Estou fod*** sem que me tenhas fod*** ou tocado com um dedo

 Não sou nada de andar assim ansiosa do que parece que conheço sem conhecer.
Praguejo! Arvoredos para aqui, frutas para ali, caminho furiosa, arfo e suspiro, abano a cabeça baralhando os pensamentos tentando afastar-te e expulsar-te.
– ‘Xo’, Sai!
Não podes simplesmente chegar e perturbar-me assim. Não. Passo as mãos na cara, penteio e despenteio os cabelos, desalinho-me toda tal como me sinto por dentro. Que chinfrim faz dentro de mim. Um misto de sim e de não. Um frenesim musical que me transforma num vidro prestes a rebentar. E emociono-me pela onda de calor que dentro de mim se faz, como se dentro de mim uma luz se acendesse como se tu fosses o comboio que quero que percorra por meus caminhos de ferro ferrugentos… escondidos de um beijo de amor ou de um toque de calor…!
Sinto-me fácil por estar assim sintonizada em ti, saudosa do que ainda não veio e certa da profundidade que me trarás. Era bom que tudo isto fosse ligeireza de pensamentos ou apenas palavras digitadas, mas no voo da minha mente já despertei várias vezes ao teu lado docemente no rescaldo de ínfimos minutos de infindável prazer…

e nestas notas mentais só sei que te quero…

um pé de cada vez até ao teu alcance chegar…

e depois fod3-me de uma vez.

 © Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016

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