Nem sempre 2+1 é = a 3…. Não é…..Vicky?…. Misses Kat?

Lisboa, cinco horas da manhã, em ponto.

Enquanto o velho relógio de parede marcava a compasso as cinco badaladas, eu estava amarrado ao cadeirão do quarto 127, no velho Hotel da Estrela.

Em abono da verdade, eu não estava somente amarrado, também os meus olhos foram vendados, de forma que não pudesse ver nada do que por ali se passava.

Mas afinal, o que é que se passou? Como cheguei aqui?

 

……

(Cinco horas antes)

……

 

Era portanto meia-noite quando o telefone tocou, do outro lado da linha, a Vicky.

Assunto? – Convite para copos.

Claro que aceitei, alguém no seu perfeito juízo recusa um convite da Vicky, ainda por cima para copos?

Para quem não sabe, a Vicky, é uma desencaminhadora pequenina, daquelas que parecem que não fazem mal a uma mosca, mas que na verdade morde a sua presa sem dó nem piedade  (sim, assim mesmo, não julguem as mulheres pelo tamanho, jamais!).

As horas seguintes foram passadas de bar em bar, entre copos, amassos e alguns beijos roubados (nada combinados) e com o termómetro sempre a subir, por entre os nossos olhares famintos e os apalpões nada discretos que quase nos valeram a expulsão de um dos bares por atentado ao pudor, dado o nosso estado de embriagues e tesão explicito acumulado.

Eu já só me ria, ela, mais metódica, estava empenhada em lançar-me na sua teia e para isso mantinha-se sóbria (pelo menos, aparentemente fazia por isso).

Estávamos a meio da noite, os nossos beijos eram agora mais intensos, com mais língua, com mais tesão, com mais mãos, os olhos dela devoravam-me ferozmente, enquanto o meu membro estava agora doido e aos saltos dentro das minhas calças justas.

Entre mais um brinde e um beijo demorado (Calma! Nós não namoramos, mas deu-nos para isto, sabem como é, o tesão é tramado), eis que surge uma voz a gritar bem alto o nome dela, “Viiiiiiickkyyyyyy”, ela olhou imediatamente com um sorriso rasgado, como que sabendo claramente quem a chamava, mesmo que o grito nos tenha chegado por entre a musica ambiente em decibéis abundantes.

Era a Misses Kat, como gosta de ser chamada. Eu já tinha ouvido falar nela na 69, mas nunca nos tínhamos cruzado, na verdade, leio sempre com muita atenção o que escreve, mas sempre com os nervos em franja e muito inquieto, Misses Kat é dominadora e pelo que leio, das boas, ou seja, é uma dominadora sem piedade.

Se por um lado a sua presença era agradável (Misses Kat, é uma mulher giríssima), é verdade também, que me fez ficar sóbrio de repente e com o estado de alerta bem apurado, ansioso até, não sei porquê, mas foi instantâneo, irrefletido. Coisa que os copos seguintes não resolveram.

Quem estava feliz era a Vicky, a cumplicidade entre as duas era bem evidente, senti-me por momentos trocado, como que se a atenção da Vicky fosse agora totalmente canalizada para a Misses Kat.

Ela sabia-o e fazia de propósito, eu inquieto, começava a gostar do jogo. Os beijos entre as duas não se fizeram esperar, era quase como uma operação concertada, combinada sabiamente para me levar a loucura.

As mãos de ambas trocavam agora caricias, como se estivessem num ritual de encantamento, em que o encantado e o deslumbrado era eu.

Na minha cabeça, podia já imaginar as duas a despirem-se, peça por peça, sem grandes pressas, deixando a nu os seus corpos em chama. Podia até imaginar as suas línguas a tocarem-se, os seus seios a roçarem uns nos outros, as suas vulvas encharcadas a suplicar pelo toque.

Podia imaginar, e na verdade? Não fazia outra coisa. Aquele cenário idílico rebentava-me com as vontades, com os músculos, fazia a minha língua saltar na boca, fazia a minha mente galopar por campos verdejantes onde aqueles corpos nus se iriam consumir diante de mim.

Nesta altura já ambas estavam empenhadas em levar-me a loucura, e eu, como uma presa fácil, aceitei o desafio, que embora não tenha sido proferido, era por demais evidente nas suas promessas corporais.

Não lhes toquei, se a vontade de o fazer era muita, o meu receio de tocar em Misses Kat gelava-me a vontade que teimava em aumentar dentro de mim.

Misses Kat sorria, como que adivinhando os meus pensamentos, os meus medos, as minhas vontades, mas apreciando de sobremaneira os meus receios.

Vicky, olhava-me agora com um olhar devorador, alternando os meus olhos com os da nossa companhia.

Os seus olhos convidavam-me para um quarto de hotel, onde a luxuria acabaria por tomar conta de nós, por nos consumir sem reservas, sem tabus, os meus, estranhamente receosos, esperavam que algum sinal de Misses Kat os tranquilizasse. Era como que se ela marcasse as minhas vontades, estava intrigado. Nunca fui assim.

Ela simplificou, olhou-me nos olhos com um olhar estranhamente ternurento e sussurrou “vamos?” “És capaz?”.

