Saudade do sol e da lua

Sinto saudades, de caminhar na beira-mar de mão dada a ti, sentir a violência da ondas que rebentam aos nossos pés nestes fins de tarde de primavera, os salpicos que esvoaçam para a nossa pele, o cheiro da maresia, o cheiro do sal, a espuma que se enrola nas nossas pernas despidas, sentir o nosso toque de mãos quentes, de casal apaixonado, esperando por aquele momento romântico, em que o sol desaparece no horizonte, e dá lugar há beleza da lua, aquele momento que é único, para nós que desfrutamos da magia do som do mar agitado, e lá bem longe vemos o céu na sua cor rosada enquanto o sol dá os últimos ares da sua graça, da sua força.

Quando saímos da praia com a luz a meios-tons e se vê no outro horizonte aquela lua brutal, aquela beleza única, e mais uma vez ter aquele prazer de apreciar aquele breve momento com a única pessoa que nos faz sentido observar tamanha beleza, beleza essa que ajuda a embelezar o que duas pessoas que se gostam, e sentem, aquele amor, aquela sensação de ligação enquanto se apreciam aqueles breves momentos de rara beleza que o universo nos deixa apreciar numa simples metamorfose, do dia que termina e da noite que começa, um pouco como o beijo que nos sacode naquele abraço apertado, bem junto, no meio caminho da praia do sol e das ondas que se abatem umas seguidas de outras, como um poema escrito em linhas tortas, mas aquela paz, aquela sensação única de prazer, e existe tanta coisa que nos pode dar prazer….

O sorriso trocado com alguma malícia, revolto de desejos profundos e a vontade de ir para um sitio mais intimo onde os abraços darão lugar aos amantes, se eu sou o sol e tu a lua, dois amantes que se perseguem em poemas revoltos, sempre um atrás do outro, a musica do mar por mais apaixonante é apenas silenciada pelos murmúrios dos sussurros que se ouvem ao ouvido um do outro enquanto a lua ilumina a noite escura, como num poema de amor, um despertar de paixões e sensações….

Tanto poderia escrever destas linhas tortas que não teriam qualquer significado, mas ainda assim prefiro pegar na tua mão, guiar-te os teus sentidos até lá fora, onde a chuva miudinha cai, beijando os nossos corpos, convidar-te a sentar no muro junto há praia e trocar olhares contigo em silencio, ouvindo o mar a rebater tudo com o som das suas ondas, observar o mar revolto é como ler-te a alma, és uma mulher de vontades, de não desistir na primeira asneira, tens os teus dias que levas tudo na frente, um pouco como aquele ditado popular:

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”

Tu…. És água que me fura, e eu tenho todo o prazer em ter a tua agua a rebater na minha teimosia, e por mais orgulho que possa haver, por vezes é preciso baixar a guarda, pois apesar de efémero, não existe nada mais belo que o por do sol, e o nascer da amante lua…

 

 

NMauFeitio 69Letras® 27.02.2017

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