Eu e o meu outro eu

Pois bem, hoje deu-me para falar do meu eu. Muitos provavelmente não lhes ligam muito, outros têm um maior contacto. Mas acredito que cada um tem a sua própria dedicação. Não são apenas elas que cuidam da sua. Nós também temos os nossos cuidados e devemos sempre reconhecer os seus sinais.

Perguntaram-me:

– Que relação tens tu com o teu pénis?

Ora…

Eu tenho uma relação muito próxima com o meu, convivemos muito perto e somos muito amigos desde infância. O nosso primeiro contacto mais directo começou muito cedo, aos 12, mas sempre com respeito.

Lembro-me perfeitamente que às vezes quando nos encontrávamos esboçava uma alegria imensa e uma vontade súbita de assistir a umas curta metragens de cariz caseiro.

Todavia, a certa altura, começou com uns comportamentos que na altura me estranharam. Mesmo assim agradava-me, deixa-me tranquilo e saciado. O ritmo das conversas foi aumentando, não havia horas para comunicarmos. Nem sítio. Às vezes debaixo dos lençóis, no banho, no sofá, a observar certos tipos de literatura e entre o famoso zapping entre o canal 18 que a partir de certa hora deixa de me provocar estrabismo.

Mantivemo-nos fiéis até aos 18 onde esta intimidade era apenas e somente nossa. Talvez por receio e uma pitada de vergonha mas o contacto diário foi cumprido. A partir dos 21 a coisa mudou. Ficou viciado no contacto. Não apenas comigo. Com o tempo foi aprendendo o meu lugar e o meu espaço, tempo de antena vá. De manhã arranja sempre um tempo para desabafar. Durante o dia sou eu que o encaminha.

Muitas vezes ele exige de mim algo que no momento não posso dar, mas é como tudo, cada coisa tem que ser a seu tempo. O mesmo acontece comigo, às vezes exijo demasiado dele ferindo o seu ego. Normalmente quando isso acontece, deixo-o uns dois dias no seu espaço. Auto soluciona-se.

Nos dias que correm ainda possuímos uma relação muito chegada e conseguimos partilhar este laço com mais alguém. Evidente que numa primeira fase houve algum atrito que facilmente foi dominado pela vontade e paciência.

É sempre um happy ending.

A nível físico tenho sempre muito cuidado com ele. Apresentável, sempre asseado e com o seu perfume próprio. Não se pode ser apenas um Clooney de aparência superficial 😉

E vocês?

©100Modos 69Letras® 09.03.2017

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