede metálica, sou albarroada com um beijo sôfrego, ardente.
Prende-me o cabelo, pressiona a boca de encontro à minha como se a quisesse devorar. Sinto as suas mãos ao longo das minhas pernas, passarem por debaixo do meu vestido. Arrancou-me as cuecas, de um só puxão.
Levantou-me a perna e pude sentir toda a sua pujança dentro de mim.
Soltei um gemido, que foi abafado de novo por um beijo selvagem. Senti-me a ser regada com toda aquela essência.
Com a respiração ainda ofegante, deixa-me ali, meia vestida, meia despida. Cheirou as minhas cuecas e levou-as com ele.
Incrédula com o que tinha acontecido, mas ao mesmo tempo sentia-me com ar de safada, aventureira. Compus-me.
Joguei a mão na mala à procura do telemóvel e encontrei um papel.
               Ricardo 917…….21 
       Aguardo mensagem tua.
Sai da cabine a sorrir.
Audaz e atrevido o menino, tudo bem. Vais conhecer a tua diabinha.
Respondi-lhe:
–  A minha mensagem é: Mesma hora, mesma carruagem, mesmo sitio. L…
Na manhã seguinte cada um em seu canto, cada um com um olhar de lince e desafiador. A minha paragem de saida, acontece tudo de novo.
© Lola 2017 #69Letras

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