A Primavera

Não deve ser por engano do criador, que num dia fez nascer a Primavera, e no dia seguinte nos ofereceu a Poesia.
Não deve ser por engano…
Não deve ser fruto do acaso, nem tão pouco por coincidência, pois não me consta que existam erros divinos.
É quase como se nos quisesse dizer, que a renovação plena deve iniciar-se na natureza, com a sua força inigualável,
e estender-se com a força magnânima e fecunda de um poema até à nossa alma, para a purificar, pois só assim poderemos transformar-nos verdadeiramente, e por fim florir.
Na Primavera renovam-se as vontades, canta-se à alegria, bebe-se ao amor.
Na Primavera, as borboletas aos milhares invadem os nossos campos verdejantes e os ventres dos mais felizes e bafejados pela sorte, aqueles que ousaram abrir a porta do seu coração.
Na Primavera arrumam-se as amarguras no baú negro das recordações más, fecha-se a porta ao negrume, aos espasmos de alma.
Esquecem-se os sonhos inquietos do inverno, os suores frios da solidão e abrem-se as janelas da mudança.
Na Primavera tudo se renova, tudo se transforma, tudo é diferente,
os riachos correm agora livres por entre as pedras de seixos que brilham, como que a lavar-nos a alma,
os pássaros cantam agora mais alto, como que a declamarem poemas de agradecimento ao criador.
Em nós, vive agora a vontade de viver, renovada, enxuta, arejada, livre como a brisa calma que nos toca no rosto.
Na Primavera tudo é diferente, até as folhas se renovam, imagine-se….
©PSassetti #69Letras 21.03.2017

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