Quando a amizade acaba em… Amizade.

Chego ao nosso belo prédio depois duma noite de farra com as minhas amigas e o cenário à porta do vizinho repete-se.
Encosto o ouvido à porta dele, como faço tanta vez em segredo e oiço os gemidos de mais uma mulher. Suponho que sejam diferentes, pois seus gritos de prazer são distintos.
Toda a gente sabe como sou curiosa…
O que terá ele? O que faz ele assim de tão especial? Alguma coisa boa é de certeza, ora não estivesse praticamente todas as noites acompanhado.
Mas o quê?
Vizinho, vizinho, qual é o teu ingrediente secreto?
A curiosidade leva-me à loucura… 

 Steel… Já à muito tempo que esta miúda me deixa perturbado, sexuado mesmo! De todas as vezes que passo por ela sinto um esgar pois a sua trapalhice que a circunda deixa-me confuso, aliada à sua sensualidade de mulher bem resolvida deixa me excitado…

Sei que entrar à socapa, no meio da noite pela janela, não é bonito mas quero ver do que o vizinho é capaz.
Sigo os gemidos até à sala dele e quase que se me corta a respiração com o que vejo.
Uma mulher que cavalgava o vizinho no chão com um olhar extasiado em prazer. Porém ele parece-me tranquilo. Como se não estivesse ali…

 

Fod@-se! Não consigo tirar a Steel da cabeça! Será que ela cavalga tão bem como esta mulher? Saberá circundar e cavalgar desta forma dolorosa mas tão saborosa? Terei que a convidar para um café…

 Minhas pernas estremecem, Steel o que estás a fazer mulher? Tenho de fugir daqui o quanto antes!
Volto para trás mas tropeço no tapete e….

 

– Steel? Tu… Estavas aí à muito tempo??
– Desculpa… Mas ouvi gemidos e…
-Pensaste em te juntar à festa?

 – Eu?! Não….. Vou sair…. Ou espero que ela saia…. Desculpa vou sair…
Viro costas e saio a fugir só parando na mesma janela por onde tinha entrado.
O que irá ele pensar de mim? Que sou uma tarada, pois claro! Ai Steel!
Mas no fundo, queria mais era que ele se despachasse da outra, como eu gostaria de dar só uma lambidinha no manjar do vizinho… Gosto pouco de dividir pratos com outras! 

 

Acordo com o raiar do dia na janela, só mas com vontade de ter com companhia…
Café… Não tenho… Boa desculpa para bater à porta da Steel.
Só de robe bato à porta e com o seu ar despenteado e sonolento pergunta-me.:
– Bo-bom dia Vizinho! A que devo esta honra?
– Bom dia Steel. Fiquei sem café e preciso de espevitar. Tens algo para me ajudar?

 Depois de pestanejar 45 vezes seguidas, constatei que não estava a sonhar e que o vizinho, aiii que vergonha, estava de facto a entrar-me pela porta adentro de robe e a passear aquele rabo delicioso à minha frente!
Steel, deixa de mariquices e atira-te ao osso!
–  Café? Claro! Só tenho um problema! Acabou-se-me o açúcar. Achas que consegues dispensar o doce por hoje?
Debruço-me sobre a mesa enquanto lhe ofereço o café e nem reparo que deixo ver um pouco mais do que o decote da camisa de dormir.


– Steel, Não sou de dispensar um doce…
Digo isto olhando-a de cima a baixo, fixando me nos seus olhos brilhantes (de sono ou desejo? Até eu me confundo). Reparo que estas palavras tem efeito sobre Steel pois está a morder o lábio e a suspirar…
– Estás bem Steel? Pareces… ofegante…

Enquanto meu coração falhava uma batida aqui e ali, finalmente ia descobrindo o porquê do fascínio das mulheres pelo vizinho.
Aquele olhar doce combinado com um ar sensual desarmava qualquer uma.
O problema foi eu ter deixado de filtrar o que me saía boca fora…
-Despe-te!

