Grandes favores

Texto Erótico | M18

Noite louca. Estava acelerado com tudo o que se passou. Doíam-me bastante as pernas ainda tensas daquele aparato todo. Mal tinha descasado com a cabeça, congestionada de pensamentos, sentia o palpitar do coração que parecia querer sair pela boca.

Ainda era cedo, talvez umas oito da manhã. Levantei-me mais cedo que o habitual devido à excitação que ainda habitava no meu corpo e que imperava em permanecer mas também para fugir um pouco aquele momento.

Assustado diria. Mas não de medo. Era de emoção. Precisava de um pouco de espaço para organizar as ideias. Estar perto daquela carne enchia a minha cabeça de ondas de luxúria que inundavam o meu corpo. Mas porquê?

Não queria saber das respostas, admito. Estava cego deste desejo.

Estaria a arrepender-me do bilhete deixado na cabeceira da VickyM? Com o frenesim todo nem me preocupei com a letra legível, devia estar toda tremida… “. Ela devia ter percebido, pensei.

Esta inquietude deixava-me incompleto. Precisava de fazer ou acrescentar algo. Pedir-lhe algo. Implorar-lhe algo. Ok vou mandar uma mensagem.

“Se te pedir um favor, fazes?” Foi a única coisa que me saiu depois de apagar e escrever de novo umas trinta vezes até não falhar na escrita. Respirei fundo e enviei a mensagem. Agora ansiava a resposta, parte de mim já adivinhava a resposta mas precisava de a ler, que fosse real, que tivesse o seu cheiro. Não tardou muito. Minutos depois chega a resposta com um simples “Sim!”.

Aquilo poderia significar tanta coisa e nada ao mesmo tempo… Acalma-te… Tentei.
Toda aquela noite implantou na minha cabeça ideias, pensamentos, desejos tenebrosos. Bom pelo menos assim o via. Tinha receio da reacção dela. Porque é que esta ideia fazia questão de não sair da cabeça? Talvez saiba bem o motivo. Todo aquele vendaval na noite anterior despertou os meus caprichos mais escondidos. E sem dúvida que era com ela que eu queria “testar”.

Bom, tinha que me fazer ao bife. Vesti-me para sair e ir buscar o necessário então para preparar o favor. Entretanto recebo outra SMS da VickyM:

“Não me digas o que é, nem me peças. Mostra-me, faz. Hoje. Esquece os modos.”

Respirei fundo, mais confiante desta vez e saí.
Voltei umas horas mais tarde e ainda tinha o resto do dia para preparar tudo. Dei um jeito na sala deixando-a quase vazia. Ou assim parecia. Encostei tudo aos cantos e deixei o centro completamente deserto. Observo todos os cantos, estalo os dedos e meto mãos à obra. Tentei sempre fazer o mínimo barulho possível para não gerar suspeitas. Ainda levou umas horas até tudo ficar pronto e aproveitei o resto do dia para descansar um pouco, embora os nervos não me permitissem tal coisa. Tentei lidar com a coisa bebendo uma garrafa de vinho sozinho.

Talvez não fosse boa ideia, pensei. Olha já está já está, já está…

Ouvi passos por detrás da porta da entrada que pararam uns segundos antes de ouvir a campainha. Consegui perceber claramente que estava a ajeitar-se para mim. O toque da campainha foi tão nervoso quando o meu estado espírito. Dirigi-me para a porta e abri. Sem espaço de manobra parecia que eu é que estava a ser recebido. Fui atacado ferozmente por um abraço como se um finalmente se tratasse. Parecia que os nossos corpos já se conheciam… Já estavam ligados… Esfomeadamente ligados e não demorou muito até que as nossas mão começassem a tocar e a deslizar pelos corpos aquecendo as almas.

– Assim nem chegamos ao favor! – Disse eu entre beijos.
– Tens pressa? – Questionou.
– De te sentir? Sim… – Respondi encostando-a na parede.

Esquecemos a sala e os nossos corpos moveram-se automaticamente para o quarto… Seguiu-se uma dança erótica entre duas almas, enchendo toda a casa com o odor a sexo. Havia coisas inacabadas do dia anterior. Fomes por saciar. No chão, na cama, na cómoda, na parede… Até que subitamente me puxou até à sala…

– Espera! Deveria ser eu a levar-te até lá. – Alertei.
– Anda e cala-te… – Retorquiu lançando aquele seu olhar.

Ao entrar na sala, senti o seu corpo paralisar. O cenário estava montado. Velas ainda a meio gás e pairava um cheiro bastante agradável. Mas não era isso que a congelava. Era o orgasmo que estava a ter apenas de observar. Dei-lhe tempo para se reencontrar e aproveitei para apreciar o momento. Ela tinha claramente gostado do que vira.

– Com que então… Isto é o favor que me querias… Shibari.
– Sim… –
A voz saiu-me rouca.

Observou mais uma vez as cordas penduradas e os ganchos. Virou-se para mim, esticou as mãos, mordeu o lábio e fez-se ouvir:

– Podes começar…

Oh sim VickyM… Isto está apenas a começar!

100Modos 69 Letras® 04.04.2017

Em reposta ao:

Pequenos favores…

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