Desespero

Muito já viveram momentos angustiantes de espera. Horas sem fim aguardando o dia em que a pessoa regresse. E isto poderá ser visto de várias formas. Alguém querido que está ausente, em viagem, no trabalho ou em férias. Sinceramente não sei o que custa mais. Se o facto de vermos a pessoa partir ou o aguardar que a pessoa regresse. Aquela facada de vermos alguém partir quase se assemelha a um monte de areia a fugir-nos pelos dedos das mãos ou a impotência de tentar ver algo ao longe e não conseguir focar, onde há dias que vemos melhor e noutros nem por isso. Todos a certo ponto temos que enfrentar algo deste género, felizmente ou infelizmente.

Escrevo isto porque é o que sinto de momento. A espera é sempre corrosiva, incontornável e de uma solidão tremenda. Mesmo que acompanhado remotamente nesta solidão não há quem nos acompanhe fisicamente. Não se trata de tristeza ou depressão. Mas sim de uma ânsia. Uma ânsia de te querer a toda a hora nos meus braços e não te deixar fugir mais. Mesmo sabendo que é uma questão temporária. E mesmo sabendo que de trata de algo um tudo nada egoísta. Poderia ter pedido para ficares. Bastava apenas um monte de palavras e talvez tivesse mudado as coisas. Talvez seja injusto. Será errado pedir a alguém que fique? Não sei. Provável. Mas a cada dia que passa penso que o deveria ter feito.

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