Sabes e cheiras a primavera!

 

Já a primavera me sabes, negra, com que te iluminas, nos braços com que te pintas, carregas flores de pétalas abertas, na alma carregas toda a liberdade, toda a força com que te minas, para enfrentar as adversidades do dia a dia, vontade de descobertas.

Já de primavera me enfrentas, rebeldia, mar revolto por de momentos, fogo que trazes no corpo escondido, olhar repleto de ondas de prazer, quadro com que me pintas, tentas, deixas-me embevecer em tormentos, foragido em teus braços, compassos de espera, dias de conhecer e ler.

Já de primavera descansas, em meus braços quando me alcanças e ficas no ar, riso, sorriso, gargalhar às vezes e consigo gargalhar também, poetisa das cores, palavras mansas no corredio da vida, tanto somos dois, como um só corpo a pairar, lado água, lado de poesia que tens e eu bebo de um só trago, tuas são minhas cores.

Já de primavera me tens, fotografas o que há de melhor em mim, cobres-me de giestas, poemas homéricos, grafonolas e danças que me ensinas, alcanças e descolas, voando, pousando em meu peito quando me deito, vaticinas dias de preto e branco, festas, porque é assim que me vês, a duas cores, amores de cinema, poema em lume brando.

Já de primavera cobres meu outono, dono nunca serei, nem teu rei, xadrez, mulher rainha, moves as tuas peças com força e mestria, ganhar não existe, existes tu, vida, no tabuleiro,  da noite fazes dia, teu calor subsiste de alma liberta que meu coração conserta numa adivinha, difícil de desvendar, mas que tu consegues entrar, pintas e eu escrevo, poema meu, teu marinheiro.

Já de primavera teus olhos, são todos os campos descobertos, grutas e mares cobertos de fundos coloridos, céu, Marte e os Anéis de Saturno te cobrem, como capas que abrigam teu corpo, eu fico, em ti, quando me chamas, quando pela alma me clamas, porque sentes-te poisar, como uma asa descolar, para me abraçar todos os sentidos, eu fico, sempre que queiras, sempre que te abeiras, devagar pé ante pé, bailarina em pontas, eu e tu, duas almas tontas.

© O Inquilino 69 Letras 2017

 

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