Rendas e Amarras

Conto Erótico | M18

Entrar pelo quarto vendada…

Sei bem ao que vim, mas não vendo posso apenas sentir o que tens preparado para mim…

Trago a lingerie que pediste, as ligas, os saltos e o casaco…

O cheiro que reconheço enche-me as narinas e inalo pesadamente em antecipação. A voz de comando ordena que me livre do casaco. Obedeço… De qualquer forma a pele já me arde de excitação. Estou como gostas… Despida para matar, de cabelo apanhado, com alguns caracóis a cair sobre a face…

Sinto as tuas mãos a percorrer o meu corpo sem tocar, deixando apenas que te sinta o calor. A pele arrepia, sinto o teu odor e por fim o beijo no fundo da minha nuca. Esse beijo é uma contemplação, eu sei, é um elogio ao meu esforço por cumprir os teus desejos, que são também os meus… Sou ainda livre de te tocar mas não o faço ou o nosso fogo irá acordar por entre as cinzas quentes e perderemos os nossos propósitos… Escolho conter este ímpeto de me atirar nos teus braços e colar a minha boca à tua… Aperto os dedos à volta das coxas e sou brindada com esse toque de seda que me consola, me aperta…

Colocas-me na cama, um beijo, agora ao de leve nos lábios… Uma promessa… A barba roça-me as bochechas e chega a tua voz ao meu ouvido “Hoje vais aprender umas coisas”

Tremo, mas não por receio… Conheço os encantos das mãos que me guiam… Essas mesmas mãos seguram agora os meus pulsos apertando um contra o outro e as cordas desenham um nó que parece infinito… e puxa, e estica os braços estendidos por cima da cabeça… Um puxão e outro, as cordas roçam o metal fundido e entrelaçam, deixando-me presa, exposta, húmida…

Sinto-te afastar… E de repente o silêncio… Nada mais ouço senão a tua respiração que acelera enquanto eu própria controlo o meu arfar, sabendo que não avançarás enquanto não me acalmar… Entro no compasso, repouso o corpo, deixo-me ir, deixo-me cair…

Ouço novamente os teus passos e por eles sei que estás descalço… Usas um pedaço de corda para me tocar… Primeiro as pernas, que se encontram envolvidas pela lycra das meias, desde os pés até às coxas, de um lado, do outro e pelo meio, circulando pela linha de renda e levando-me a entreabrir-me, deixando o caminho livre para que a corda me sinta o calor crescente… Sobes pelo monte de Vénus e sacodes-me os demónios com a ponta da corda meio esfarrapada pelo corte… O toque não é áspero, são quase cócegas que me assaltam quando o toque se prolonga pela barriga nua. Estou a entrar no transe do processo, sinto-me dançar com a corda e não ofereço resistência, sinto apenas e concentro a minha atenção na tua respiração… é pesada, quente, estás a gostar tanto quanto eu…

“Estamos só a começar”

Sim. eu sei que não há fim para a nossa tesão, para a nossa satisfação de partilhar sexo, fantasias, carne, pedaços de alma que se rasgam entre orgasmos… Mas ainda não faço ideia de que outros demónios pretendes soltar hoje… Ainda…

Conheces-me… Uma benção e uma maldição… Páras tudo! Beijas-me, um beijo mais profundo, deixas que te sinta a excitação, as vontades, fazes-me antecipar a explosão que me espera na ponta do teu sexo… Eu sei, ainda demora mas eu já gotejo, já sou tua, já te quero e te anseio…

De uma só vez, viras-me o corpo e estou agora de barriga para baixo e o puxão que senti pelas cordas foi o primeiro anúncio que estava a ficar sério…

Novamente carícias, um conforto. Soluço e gemo baixinho com a cara enterrada nos lençóis de cetim. Queres o meu rabo no ar, com a visão perfeita das tuas fontes de prazer. É a vez de me amarrares pés e pernas… Começo a ter consciência do tempo que levaste a conceber isto para nós e relaxo, desfruto dos resultados… As cordas passam-me na cintura, fazendo depois uma espécie de arnês à volta dos quadris, do sexo e enrolando por cada uma das coxas abaixo em pequenos nós que sinto apertar, prender e ansiar… Cuidadoso, depois de completo o processo de cordas e estando eu disposta de quatro, com pulsos e pés amarrados à cama, colocas almofadas debaixo do meu ventre para que possa relaxar e receber o que tens reservado para mim…

Sinto o couro percorrer os centímetros de pele que deixaste expostos, é a chibata que me anuncias. Afagas-me o rabo e enches as mãos, delicias-te e preparas-me.

