No fio da Navalha

Tem sido um regresso difícil, não por falta de inspiração, na verdade tenho escrito imenso, mas numa forma mais introspectiva, um pouco fora do que vos habituei. Talvez daí a minha renitência em publicar, no entanto já vos considero uma espécie de família que me abriu os braços sem me julgar, como tal merecem o meu respeito e uma maior entrega, para já começarmos com este de história recente e obrigado por estarem aí.

De tempos a tempos sou chamado para alguns serviços que se inicialmente me pareciam chatos, tornam-se verdadeiras surpresas, por consideração à pessoa em questão e a mim próprio irei obviamente omitir nomes.
Zona VIP de acesso aos camarins com responsabilidade de abrir e fechar portas e acompanhar ao palco todos os intervenientes no espectáculo, depois do stress inicial do primeiro dia se ter dissipado, aqueles olhos verdes ficaram-me gravados na mente, sendo uma figura pública, bem casada, com quase metade da minha idade criava uma sensação de intangibilidade que ao mesmo tempo me excitava e frustrava. No segundo dia, eu mais calmo e descontraído, o meu lado mais atrevido resolveu dar um ar de sua graça, ao vê-la chegar carregada de porta- vestidos e malas e malinhas. Corri a abrir-lhe a porta, invadindo-lhe o olhar quase como se lhe quisesse roubar a alma disse-lhe:
– Permite que a ajude?
Com um sorriso envergonhado e algo constrangida com o meu olhar assentiu com a cabeça sem soltar uma palavra. Retirei-lhe a maior parte dos acessórios, seguiu à minha frente, abri-lhe o camarim e pendurei os vestidos nos cabides, malas na mesa de apoio, a sorrir perguntei:
– Necessita de algo mais?
Mais uma vez sem dizer uma palavra abanou a cabeça negativamente, no momento em que ia sair oiço a sua voz doce pela primeira vez.
– Posso saber o teu nome?
-Claro que sim, dona P……., Bastardo ao seu dispor!!
– Não me trates por Dona ou Sra, sou a P……., obrigado pela tua gentileza. Sei que não é o teu trabalho.
Qual lobo no cio saiu-me quase instantaneamente.
– Tudo que lhe permita sorrir é o meu trabalho. Aquele obrigado final de faces coradas e pele arrepiada deixou-me embriagado na minha própria imaginação. Final dos ensaios daquele dia, estou a acabar de abrir as portas de todos os camarins e sinto um toque no ombro. Encaro o brilho daqueles olhos mais uma vez, puxa-me para si e diz-me ao ouvido:
– Se possível, discretamente entre comigo, preciso da sua ajuda.
Apanhado de surpresa e algo desconfiado respondi:
– Com certeza.
Entro e deixo a porta aberta como forma de respeito, oiço na gaguez das suas palavras.
– Fecha a porta por favor.
Assim o fiz. Mal a porta se fecha, o vestido do século XVIII cai a seus pés vislumbro aquele corpo atlético, ostracizado dentro de uma armação com espartilho, a silhueta de ampulheta quase perfeita quase me provocou uma erecção instantânea que tentei dissimular sem sucesso.
Sozinha libertou-se da armação que lhe pendia da cintura, dos saiotes até ficar num hipnotizante fio dental apesar dos meus esforços de manter o meu olhar no chão, a tentação era demasiada.
De repente, com uma timidez desconcertante e um olhar provocador diz-me:
– Preciso que me ajudes com o espartilho, quis aperta-lo sozinha e o nó fechou-se. Estou com imensa dificuldade em respirar e não consigo afrouxar os nós.
Vira-se para o espelho dando-me as costas, aqueles glúteos perfeitos e duros insistiam em me desnortear, delicadamente tentei desfazer aquele entrançado sem sucesso.
A transpiração, os movimentos em palco e a dilatação do próprio corpo inviabilizaram qualquer folga de desaperto, pior, o meu toque doce e respiração sob a sua nuca só a fizeram sentir ainda mais armadilhada.
– Eu posso solucionar isto mas o espartilho não vai ficar de boa saúde.
Diz-me:
