No idos de Março…

Engraçado…
Já nem me lembro quantas vezes eu aqui me sentei, quantas vezes eu aqui chorei, nesta velha pedra de seixo afagado, que teimosamente aqui permanece para me ouvir em silêncio, quando desesperadamente preciso de ti.
Será que ainda te lembras?…
sabes,…foi aqui que eu te conheci….
Foi nos idos de Março, do longínquo 95, que aqui, pela primeira vez, ousei falar-te, eras tu ainda uma menina.
Talvez não tenhas memoria, mas foi aqui, sentados, a contemplar o mar, que enamorados trocamos juras de amor eterno, e que pela primeira vez saboreamos um beijo salgado.
Talvez nem te recordes, mas tatuamos esta velha pedra de seixo com as nossas iniciais, que ainda hoje permanecem visíveis, embora gastas, quase tão gastas quanto o nosso amor…
Sabes,…
Por vezes ainda cá venho em silencio…
não digo nada, permaneço quieto, recosto-me, fecho os olhos, e deixo que a brisa do mar me traga de novo o teu cheiro, que me embrulhe nele, que me abrace, que te faça presente.
Por vezes,…
deixo até que a maresia salgada se crave no meu rosto, nos meus lábios, como tu me fazias, enquanto que me olhavas com esses olhos meigos de promessa.
Sabes,…
Gostava tanto que o nosso amor tivesse sido eterno, como será eterna esta rocha de seixo afagado onde me sento, mas na verdade, o nosso amor não passou de uma mão cheia de grãos de areia, sedimentados, desconexos, que ainda hoje eu teimo em trazer comigo no peito… somente para me atormentarem.
#PSassetti 69Letras169® 02.03.2017

Deixar uma resposta