Estado civil : mãe

E não me venham dizer que é mentira, todas nós mães já o fazemos mas só que não admitimos. 

Eu falo da troca espontânea de amores… 

Quê?? Eu explico.

Uma mulher apaixona-se. Jura fidelidade e amor eterno àquele que lhe roubou o coração e o respirar. Casam-se. São muito mas muito felizes. Amam-se desmedidamente! Fazem amor como se dele se alimentassem. E depois…

A barriga dela cresce, ganha forma e formiga pequenos espasmos de felicidade enquanto ele torna-se um mero espectador da metamorfose.

O amor deles expande-se e intensifica-se de tal maneira que quase explode. Até que o dia D chega.

Aquele pequeno ser, frágil, sensível e no entanto tão gigante nas suas vidas. Centro da gravidade da vida de em casal.

Amores distintos e no entanto combinados.

E chego à questão.

Quando o centro do nosso universo muda. Sentimos um amor tão grande que nos sentimos esmagados pela imensidão. Quando de repente tememos pelo bem estar de outra pessoa que não pelo nosso. E damos a vida, sem pensar nas consequências por aquele ser nosso. Só nosso. Fruto do amor que agora, sem intenção, fica para segundo plano. 

Sei o que soa. Soa mal. Mas não deixa de ser verdade. Aquele ser tem um poder tão grande sobre a vida do casal que se ama imenso, sim sem dúvida, que tudo o resto torna-se secundário. 

Como um pequeno Deus. Ocupa o seu lugar na cama que outrora fora dos amantes. Torna-se o topo das prioridades e esquecemo-nos das nossas vontades. 

Mas não me interpretem mal, claro que amo meu marido. São amores diferentes. Mas o amor por um filho é visceral. É natural. Quem o sente, sabe. É algo entranhado no nosso ser. Maior do que alguma vez poderemos compreender. 

Um amor primitivo. Único. A única certeza na vida. Algo superior a tudo o que já existe. 

Sim eu amo meu marido mas mãe é a minha única garantia do que serei toda a vida. 

 

Autora da página Deusa Do Caos

©Miss Steel 69letras 2017 

 


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