A Vizinha da frente 5

| M18 | Maiores 18 |

Estava ansioso para chegar a casa. Sentia-me sujo e cansado. Dia de loucos e como se não bastasse tinha acordado atrasado o que me dificultou o trabalho que tinha para o dia. Não tive paciência para aguardar pelos transportes, era hora de ponta, céu meio nublado a pedir chuva e consegui imaginar na perfeição o quão cheio viriam os autocarros. Fui a pé.

Quase na chegada a casa observei a janela da vizinha do prédio da frente. Desde o último aparato nunca mais a vi, nem a observei como habitual.

Estaria ausente? Tinha ido embora? O que era feito dela?

Este sentimento de preocupação misturado com o desejo ainda me excitava mais. E andar o dia todo excitado é complicado… Principalmente quando não nos controlamos.

Chego a casa e meto-me confortável, preparo-me para um duche. Hoje nem jantar iria fazer, assim que terminasse o banho ia enfiar-me na cama para compensar e recarregar as energias. Deixei a água a correr e fui à cozinha. A sede instalou-se no meu corpo e fui procurar algo fresco. Bolas… Precisava mesmo de ir às compras, não tinha rigorosamente nada. Bom, água serviu.

Meti-me no banho e a minha cabeça ficou cheia de pensamentos eróticos com aquela alma… Não demorou muito até que a excitação surgisse… Tinha que me controlar… Mas… Não conseguia.

Comecei a tocar-me… Lentamente… Encostei-me com as costas nos azulejos na parede. O frio dos mesmos fez com que me arrepiasse todo. Foi bom até. Mas… Senti-me esquisito. Talvez a água estivesse muito quente. Regulei a temperatura para gelar mais a água. Foi pior… Afastei-me da parede e agarrei-me à porta do chuveiro.

“Algo está errado comigo… Acho que estou a perder os sentidos… Tenho…”

Não conseguia raciocinar mais e a única coisa que fiz, através de reflexos, foi sair do WC e dirigir-me até ao quarto. Esbarrei com toda a força na ombreira que dava acesso ao quarto e aos tropeções fui em direcção à cama. Merda, deixei a água aberta… Mas alguém estava a mexer na torneira e fechou… O quê?! Perdi os sentidos…

Algum tempo depois…

Ouvi um sorriso. Um sorriso familiar. Um sorriso de troça mas angelical. Sentia os olhos pesados, ainda precisava de esperar um pouco. Um cheiro que reconheci imediatamente fez-me querer abrir os olhos a todo o custo. Esforcei-me mas ainda via tudo muito turvo. Tentei soltar umas palavras mas um dedo húmido impediu-me de falar. E assim obedeci. Mas que pressão era esta?? Ok, percebi que alguém estava em cima de mim, sobre a minha cintura. Tentei mexer-me mas em vão. Foi então que o aço me magoou a pele dos pulsos. Estava algemado à cama. As tais algemas. Mas?! Seria ela? Claro que era… Quem mais poderia ser?

– Se és realmente tu… Hoje não sais daqui! – Fiz questão que ela ouvisse.
Já aqui estou desde ontem hmmmm… – Aquela voz… Tal e qual a voz que ouvi quando fui ao prédio dela… – A prova disso é que tu de manha saíste tão rápido e não me viste dormir na tua sala… – Acrescentou.
– Eu estava atrasado… – E fui calado de imediato por dois dedos, igualmente húmidos que entraram na minha boca.
– E eu estava pronta… Tal como agora… – Gemeu.

Que sabor… Era o sabor dela… Estava completamente entregue ao momento e assim que a confirmação se instalou não procurei mais respostas. Agora já conseguia abrir os olhos e ver. Só naquele momento é que percebi que estávamos ambos nus. A beleza dela era desconcertante. Linda em todos os aspectos e um diabo angelical provocante que ia dançando em cima de mim ao som do momento. Estava tão entesado que as veias eram visíveis e ela apenas me tinha dado a provar o seu néctar dos deuses.

– Gostas de me espiar não é vizinho maroto? – Questionou naquele tom inconfundível. – Pois então agora vais continuar a observar!

E deu-me a provar de novo os seus dedos…

Começou com uma dança sintonizada com os gemidos que ia soltando, sem me colocar dentro dela. Apenas com a sua cavalgada lenta que deslizava no meu membro coberto deste licor que me fazia doer a alma por não poder servir-me à vontade. Que sensação. Esta mulher sabia realmente o que fazia e o que me fazia. Se era assim apenas a deslizar em mim… Aproximou a cara dela junto à minha e soprou-me de leve e apenas para “provar” o seu aroma. Frutos vermelhos… Oh fuck. Queria aquela boca. Beija-la furiosamente. Parte de mim naquele instante tornou-se animal e apenas me preocupava com a necessidade de alimento. Procurei libertar-me mas em vão. A minha cama era tão boa como as algemas. De seguida passou a sua língua no meu queixo deixando-me ainda mais doido. Sorriu.

Agora tinha-se levantado e manteve assim para que eu observasse o seu corpo. Tocou-se para mim e o meu coração quase colapsou. Conseguia ouvir os demónios dentro de mim a suplicar piedade. O meu membro palpitava ao ritmo do meu coração e ela decidiu piorar as coisas… Virou-se de costas para mim e sentou-se por cima de mim, deixando o meu membro entre as pernas dela mas não no seu interior. Ela olhou para trás e piscou-me o olho e começou a fazer algo com as mãos no meio das suas pernas. Oh meu deus…

Se não soubesse o que estava a fazer diria que estava dentro dela… Foda-se que sensação. O que ela fazia era claramente um pecado. Além da visão divinal que tinha de toda a sua traseira… Eu não me consegui conter muito mais. Ela não parou. Ela queria mesmo avançar com aquilo até ao fim e assim foi… O orgasmo foi tão intenso que me magoei seriamente nos pulsos, ficando em sangue e ela não parava de me tocar, mesmo depois de me vir… Eu já soluçava para que parasse mas nada… Fez questão de continuar até um segundo orgasmo… Eu já tremia. Desta vez parou… Voltou-se para mim e libertou-me. Não tinha qualquer força para me mexer. Saiu de cima de mim e disse algo…

– Desta vez ficamos assim vizinho cusco. Darei noticias. – E vestiu-se. Não me respondeu a qualquer pergunta que fiz entretanto, apenas me piscou o olho, foi ao WC abrir novamente as torneiras e saiu. Uma solidão fria esbateu naquela divisão.  Tive que fazer um esforço, e que esforço, para ir lavar-me. Estava todo sujo e tinha os pulsos ensanguentados. Desloquei-me até ao WC mas ao passar na sala vi na mesa algo… Umas algemas… De novo???

Não. Estas foram as primeiras que recebi…

As que estavam na cama eram novas? Mas porquê? O que queria disto dizer? Milhares de pensamentos penetraram a minha cabeça naquele instante. Mas primeiro… Banho.

© 100Modos 69 Letras® 04.05.2017

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