– Posso acabar o café primeiro?
Steel começa a rir que nem uma perdida e eu não aguento pois tenho que admitir que este momento passou de surpresa para cómico, tudo num espaço de 0,5 segundos…
Steel foge da sala desaparecendo por minutos. Acabo o meu café e instintivamente dispo o robe (vício), e nesse preciso momento Steel entra na sala.
– Vizinho!
– Sim Steel. Não me disseste para despir?
– Oh pah! Foi sem querer!
– Queres que me vista?
Envergonhada e corada Steel liberta um não de uma forma tão inocente mas ao mesmo tempo noto reparo que ela está a morder o lábio inferior…
– Steel, não faças isso…
– Isso o quê Vizinho?
– O lábio… Não mordas… Não me responsabilizo pelos meus atos…
Tão depressa digo isto que já estou a ser invadido pelos braços de Steel, pela sua boca e por todo aquele corpo apetitoso…

 Há momentos em que perdemos noção do tempo e espaço. E eu viro selvagem!
Sim, lancei-me aquele pedaço de mau caminho e perdi-me em prazer!
Extasiada, sem regras, louca e esfomeada! 
Entre beijos quentes me deixo levar pelo momento…
Contudo reparo que ele treme, agarrado à minha cintura, enquanto nossos corpos se tocam nus pela primeira vez.

 – Porra! Estou com baixa de açúcar! Tenho que comer! 

Liberto-a dos meus braços e vou até ao frigorífico pois estou a desfalecer e a tremer por todo o lado. Bolachas Oreo… Bom gosto Steel! 

– Vizinho, tenho bolas de Berlim – diz me Steel com um olhar de quem lhe tiraram o seu brinquedo preferido…

Ãh! Quê?
Ora está uma pessoa sossegadinha em casa, vem um vizinho que lhe crava o café, despe-se, deixa-me de água na boca e afinal tudo o que queria era OREOS !!
Bom… Sempre são OREOS! E de morango, as minhas preferidas!
– Tens razão! Passa aí o pacote!

 – Pacote? Hum… Steel, para trincar ou para lamber?
– Vizinho, não provoques se não me vais comer..
– Mau! Estava a falar das bolachas! És tão tarada! Não tens emenda!
Steel fica sem reacção. Talvez não goste que lhe chame tarada, sabendo eu das constantes espionagens que me faz à janela do meu quarto mas mesmo assim fico expectante com a sua próxima reacção…

 – Tarada? Eu?! Vizinho, tu tens uma mulher nova na tua cama dia sim, dia não!
E comigo nada! Será que sou feia? Cheiro mal? Ah já sei!
– Vizinho, faço-te lembrar alguém? É por isso que não queres nada comigo? Sei lá, uma irmã ou prima?

Agora que falas quem está a cheirar mal sou eu…
– Txii! Que bedume! Olha, vou ao duche! Ainda desmaio com tamanha pestilência!
– Oh Dom Juan! Alguém se está a queixar?

– Deixa-te estar e vamos ver um filme juntos. Escolhe um qualquer menos romântico…
Só espero que ele não escolha nenhum de zombies, detesto! Tenho tanto medo que me mijo toda.
Entretanto o segundo pacote de OREOS abre-se e uma manta no sofá desenrola-se.

– Steel, achas mesmo que depois de me veres semi nu que vou me deitar no sofá a ver um filme? Vamos, anda ao duche também!
Steel fica imóvel sem nada dizer, olhar pálido e de boca aberta. Dou lhe um terno beijo acordando-a de uma espécie de hipnose ao mesmo tempo que a puxo para mim.. 

O meu cérebro já deu um nó um milhão de vezes! Mas afinal o que quer o vizinho de mim!?
Aha já sei!
Preparo um bom banho de espuma, dispo o resto que havia para despir do meu corpo, ainda esfomeado mas controlado,olho para o vizinho e trinco os lábios propositadamente. Ele contorce-se, sua respiração acelera e observa-me impávido e sereno enquanto me enfio naquele banho delicioso.
-Sei o que queres vizinho!
-Sabes?!
-Sim mas vais ter de merecer!
-Faço qualquer coisa!
Mostro-lhe um patinho de brincar na água. Os seus olhos iluminaram-se!
-Eu deixo-te brincar com ele mas primeiro lavas-me as costas!

– Menina Steel. Nem imaginas o quanto me deixas feliz! Boas recordações de infância este patinho me traz, onde era um miúdo despreocupado e sem grandes pressas na vida… Adorei!
Vá, vira-te então. Hoje terás o mais belo e intenso banho da tua vida sempre acompanhados pelo belo patinho de borracha.
– Steel, sabes o que me apetece depois do duche?
– Diz me Vizinho… – Steel de imaginação bem lá no alto.
– Um cheesecake de Oreo! Alinhas?
– Ui! Steel na cozinha com o Vizinho! Vai ser bonito vai!

©Miss Steel 69letras 2017

©Vizinho 69letras 2017 

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