Não interessa quantos são

Não interessa quantos são.
São todos filhos do coração, quem diria que eu teria um coração de tal tamanho.
Os dias correm, corremos com eles de tal forma que perdemos demasiado à nossa volta.
Tomamos por certo tanto que nos escapa entre os dedos.
O vosso crescimento, meus queridos sobrinhos.
Os vossos medos, receios, vontades e preguiças.
Desculpem se em algum momento me quiseram junto de vós e não consegui aí estar para vos confortar.
Todos os momentos são únicos quando estou com vocês, ensinam-me tanto em tão pouco tempo.
Gabo-vos a forma de encararem a vida, todos os problemas, com esse vosso sorriso sincero e genuíno.
Sei que às vezes a vida prega-nos rasteiras, a tia sabe. Mas a tia está cá para vos apanhar sempre… e nestas rasteiras não choram, são por vezes mais fortes que os adultos.
Só quero que chegue o dia em que tomem consciência do quanto adultos já são, sendo tão miúdos. Hoje tomo-vos as dores como as minhas tias de certa forma, tomaram. Mas sei o que vos custa.
Quando tudo cai à vossa volta, quando os papás tentam não vos mostrar toda a mesquice deste mundo, vocês meus seres inteligentes, sentem mais do que visualizam.
Vocês são enormes, nunca se esqueçam disso.
Toda a tia tem este dever, não posso dizer que é prepara-los, pois eles prepararam-se sozinhos.
Acompanhem-nos nesta caminhada, ajudem-nos a tornarem-se adultos conscientes e agradecidos. Esta é a nossa função como tias/tios.
Embora o meu útero ainda não tenha gerado vida, sei o aperto de um amor pequeno, baixinho e birrento.
Não saiu de mim, mas são meus.
Todos eles.

©Krishna 69letras 2017 

 


 

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