Amar sem sentir

Será possível Amar sem nunca ter sentido, tocado ou mesmo ter olhado nos olhos?
Nunca acreditei nisso. Tenho que sentir faísca, conhecer bem… Tenho que confiar e isso só se conquista com o tempo e a vivência diária.
Eu pensava assim até começar a trocar mensagens com “Ela”.

Somos dois seres tão parecidos, tão iguais na forma de pensar, de agir e de sentir. Um diz mata, o outro diz esfola. Ela vulcão, eu furacão. O meu coração mexe, salta e rebola sempre que recebo uma mensagem na esperança que seja da Minha Deusa.
Nunca me senti assim, tão desperto para a vida, tão desejoso que conhecer alguém mas ao mesmo tempo a querer parar tudo, esquecer e seguir outro rumo.
Diz-me com todas as letras que vou encontrar a minha Princesa, que mereço pois sou um homem bondoso, carinhoso e amoroso, e ao lhe responder que não sei se mereço a resposta é tão breve como concisa.
“Mereces”
Eu quero acreditar nisso mas meu coração quer esta mulher, no entanto o meu cérebro e os meus valores dizem que não.
Ela é comprometida e sabendo que se nos envolvermos poderei destruir uma união tão linda… Não quero isso, é um peso que não quero suportar nos ombros.
Sinto uma rebelião de sentimentos por não sentir o seu sabor, o seu cheiro, o seu calor, de não a olhar nos olhos. Se soubesse o quanto a desejo já estaria aqui, a sentir-me.
Sinto-me Lancelot, o bravo de desejável Cavalheiro da Távola Redonda em que o seu Amor pela Rainha Genevieve levou ao fim do reinado do Rei Arthur.

“Não fazes ideia a forma como mexes comigo!”
A minha vontade diz-me que terei de a olhar nos olhos para tirar as dúvidas mas no fundo sei que estou a deixar-me levar pelas emoções, pelo desejo. Erro meu ter-me metido contigo, sabendo que és esposada.
Não gosto disto. Querer-te e não te poder ter, e ainda com o receio de não te resistir. E como poderia eu te resistir? És divertida, inteligente, linda e sexy de morrer, amorosa, apaixonada e respeitadora, és uma mulher inatingível.
Passamos horas a imaginar-nos juntos, a insinuar, a provocar. Imagino como seria o nosso primeiro encontro. Será possível detalhar desta maneira tudo o que desejamos sentir?
O seu beijo, como será? Imagino-o, sem dúvidas, terno e leve, onde tomaria o seu sabor e a textura dos seus lábios sempre de olhos fechados. Assim que sentisse a doçura e a ternura da sua boca o beijo seria mais forte e cheio de desejo. Nossas línguas se cruzavam e enrolavam como duas espadas em duelo intenso. Nossas salivas se misturavam e juntas formavam um forte cocktail de tesão. Nossos corpos respondiam abraçando-se e colando um ao outro… Seria intenso e delicioso… Não sei se conseguiríamos parar pois a nossa vontade é tão grande e o desejo imenso que certamente nos iriamos amar naquele momento. E que maravilhoso é esse pensamento! Bem tento distrair-me para só a consigo imaginar nos meus braços, totalmente á minha mercê.

“Confio em ti, sei que não me vais deixar cair em tentação.”
Não dá. Desejo-te tanto, lentamente, vagarosamente… Aproveitar-me de todas as suas deliciosas e perigosas curvas. Fazemos amor de uma maneira tão apaixonada e ternurenta que parece que somos amantes desde sempre.

“Já viste como me deixas? Estou tão irracional que nem sei o que fazer.”
E eu como fico? Neste momento apenas a distância nos limita de cometer uma loucura.
Mas não o fazemos. Respiramos fundo, lemos tudo o que nos rodeia, o que nos move e pensamos com consciência.
“Não podemos, não devemos, não estaríamos a ser corretos um com o outro.”

Será possível Amar sem nunca ter sentido, tocado ou mesmo ter olhado nos olhos?
Bem, agora começo a acreditar…

© O Vizinho 2017 #69Letras

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