Sem te aproximares, anuncias “Vou-te ensinar a esbater a linha entre a dor e o prazer… Já conheces as regras. Vou começar”

Engulo em seco. Anseio as sensações, o ardor… Paraste e sei o que aguardas… finalmente consigo soltar da garganta “Sim, senhor!” A voz soa rouca, embrulhada em excitação e antecipação.

Contorço todo o corpo com as primeiras chibatadas leves de um lado e do outro, gemo pedindo um pouco mais. Travas os movimentos e sentes-me, humedecendo a ponta de​ couro no meus fluidos que correm soltos pelo meu sexo. Investes no rabo outra vez, mais ávido, aumentas-me o desejo. Já estou toda aberta e pronta para te receber com toda a tesão que te sinto…

Usas agora a tua perícia na minha vulva. Percorres-me ao de leve até ao clitóris para de repente me atingir com várias chibatadas leves arrancando-me um gemido alto, descontrolado, desesperado… Estou a voar, estou a morrer de vontade de ti. Continuas a tortura até me sentir perto do abismo e paras! “Quem disse que te podias vir?”

Fico de boca aberta sem pronunciar palavra. O meu corpo, no entanto contínua a pedir-te… a exigir-te. Sentes o mesmo que eu, eu sei que queres… Anda… Peço que acabes com o meu calvário empinando mais o rabo, arqueando as costas virando a cabeça em direção a ti para que imagines o meu olhar de desejo.

Dás-me algum tempo, afagas-me de novo o corpo para que a pele respire. Sinto o teu peso junto ao meu na cama, mas não estás a meu lado. Mergulhas a língua em mim ao mesmo tempo que um polegar me entra no sexo… tremo, gemo e num suspiro venho-me, sentindo as cordas apertar-me enquanto o corpo sacode violentamente de prazer. Saboreias-me como sei que adoras, espalhas o meu mel por mim e massajas-me… Preparas o teu playground… ainda estou cega de prazer quando me penetras por trás de uma só vez. Grito. Não aguento… dá-me mais!

Sais e torturas-me com a cabecinha. Roças-me toda só para me dar a provar o meu orgasmo na tua tesão. Entra todo de uma vez até ao fundo da minha garganta… És delicioso! E reconheço tão bem esta mistura agridoce… mordes-me o rabo e investes de novo.

A cada estocada sinto o teu orgasmo mais perto… afinal a tortura foi mútua. Conténs-te. Páras.

Projeto o rabo contra ti para que me dês mais, com mais força… Entras mais uma vez e ficas enterrado… Ah, como gosto deste nosso encaixe! Sinto a tua mão circular-me. Besuntas as mãos com os meus fluidos, tocas-me enquanto me f@des, agora mais devagar, mais compassado… Gemo como uma gata no cio, sabes bem como me dar prazer! “Anda, vem-te comigo”, pedes-me, gutural, animal, rouco… sinto… vamos… Oh, que explosão! Só sinto a mão no pescoço a apertar quando a última golfada de ar me foge. Caio, sem um pingo de energia e satisfeita… mas tu não! Agora gentilmente, desamarras-me os pés, viras-me para ti e removes-me a venda… Pestanejo até me habituar à luz e vejo-te, deliciado… e duro!

Beijas-me a boca….aquele beijo… tão bom! Desces pelo meu peito, afastas o soutien e chupas-me os mamilos, sôfrego… metes-me os dedos e sentes que também eu estou pronta para mais. Fico à beira do orgasmo na ponta dos teus dedos. Penetras-me outra vez e eu venho-me, aperto-te dentro de mim e enlaço-te. Eu continuo presa, mas também tu estás preso agora… perco-me… Adoras quando me fazes esquecer de quem sou, investes com mais força, mais fundo…

Fazes de mim a tua boneca, o teu objecto de prazer… Não me importo, gozo contigo, sinto contigo, olho nos teus olhos e venho-me contigo… debruças o teu corpo sobre o meu e de nariz colado no meu dizes-me rendido “Não consigo parar de te f@der, és deliciosa… Sempre!”

Beijo-te, tomo controle sob a investida… Estás quase, eu sei… Sai de mim e espalha o nosso prazer pelo meu corpo… Sinto-o, quente, espesso, saboreio uma gota que sabiamente se depositou no canto do meu lábio… Deixo-te voltar a ti… Eu própria ainda estou a sair do estado de quase hipnose em que me deixas…

Desamarras-me, massajas-me o corpo, despes o que resta, e levas-me para o banho onde tratas de mim, lavando-me, acarinhando-me… Distribuindo beijos por mim afora como quem escreve poesia…

És tu, sou eu, somos nós outra vez…Até à próxima vez…

© VickyM 2017 #69letras

 

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