Malditas borboletas

Devo ser estranha eu, nunca senti as ditas cujas.
Começo a achar que com a minha idade já devia ter passado por isso, senti muita coisa mas borboletas não.
Tremi um pouco as perninhas, mexi no meu cabelo porque não conseguia disfarçar o nervoso miudinho nas mãos, mordi o meu lábio mas nada de borboletas.
Também não sei se queria ter bichos dentro de mim, a mexer com o meu sistema nervoso.
Coisa estúpida essa da paixão!
Deixa-nos meio lerdos das ideias, fazemos coisas que não devemos, falamos demais e pensamos de menos.
Ainda por cima tem prazo de validade, dizem que é dois anos.
Depois o que fica? Elas morrem e fica um vazio, certo?!
Eu não sei, isso é mal que não me assiste.
Sou imune a coisas dessas, mas reconheço a paixão nos olhos dos outros, nas palavras.
Invejo quem vive nesse constante estado de insatisfação.
Nenhum beijo é suficiente, o adeus é uma tortura.
O corpo ressente com a falta como que quem está a eliminar toxinas.
Talvez por isso as pessoas se apaixonem tanto, estão viciadas.
Querem alimentar esse querer, já eu arranco de dentro de mim qualquer vestígio dessa maleita.
Sei que existem mais pessoas como eu, são os espertos… Ou talvez não?
Vamos a contas, não sofro por não me amarem e não amo para não sofrer acabo sempre intacta seja de que forma for.
É…Acho que ganho eu.
Não sei, alguém me diga que eu já não sei.
Para já fico como estou, ilesa e sem borboletas.

*Wednesday*

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