Resquícios de uma noite mal dormida

TEXTO ERÓTICO | M18
Quando o dia clareou a noite, e a lua se escondeu atrás do sol, os nossos corpos estavam ainda febris, estávamos em chama, consumidos por um tesão avassalador, como uma língua de lava abundante que nos cobria e que fazia a nossa pele crepitar.
Permanecíamos deitados, imóveis, como que desfalecidos naquele leito de pecado com lençóis de seda pretos.
O nosso estado era medonho.
O meu mel permanecia espalhado em ti, pelos teus seios, pelo teu ventre, pela tua cara, pelo teu rabo, pela tua vulva.
O teu, ainda se acumulava nos cantos da minha boca, na minha cara, na minha língua, nos meus dedos, no meu sabor.
O mundo parecia ter parado com o virar da noite, o tempo parecia esgotado, tão esgotado quanto nós. Afinal o que é que nos aconteceu?
Estávamos inertes, sem forças, com o corpo dorido, com os músculos dormentes, atrofiados.
Conseguia ainda sentir as tuas unhas cravadas na minha pele, nas minhas costas, nas minhas nádegas. Conseguia ver ainda as minhas mãos agarradas aos teus cabelos, ao teu quadril, amassando e palmilhando com força as tuas nádegas, enquanto que possuída por trás com vontade animal gritavas o meu nome bem alto.
O teu batom vermelho estava ainda bem marcado no meu sexo, nas minhas pernas, nas minhas coxas.
A nossa roupa, espalhada pelo chão, marcava com detalhe o trajecto que fizemos desde a sala até ao nosso ninho de amor.
A minha boca estava seca. O meu membro adormecido, tão adormecido quanto tu, ali deitada a meu lado, desprovida de vaidades, nua, satisfeita, feliz.
©PSassetti #69Letras 07.04.2017

Deixar uma resposta