Sonho de meias noites

Eu e os meus sonhos…
Cheguei ao ponto de não os tentar justificar de qualquer forma… Buscar o significado das incongruências do meu subconsciente ainda me deixa mais perturbada do que conviver com ele…

Limito-me a sonhar… E acordar ora sorridente, um sorriso cândido, puro, tranquilo… Ora acordar de coração na garganta, acelerado, descompassado, olhos a tremer nas órbitas…

Esta foi daquelas noites que se passaram no breu da minha alma perturbada…

Acordei de mau humor, aquele que me é reconhecido a milhas de distância, aquele que me cria e fomenta ódios de estimação, aquele que desperta as minhas opiniões mais sinceras e cruas…

E o mais engraçado (que não tem piada nenhuma) é que nem me lembro dos sonhos que me acompanharam nesta noite, curta como todas as outras, insuficiente…

Sei que não foi a angustia que me acordou, não foram pesadelos, não foram arco íris mas também não foram tempestades…

Sei de cada uma das notas dos meus arquivos que teimam em me manter em estado de alerta, sei dos meus medos, sei dos meus fantasmas, conheço-os bem, aprendi a viver, a conviver com eles numa guerra fria…

Não foi nada disso!

Foi antes um sentimento de tristeza, uma esperança remota que está presente e que me obrigo a afastar, uma vontade, um motivo de sorrisos à luz do dia e de suspiros pesados alumiados pela lua…

Ah! És tu, estás aí, eu sei… Não és fantasma nem quero que sejas, quero antes o contrário… Fica, não me deixes… Ainda que suspire porque sim e porque não, sorrio agora que abri os olhos e o sol reflete o brilho, o nosso brilho…

 

© VickyM 2017 #69letras

 

Na foto: Cláudia Osório aka Sininho

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