Vícios inseguros

Tenho todos os meus maus vícios comigo, estão aqui todos bem perto de mim, já tentei escrever algo hoje, mas não saiu aquela coisa habitual, apaguei tudo e desisti, agora, li um texto algures sobre um Deus grego e um romance fascinante escrito de uma forma a meu ver fascinante e fui buscar o primeiro vício, o café, é um vício, viciante, dei um golo e peguei no segundo vicio, uma cigarrilha, acendi o Zippo e dei o primeiro travo, poisei a cigarrilha e pensei e porque não escrever algo, abri o editor de texto e aqui estou eu, procurando por um destino para onde rumar.

Mais daqui a umas horas vou rumar mais de trezentos quilómetros rumo a norte, rever pessoas que já não vejo, já lá vão alguns anos, vou sair do meu abrigo, da minha zona segura e conviver com as pessoas que me são de certa forma mais próximas, não é algo que aprecie, deixar o meu mundo para entrar no de terceiros, sou de facto muito bicho-do-mato, mas tal como eu sei que existem mais uns quantos milhares assim, pessoas que se entregam no seu próprio espaço e no seu próprio mundo, onde são por assim dizer, felizes na sua própria forma de estar.

Quem ler isto vai pensar que endoideci completamente, isto não é algo que se queira ler, gostar de mundos utópicos onde tudo é perfeito, onde as histórias contadas quase que vividas mentalmente têm um fim perfeito, quase como os filmes românticos onde vivem felizes para sempre, mas não estas palavras não sobre esse mundo vasto de perfeições, não existe perfeição em lado nenhuma, mas isso já todos sabemos, existe o risco, e o risco que pode ser o tudo ou nada deve ser vivido, o risco de errar, o risco de amar, o risco de ser feliz sem ser fechado no nosso próprio mundo onde a perfeição existe.

Eu durante muito anos tive um vício, roía as unhas, um dia, parei, ainda não parei de fumar, embora já tenha parado umas quantas vezes, já desisti e voltei umas quantas vezes, uma das vezes que desisti, deixei de beber café, diziam que beber café incentivava ao puxar do cigarro e é verdade, concordo, para quem fuma já lá vão trinta anos, é um péssimo vicio, já lá vão milhares de euros gastos que poderia ter dado para conhecer o mundo, mas no meu mundo não preciso de milhares de euros, preciso apenas de não ter medo de arriscar, de viver, de errar, de amar.

Isto é tão fácil escrever, mas tão difícil de fazer, é um pouco como largar os vícios, falar é muito fácil, mas fazer, é tudo uma questão de força de vontade, de facto é verdade, exista força de vontade e tudo se faz, nada é impossível, será medo de conhecer o mundo lá fora, o poder dar o salto para fora da minha perfeição utópica, não é medo, nem sempre tudo é relacionado com medo de, é mais o comodismo de estarmos bem como estamos, ou de pensar que estamos bem, mesmo quando temos aquelas crises de solidão onde batemos com as cabeças nas paredes e pensamos porque raio fazemos o que fazemos, quem nos deu o direito de escolher ficar sozinhos quando não fomos feitos para estar sozinhos, precisamos do carinho, do mimo, do confidente, do amigo, e porque não do sexo.

Sou de facto um gajo complicado mas desconfio honestamente que não serei o único com estas ideias, pensamentos, sou apenas o tal que assume que os tem, muitos não se atrevem sequer a pensa fora da caixa, e acreditem, o mundo é uma caixa, afinal ainda só conseguiram ir até há lua…

 

NMauFeitio 69Letras® 27.02.2017

1 comentário a “Vícios inseguros”

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