Densidades

O ar compenetrado e meio sisudo do dia a dia, traduz-se num manter a distância das pessoas, pelas quais não nutre o mínimo interesse. A mulher cinzenta do dia, que durante a noite devora livros e sites eróticos. Que tira a roupa que lhe circunda e amarra o corpo, mal chega a casa, e se transforma. Transforma-se num ser quente, voluptuoso, ardente de  voz sensual, profunda. A sua procura por densidades de sentires diferentes da monotonia do escritório, daquelas mentes, germinadas em provetas, de pensamentos  desprovidos de desejo, de fogo…

Já passou a fase do sonho, do imaginar… Um último olhar no espelho, para o retoque na maquilhagem, e ver como o vestido preto lhe assenta na perfeição. As suas curvas generosas, os seus seios fartos, os saltos altos, sem nada por debaixo… É assim que gosta… De não se sentir restringida pelas peças de roupa interior.

O táxi já a espera. Leva-a ao bar de sempre. Sem perguntas, sem insinuações. Têm entre si, um acordo de silêncio, com horas marcadas nos sítios assinalados.

Como gosta destas saídas, da antevisão do que poderá acontecer… do poder que detém e de como abre mão dele… Sim… e da exposição… Excita-a a exposição, a oferenda do corpo a um outro corpo… As mãos que lhe tocam, as que lhe querem tocar… A sua entrega é completa, intensa… É ali, no meio de tantos e tão poucos, que afugenta os seus demónios; que leva o seu corpo a um estado de absolvição total…

 

#TheOyster 69Letras® 27.02.2017

Deixar uma resposta