Oh, se tu soubesses!

Não sei se tens a noção.
Se calhar de alguma forma o sentes. Num arrepio, num pensamento ou até mesmo num estado que desconheça.

A verdade é que se soubesses não sei se te atreverias. Estas vontades ardem-me na superfície da pele, aquecem-me o sangue, aceleram-me o coração, limitam-me o raciocínio e fico cegamente a desejar o teu corpo.

Mas não é só isso. Nunca seria só isso. Nem nunca foi. É algo mais.
Medonho talvez. De uma intensidade incalculável, vibrante e orgásmica.

No entanto vejo-te sem te preocupares. Ou pelo menos disfarças. Caminhas por perto largando os teus perfumes, seduzes-me com umas espécies de danças sedutoras sabendo que te observo. Fazes isso a toda a hora. Talvez não seja apenas provocação, talvez seja um pedido.

Acendes-me um fogo que teimo em não apagar arriscando incendiar tudo à nossa volta. O problema é que quero este queimar.
Provocas estes demónios que insistem em continuar a gritar pela tua carne arriscando a luxúria. O problema é que quero este alimento.
Aguças esta gulosice imparável desse mel que me espalhas… O problema é que quero este doce…
Despertas em mim um canibal adormecido… Ou esquecido. O problema é que está faminto.

Não sei o que sentes com isto. Se apenas te é uma diversão assemelhada a uma dança. Mas a verdade é que tornas os meus sentidos mais apurados.

Desejando tocar-te, cheirar-te, observar-te, ouvir-te e saborear-te…

Não sei se tens a noção. Ou terás?

100Modos 69 Letras® 06.04.2017

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