Continuo a não ser o tal

O tempo passa mas os momentos ficam.
Sinergias passadas que não desistem de habitar neste presente.
Tento mas o tempo não passa.
Memórias a cores que tornam toda a realidade monocromática.

É uma angústia que nos pesa no interior. Que nos faz acordar, que não nos deixa dormir, que nos retira as forças e nos enche de desmotivação.
E valerá tentar combater isso? Sempre que ganhamos um pouco de expectativa lá vem algo que nos atira para mais fundo neste poço de emoções. As circunstâncias afastam os corpos causados por caprichos e tentações e neste palco em que chamamos de vida dá-se espaço para que a revolta pratique os seus ensaios.

Definimos, com o tempo, que todas as memórias farão parte de um passado que nunca de descolou de nós e avançamos. Bem, pelo menos assim o tentamos. Seguimos os nossos caminhos, sozinhos o com placebos, mas deparamos sempre com algo que nos transporta de novo para os momentos. Um loop infinito.

Um loop que por vezes de tão acostumados que acabamos por aceitar e cair numa melancolia diária.

Por momentos, não querendo, procuramos a pessoa, a tal. Não se trata apenas de desejo. Há um mundo à volta disso. Procuramos saber se ainda tem aquele sorriso, aquele jeito desajeitado, imaginar o que estará a fazer e o que tem feito. Através de imagens sentimos falta daquele perfume, do toque, das palavras que saíam da sua boa quando estava feliz. Do seu beijo.

Durante os minutos o nosso coração é invadido por uma triste felicidade. Alegre por ver a pessoa, triste por continuar apenas a observar. Ou… Pior que isso é vê-la com outra pessoa. Feliz, com as tais expressões. Derretida, segura, entregue. Mais uma vez desistimos. Deixamos o tempo passar e que tente assentar esta poeira mista de sentimentos. São marcas que nunca vão sair de nós.

Ou aprendemos a viver com isso ou sofremos com isso. Mas duma coisa eu sei. É que continuo a não ser o tal para ti.

©100Modos 69 Letras® 08.04.2017

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