Raios,… “És capaz????”

Eu?

Ela perguntou-me mesmo isso?

Óbvio que sou capaz, respondia internamente ao meu subconsciente, agora verdadeiramente espicaçado e com vontade de mostrar a esta senhora com quem se estava a meter.

Não lhe respondi! Abracei as duas pelas ancas, e depois pelas nádegas, dei um beijo na face de cada uma, e disse-lhes… “Vamos?”

 

……

De volta ao Hotel da Estrela

……

 

O que aconteceu?…. Bem, vocês já perceberam, meti-me numa alhada. Pus-me em bicos de pés e tramei-me.

Vamos lá então explicar porque estou eu amarrado a este cadeirão e a não achar piadinha nenhuma.

Então foi assim.

O percurso entre o bar e o hotel foi passado entre risadas e trapalhadas dado o nosso estado de embriaguez.

Vicky lá me soltou mais alguns daqueles beijos maravilhosos, daqueles com ela me gosta de presentear, com muita língua e apalpões á mistura, para minha loucura.

Misses Kat como que não querendo ficar atrás, lá me deu a provar os seus lábios suculentos, que tanto apreciei. Deixou-me solto.

Eu estava incrédulo, o que me esperava era um manjar dos Deuses, uma cena antológica, que mais poderia um homem desejar?

A minha excitação no momento era tanta, que na minha cabeça circulavam já só imagens imaginadas de nós os três a incendiar a cama do hotel com os nossos corpos famintos.

O meu receio por Misses Kat havia desaparecido e dado lugar à vontade enorme de a possuir. Como deve ser lindo o seu corpo, como devem ser suculentos os seus seios a sua vulva encharcada, pensava eu a caminho do Hotel, num estado já difícil de descrever.

Vicky apenas sorria. Eu não entendia o porquê.

Chegados ao hotel, o meu pensamento era apenas um, usar e abusar daquelas deusas que ali se perfilavam para mim. Os seus corpos em chama deixavam me a beira de uma erupção. Estava doido de tesão.

Sentei-me no cadeirão (ERRO!!!!!!! Nunca façam isto…. fui tão basico…. raios) à minha frente, sentadas ao fundo da cama, elas beijavam-se, tocavam-se mutuamente, lambiam as suas línguas, eu apreciava. Desejava avidamente que se despissem, que se comessem ali diante de mim. Queria ver, apreciar.

Vicky olhava-me, sempre a sorrir (Safada). Misses Kat olhava-me de soslaio, como que observando o meu toque que agora acontecia ainda por cima das minhas calças, estava tão duro.

Levantaram-se, aproximaram-se de mim. O meu coração estava agora muito acelerado, imaginava o que se seguia.

Misses Kat tomou a iniciativa, e peça por peça, sem qualquer pressa, despiu-se para mim, como que numa dança erótica que me enlouqueceu lentamente.

Vicky não demorou a fazer o mesmo, mas ainda mais ousada, dançou para mim, tocou-me, beijou-me levemente, dobrando-se diante de mim, deixando o seu rabinho bem junto à minha cara, ali, nu para mim, a safada sabe do que eu gosto, abusou de mim.

Naquele momento eu estava em êxtase, as duas começaram a despir-me, muito calmamente, de forma concertada, primeiro a camisa por entre alguns beijos e chupões no peito que me enlouqueciam, depois as calças, as meias, para por fim os meus boxeres cairem no chão com o meu membro capaz de explodir de tesão.

Nesse  momento Misses Kat abeirou-se de mim, olhou-me, agarrou no meu membro de forma firme, acariciou-me por momentos, beijou-me o rosto, sussurrou-me ao ouvido, “Vamos amarrar-te, vamos deixar te doido” (Não tenho sinais sonoros para assinalar quando fazemos borrada, daqueles como nos concursos de TV, se tivesse, era aqui que acionava um, tipo BRRRRRRRRRRRRRR)

Depois de amarrado, com as mãos atadas atrás das costas e com os pés presos ás pernas do cadeirão, Vicky tapou-me os olhos, vendou-me, usou para isso o seu soutien, aquele cheiro inebriou-me, estava definitivamente doido, as minhas expectativas eram de uma noite memorável, para la da vida, aquelas duas deusas, doidas como tudo, iriam dar cabo de mim.

Os minutos seguintes foram de gemidos, gemidos abundantes, primeiro da Vicky que por largos minutos gemeu e muito, doida de prazer, para depois a Misses Kat incendiar-me a vontade com os seu gemidos mais fortes, como gritos de tesão a cada passagem da língua da Vicky, ou a cada estocada dos seus dedos. (Isso, imagino eu, pois há muito que fui privado de ver o que se passava naquele quarto de hotel)

A noite foi longa como previsto, longa demais diria eu, que aqui amarrado neste cadeirão já contei vários orgasmos de parte a parte, mas aqui para o menino…. nadinha.

 

Bela lição meninas, naturalmente que terá consequências.

Hoje aprendi um ensinamento (sem piadinha nenhuma)  Nem sempre 2+1 é = a 3.

 

©PSassetti #69Letras 11.04.2017

 

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