Um dia …

 

Porque existem caminhos que devem ser percorridos…

Conheceram-se por acaso.

Os únicos lugares vagos na esplanada da Rua Augusta.

Partilharam a mesa, acabaram por sorrir e conversar. Gostaram da companhia um do outro e passaram a ser companheiros de refeição, a partir daquele dia. Debatiam assuntos, falavam das famílias, do stress diário, de sonhos…

Sem se aperceberem, acabaram por falar de desejos… Desejos íntimos. A relação mudou. Deixaram de debater, começaram a olhar-se de outra forma, o desejo tornou-se real, entre eles…

A primeira vez foi num hotel, daqueles com janelas enormes e vista sobre a cidade…

Foi algo explosivo…

 Pela primeira vez ela sentia-se livre, sem limites, sem fronteiras.

Pela primeira vez deixou de estar presa aos seus próprios tabus e voou …

Depois deste, vieram outros e outros tantos. A cada dia que passava as fantasias eram mais ousadas, mais sem limites, aquele lugar tão privado tão deles era perfeito. Sentiam-se tão confiantes um no outro, seguros nos seus desejos, vontades e em quem eram …

Um dia, depois de um beijo com sabor a mundo, ele disse:

 ” Desculpa, acabou…”

E ela respeitou. Não questionou. Não correu atrás…

Sabia que esse tempo iria chegar…

Com tristeza no olhar e dor na alma.

 Fechou aquele universo de sentidos, numa gaveta da alma e caminhou…

Ela sabe que ele continua com o sabor dela na mente, como um corpo invisível e eterno, assim como ela tem o dele.

 Talvez ele ainda se sente, naquela esplanada, onde o acaso os juntou e olhe em redor, procurando vê-la nas tantas pessoas que por lá passam …

Ela continua a recordá-lo com um misto de tristeza e de sorriso nos lábios, mas nunca mais por lá passou ….

©The Oyster 2017 #69Letras

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