Chuva

É de loucos eu sei!
Mas a verdade é que só esta água fria que se despeja na minha pele quente em forma de gotas, que brotam do céu, me alivia o inferno em que deixas o meu corpo.
O teu odor que se liberta de mim na evaporação deste contraste de temperaturas só me enlouquece descontroladamente, faz-me crepitar o desejo que ainda há pouco foi atenuado na minha cama.
Minha que se torna tua a partir do momento em atravessas a porta e sem dizer uma palavra te despes e me despes e, num beijo sufocante gritas toda a luxúria que te habita e que me alimenta.
Me usas a teu belo prazer e eu secretamente anseio que o faças, as marcas das tuas unhas nas minhas costas e nas minhas nádegas reflectem a intensidade e voracidade dos nossos orgasmos. É muito mais do que físico, as nossas almas se unem e se degladiam livremente na procura do clímax perfeito, enquanto os corpos se devoram até à exaustão humana.
No final fica este intenso cheiro de coito no ar, os lençóis desalinhados e eu, nu a desinfectar os meus arranhões na chuva com a essência do teu beijo nos lábios e uma ereção entre as pernas a pedir que voltes para me secar.
© Bastardo 2017 #69Letras

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