– Que se lixe o espartilho, tira-me daqui de dentro.
Ora, segurança prevenido como eu, com uma infância de MacGyver anda sempre de faca, retiro-a da bolsa. Sinto-a tremer, antes que fale digo:
– Não tenhas medo, sou incapaz de te magoar, preciso que te dobres um pouco.
Assim que o faz e sinto as suas nádegas, a minha tesão que já era notória pura e simplesmente explodiu, era impossível de disfarçar e encaixou de forma quase perfeita entre aqueles dois pedaços de prazer.
Tentando me concentrar na urgência da situação delicadamente cortei o nó e todos os fios começaram a aliviar o toque da lâmina fria na pele provocou-lhe um arrepio que a fez contorcer e aumentar o contacto pélvico, com a respiração acelerada e notoriamente excitada. Diz-me entre gemidos:
– Corta tudo!, Despe-me assim.
Cortei o espartilho de alto a baixo, com uma mão acariciando a pele macia e doce, a outra munida de lâmina passeava pelo corpo sentindo os gemidos a subir de tom. Cortei as alças do soutien e depois o fecho, pelo espelho vejo o morder dos lábios e o retorcer dos olhos da excitação.
Viro-a para mim, beijo-a quase selvaticamente pela primeira vez. Que lábios soberbos, percorro o seu pescoço na ânsia de abocanhar aqueles seios perfeitos agora libertos da prisão que os estrangulava.
Sento-a na mesa, inclinando-a para trás a minha língua desce até ao umbigo. Paro por momentos, uso a parte tomba da lâmina, circulo por cada seio, a humidade do seu sexo era tal que…. Já tinha as calças na zona do meu membro molhadas.
Provoco-a passeando o aço frio e cortante até à sua púbis, nas suas virilhas, assim que corto um cordão do fio dental as suas mãos atiram-se ao fecho das minhas calças quase as rasgando tal a violência. Assim que o meu membro endurecido de luxúria vislumbrou a liberdade, as suas pernas fecharam-se nas minhas costas empurrando-me para dentro dela.
Aquela vulva quente e lubrificada maravilhosamente esfomeada do meu ardor recebeu barbaramente cada estocada mais profunda que a outra, mais rápida e intensa, a medida que se vêm, para evitar gritar morde-me o ombro (deixou-me marca para algumas semanas).
Vira-se, dobra-se na mesa, empina o cú, coloca a faca entre os lábios e através do espelho nada precisa ser dito, a minha glande carmesim totalmente dilatada aflora mais uma vez a sua vagina que escorre ainda o mel do orgasmo anterior. Com palmadas provocatórias alternadas entre aqueles tambores sumptuosos e musculados responde-me com investidas possantes na minha verga.
Não aguento muito mais. Tento conter-me para que se venha comigo, acicata-me rebolando todo o seu corpo a cada penetração, na tentativa de suster o clímax retiro-o dentro do seu vulcão e passeio o comprimento do mastro ao longo do seu esfíncter e púbis.
Inesperadamente com a mão afasta ligeiramente a sua nádega direita e empurra-o soluçante para dentro do seu ânus. A surpresa deu-me um novo ânimo e pujança, devorei doce e carinhosamente cada milímetro daquele cú soberbo enquanto a penetrava com os dedos e masturbava o seu clitóris duro como pedra.
Já com a faca espetada na mesa, ela ligeiramente estirada numa elasticidade anormal a beijarmos-nos sofregamente, sinto-a vir-se nos meus dedos enquanto expludo todo o meu néctar na sua roseta , morde-me a língua, qual viúva negra a mostrar domínio.
Sorri efusivamente quase em gargalhada, enquanto a abraço contra mim para que sinta o meu calor e lhe faça desvanecer a pele de galinha que entretanto se instalou na sua derme.
Enfrenta-me mais uma vez o olhar, agora menos desafiante e mais enigmática, pergunto:
– Em que pensas?
– Tenho que ir às compras de lingerie. São dois meses de espectáculo e não sei se tenho roupa interior que chegue para tu cortares…
© Bastardo 2017 #69Letras

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