Escondidos atrás pseudónimos

Desde que te conheces e começaste aprender a escrever, que todos os papeis, cadernos, até folhas de jornal, eram escrevinhados por frases, poemas de tudo o que vias e sentias.
Achaste que seria baboseira escrever algo que jamais alguém ir ler. Juntaste cada pedaço da tua vida e sentimentos, naquelas folhas e guardaste-as no baú.
A vida nem sempre te sorria, dava-te alguns pontapés, quebravam-te. Tens aquela sensação de que mesmo que grites o que te vai na alma. Não sai.
Mas quando pegas numa caneta, nas folhas brancas e nuas e, escreves….Escreves o que não te conseguia sair da garganta.
Rasgas as tuas palavras naquelas folhas virgens. Deixas a tua alma sangrar e libertar todo o peso que suportas, naquele caderno.
Mais uma vez quem vai ler?
Ganhas coragem e resolves mostrar a alguém muito próximo, amiga ou familiar e pedes a opinião. Dizem-te: “- É bonito! É para algum trabalho ou projecto?
Interrogaste. “- Não! Escrevo porque amo escrever. Escrevo aquilo que não consigo verbalizar.”
Se quem te rodeia no dia-a-dia descobrem por algum acaso, esse teu Hobbie. Esse teu segredo.
Questionam-te. “- O que é aquilo? que parvoíces são aquelas que escreves.? Onde te lembraste de escrever estas obscenidades?”
Dizem para cresceres, teres uma profissão decente e honrada. Porque escrever tretas não coloca pão na mesa, nem te sustenta um tecto.
Até poderá ser. Mas, mesmo assim a escrita consome-te, esta-te nas veias. Não perdes o impulso, porque é algo que amas fazer, é a tua forma de te expressares.
Sufocada pela família e sociedade rendes-te à satisfação deles e arranjas algo palpável para eles. Mas nas tuas pausas, no canto do teu quarto, despejas todo o teu tormento, toda a tua raiva e paixão. Escreves até perderes as forças nos dedos.
Dos numerosos cadernos que tens, passas a tua escrita para computador. A receio vais publicando um ou outro texto em blogs, mas não assinas o teu verdadeiro Eu. Usas um pseudónimo.
Conforme vais enviando, os teus textos são acarinhados, elogiados. E vês que, não estás sozinha. Há quem sinta o mesmo que tu, que esteja a passar a mesma fase que tu.
Sentes-te bem, o teu ego eleva-se, mas continuas a não ter coragem de mostrar quem és.
Continuas a esconder-te atrás de um pseudónimo.
Com o passar do tempo, tudo o que escreveste, está exposto, publicado.
Estimam-te, enchem-te de elogios. Um Hobbie passa a um projecto.
O que fazer?
Como vais continuar?
Tens de dar a cara, assumir o teu pseudónimo, mas não consegues. Estremeces só de imaginar o que poderão dizer de ti, tanto a família, amigos, conhecidos.
Receias que te gozem, que te vejam de forma diferente.
Dizes NÃO. Não te queres expor assim. Recuas todos os passos que deste.
Agora, pergunto-te. Porquê?
Porque te escondes? Porque desistes?
Se tudo o que mais amas é escrever. Faz-te sentir viva.
Porque te retrais de medo por uma minoria, quando a maioria te aplaude de pé, te elogia e incentiva.
Que te fazem, perceber que não és a única a sentir.
Que se identificam com os teus desabafos, como se lhes lesses a alma, com os teus desejos, fantasias.
Tens medo que te chamem de leviana? E dai?
Antes uma leviana com alma, garra e sentimentos, do que uma céptica vazia, oca de sentimentos.
Eu, Lola, escrevinhava textos, escrevia em papel tudo o que sentia.
Nunca fui incentivada por ninguém e todos sabiam que eu escrevia.
Mas existem aquelas pessoas que passam na nossa vida por algum acaso e nos dizem -Escreves com o coração, com a alma. Porque não escreves um livro, porque não fazes uma página só tua?
Respondi, porque não achava que fossem ler. Disseram-me. Tenta, tentar não custa.
Meio a medo assim o fiz. Os resultados foram superiores às minhas expectativas.
Escrevo seja de que assunto for.
Escondi-me atrás de um caderno durante muitos anos.
HOJE, escrevo para todos vós, o bom, o mau, as minhas loucuras, as minhas tristezas, as minhas fantasias.
Dou a minha cara, o meu nome, a minha alma em tudo o que faço.
Se irei ser bem aceite por quem me rodeia não sei, e simplesmente nesta fase já não quero saber.
Sabem porquê?
Porque vos tenho a Vós, que me fazem sentir que não estou sozinha.
Que vos posso continuar a ler a vossa alma, até onde a minha vista possa alcançar e até onde os meus dedos me deixarem percorrer cada espaço das folhas.
A todos os que escrevem, aos que partilham os seus textos não se escondam.
Não tenham medo de ser quem sois.
Não deixem de alcançar o que mais amam….
ESCREVER….
©Lola 2017 #69Letras

Deixar uma resposta