A menina do papá (que não fui)

Nunca te conheci verdadeiramente… Conheci pedaços de ti, soube detalhes teus, ouvi sobre as tuas particularidades, a tua inteligência, a tua forma de estar… E reconheço-me em ti, reconheço-te em mim…
Encho o peito de orgulho para dizer que sou tua filha. É isso, sou filha do meu pai. Com tudo de bom e mau que isso tem, mas nunca soube bem o que era ser tua filha…
Nunca fui embalada no teu colo, nunca te mostrei as notas da escola, nunca levei um raspanete por asneiras que fiz. Partilhámos alguns momentos juntos e acredita que para mim significaram o mundo. Ainda oiço a tua voz tão caracteristicamente anasalada a dizer “Olá filhota!” e guardo em mim todas as vezes  o disseste.
Tivemos pouco tempo juntos. Uma grande injustiça do universo, sabes?

Queria ter chegado mais perto…

A verdade é que quanto mais fui sabendo de ti, mais completa me sentia… Eras tu o pedaço que me faltava, a peça que me encaixava. Eu, este puzzle que se encaixou bem onde era suposto…
Enfim, não te guardo rancores… Talvez a culpa de tudo isto seja só do destino…
Hoje que mais uma vez queria estar perto e não posso, vou à nossa caixinha e bebo-te mais um bocadinho…
Meu Pai… Brinda comigo onde quer que estejas e sorri… A tua filhota é feliz à sua maneira!

Ah, não precisas responder, mas obrigada por também me teres guardado.
Sim, eu sei…

© VickyM 2017 #69letras

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