Um instante preso no tempo

É aqui que me arrepio onde vos conto este momento sobre um instante preso no tempo.

Meses juntos, entre rotinas e adaptações temos de volta e meia esta revelações. Parecem sempre novidade, mas não, continuamos a ser avassalados por algo magnético que não sei se nos atravessa de dentro para fora se de fora para dentro.

É quando o nosso rosto só revela felicidade que o nosso olhar se agarra. Dá-se uma comunicação não verbal que nos arrepia a pele, onde tu sabes e eu sei que sentimentos nos fascinam e na mesma medida nos atormentam. Neste presente amamo-nos intensamente, mas segundos depois corremos até ao futuro e ao medo de um dia ficarmos um sem o outro. Quando a felicidade é tanta, não cabemos de contentamento o sorriso transforma-se em lágrimas numa mescla de sentimentos, bons e maus.

Não dizemos nada.

Só nos olhamos e de uma forma que só com a magia do amor nos é possível, lemo-nos além da pele e nos olhos um do outro expusemos a nossa alma, de forma tão sublime e cristalina como a água, assim foram as nossas emotivas lágrimas.

Abracei-te.

Afaguei-te os cabelos e acarinhei-te no meu peito e disse:

Eu sei. Também me sinto assim.

© Cátia Teixeira 69 Letras 2017

 

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