Perdi-me para me encontrar

A cidade tem algo de diferente, eu abandonei a cidade rumo norte para relaxar um pouco na pascoa, foi tipo visita de médico, mas deu para relembrar de pequenas grandes diferenças da cidade para o interior, para uma vila onde todos se conhecem, todos se falam, mesmo não me vendo por vários anos e mal me reconhecendo, são pessoas que dão os bons dias, as boas tardes ou mesmo as boas noites quando se cruzam com alguém, algo esquecido numa memória perdida no tempo.

Na cidade nada disso acontece, e por vezes nem mesmo quando diante de nós está a pessoa que nos serve, por vezes sai um simples café, nem o por favor se usa, por vezes parece que se está diante de uma máquina automática de cafés, e quem está do lado de lá que adivinhe o que nos vai na alma, e sim, eu sei que estou a ser muito mau, mas lido com atendimento ao publico, e vejo quantos passam por mim como se não existisse.

Ali na santa terrinha, na vila que noutros tempos era uma aldeia, as pessoas são diferentes, pouca juventude se vê por ali, mais pessoas com idades avançadas, pessoas de outros tempos, pessoas de outras vivências, que ainda não nos conhecendo de lado nenhum, nos dão um saudoso comprimento com um sorriso rasgado nos lábios, e isso deixa-me intrigado para onde caminhamos, onde o mundo virtual cada vez é mais forte, mas ali não, ali posso dizer, Vodafone e Meo, de rede, sinal é tipo sinal de fumo, vai um e depois vai outro.

Vejo que as apostas são cada vez mais nos grandes centros urbanos e arredores, onde quem queira ir para a internet no interior, bom, é melhor pensar melhor se quiser viver ciberneticamente. Ainda assim, sem internet, sem Facebook, as pessoas falam, interagem umas com as outras, de uma forma simpática, e ladrões devem existir em todos os lados, portanto creio que os ladrões por lá, antes de assaltarem a malta também desejem as boas noites antes de assaltar o pessoal, se bem que os roubos é mais galinhas e por vezes azeitonas ou vacas, bens preciosos naquelas bandas, por cá um telemóvel dá direito a queixa na policia, e num ápice chegamos a uma esquadra, lá se existir um furto, bom, andar uns bons quilómetros para encontrar o posto da GNR para apresentar a queixa, é a única solução.

Ontem por fim regressei, fui vazio de letras e palavras, regressei cheio de pica para me atirar nas folhas em branco e disparar palavras como o raio do galo que todas as madrugadas pelas cinco da madrugada acordava o pessoal todo… Despertador? Telemóvel? Galo estridente ao lado da janela…. Acreditem… E internet, bom, é caminhar até ao alto e esperar que o sinal seja forte para o apanharem, recomenda-se o uso de um powerbank… Vão ter muito que caminhar para apanhar o sinal… Não sou adepto, mas pensem assim, se uns andam a caçar Pokemons, vocês andam a caçar sinal para se ligarem nas internetes…

 

NMauFeitio 69Letras® 27.02.2017

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