Não temo ficar sozinha.
O que me aterroriza são os derradeiros momentos em que não estou, e vou ficar.
Quando estou, já não me aborrece. Gosto da minha companhia. Sou uma gaja porreira; interessante e divertida até.
Por alguma razão, nos segundos que antecedem a minha solidão, eu desespero.

Esqueço-me do quanto gosto de estar comigo e tenho medo de me encarar…
Depois passa.

Assim que me revejo, vejo todos os motivos para me amar. Todos os obstáculos que ultrapassei, foram aqui, nesta companhia.
Que mulher tão grande, a que me cumprimenta do outro lado do espelho… Quem dera que a visse mais vezes…
Veria, se não me fugisse tanto.

Mas assim que me anestesio na companhia alheia – seja ela física ou líquida – esqueço-me logo da sua beleza e na memória fica-me apenas a dureza do seu olhar.

Esqueço-me de como o som da chuva é bonito quando estou sozinha. Do quão romântica consigo ser, por estar sempre a refrear a minha paixão – não vá esta ferir susceptibilidades…

Sei que me fujo – e que é de uma bela mulher que eu corro…

Corto as minhas próprias asas e tranco a porta da gaiola… por dentro!
E, talvez por sabê-lo errado, tenha tanto medo de dar de caras comigo mesma…
Mas há vezes que contorná-lo é impossível.
E é tão bom…
Oiço o canto da água a bater na janela e converso com almas através de folhas de papel.
Sou Só eu, e nada tenho a provar.

~Só

#69letras

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