Doze badaladas

| Conto Erótico | Maiores 18 |

 

Primeira badalada… Gosto de ti porra… Segunda badalada… Contigo a fome nunca passa… Só aumenta… Terceira badalada… Adoro-te atrevida e ousada para comigo… Quarta badalada… Quero mil vezes o que tive este ano que acabou… Quinta badalada… Quero possuir-te mais e melhor… Quero concretizar todas as tuas fantasias taradas que me contaste e muito mais… Sexta badalada… Olho para ti e acho que tu me completas… Sétima Badalada… Contigo o meu calor aumenta e a fome triplica… Oitava badalada… Está quase a começar a festa… Nona badalada… Começam a ficar difícil de desejar mais sexo… Mais cumplicidade… Décima badalada… Quero-te muito… Quero-te vestida ou despida… Na minha cama ou onde calhar e apetecer… Décima primeira badalada… Só agora reparei no bem que fica a minha mão no teu rabo… Quando dou aquela palmada ou quando pego e aperto… Décima segunda badalada… Ultimo desejo… Eu e tu… Agora e já… Aqui mesmo… Eu dentro de ti… A tocar sinos toda a noite… Próxima paragem… Paraíso dos orgasmos…

 

Desejos de fim de ano para o ano que se aproxima… Ser feliz… Ter muito sexo… Ter o meu clube campeão… Poder dar passeios românticos na praia em dias de chuva… Ouvir os relâmpagos a cair ao longe e ter junto a mim… Apenas o sussurro da tua voz… O toque das tuas mãos no meu peito… O poder olhar num dia cinzento o teu sorriso… Se estás feliz… Eu estou feliz… Se o dia está cinzento… Depressa é um dia de verão…

 

Não te posso dizer o quanto te quero… Pois sabes bem o quanto te desejo… Sabes desde o mesmo em que acordo e sentes os meus lábios no teu corpo… Procurando pelo nosso prazer… Quando te toco nos lábios com os meus e te desperto… O teu sorriso depois do beijo… A almofada que lanças para mim por ter dado cabo do sonho que estava quente… Devo agora aquecer o teu corpo… Perco-me em beijos… Pelo teu pescoço… As tuas orelhas… Afundo o meu corpo nos lençóis e sorvo os teus mamilos nos meus lábios… Anseio sentir eles duros… A língua que se perde em toque… Aquelas trincas suaves… O sentir os mamilos rijinhos… Duros… E eu pronto para continuar a minha viagem… E desço mais… Tu preparas-te pois sabes o que quero e afastas as pernas… Acomodo-me entre elas e sinto elas a fecharem em torno da minha cabeça… És a minha prisão… E eu adoro ser o teu prisioneiro… Quando sentes aquele toque dos meus lábios… Aquele arrepio que começa onde toco e percorre todo o teu corpo que anseia por outro toque… A língua atrevida que se mostra e toca suavemente… O toque da língua no teu sexo… Que desliza suavemente dentro de ti… Sente-se o apertar das pernas na minha cabeça… Bom sinal… É o caminho certo… Perder-me no clitóris… Saborear o teu sabor… Apreciar os teus gemidos… E o dedo atrevido que brinca em ti… A tua humidade quente que me deixa louco… Sorvo o teu corpo de mil prazeres… Mil toques em ti… Gemidos sem fim… Sinto as tuas pernas relaxar… Libertas-me da tua prisão… Subo teu corpo… Olho nos teus olhos… E tu desejas-me… Eu sei que me queres… E me encaixo em ti… Deliciosamente dentro de ti… Sinto as tuas pernas entrelaçadas na minha cintura… A minha prisão voltou… Procuras os meus lábios… Procuras o nosso beijo… Mordiscas o meu lábio enquanto deslizo no teu corpo… Olho para ti… Para o teu ar de excitação… A tua fome… A minha fome… A nossa tesão… Os beijos… Corpos despidos que se saciam de desejos um do outro… Prazeres… Gemidos… Orgasmos…

 

Prende-me… Em ti…

 

 

NMauFeitio #69Letras

E volta e meia damos por nós sentados na mesma mesa que essa pessoa

Há ligações que nunca se perdem. Laços criados, há muito construídos, inquebráveis que nem a distância desune. É por vezes incompreensível. Podemos não ver alguém à dias, meses, anos e volta e meia damos por nós sentados na mesma mesa que essa pessoa.

Sim, essa estranha sensação que nos conecta. Um ardor misturado com um gelar que desperta o nosso coração e nos faz tremer. Uma inquietude tremenda que faz com que os nossos olhos não escapem a esta atracção.

Inconformados com a realidade, surge a necessidade de controlo. A cobiça, a curiosidade, a posse. Não estamos eternidades com a pessoa e a ideia de concluir que o que nos separou foi o que nos uniu é medonha. Medonha ao ponto que sentirmos que estamos num paradoxo completamente afundado no desejo desamparado e surpreendido.

Estes momentos nunca se adivinham, não se programam, podemos montar esquemas e não é o mesmo. Mas sentimos. Inconscientemente. E agora? Passamos a refeição toda a cruzar olhares que se desviam orgulhosamente. O jantar acaba e surge o momento que alguém quer apanhar ar. O calor consome as nossas energias e a fome passa a ser outra. O álcool conecta pensamentos erróneos e pecadores. Procuramos espaço. Distância, das pessoas. Próximos da tentação. E fugimos. Cedidos a esta tendência carnívora de duas almas sedentas de um ritual erótico há muito vivido, sentido e repetido. Não é pelo sexo em si. Mas por tudo que envolve o momento. Cheiros, calores, palavras, toques, gemidos, respirações, química, beijos, mordiscares, apertares entre toda a carnificina despoletada de dois corpos em fúria, em ebulição, em choro pelo tal momento orgásmico acorrentado durante dias, meses, anos.

E volta e meia damos por nós sentados na mesma mesa que essa pessoa.

© 100 Modos #69Letras 2016

Um banho de água quente

Tu precisavas de falar e eu de companhia. Tinhas dito momentos antes que te saberia bem desabafar um pouco e sugeri que passasses por cá. O caminho de tua casa à minha é curto, umas meras ruas, embora a noite já tivesse aterrado há muito isso não foi impedimento.

Fiquei um pouco contrariado porque preferia de facto ter sido eu a deslocar-me até ao teu espaço mas precisava de trabalhar e estava cheio de coisas para fazer. No entanto fizeste questão de vir cá.

Depois de combinarmos é que notei a carga de água que caía lá fora. Começou a chover do nada e não demorou muito até a tua ficar cheia de água que fazia lembrar um rio. Numa questão de minutos fizeste a campainha soar.

Fui abrir e lá estavas tu, encharcada e com um sorriso sarcástico como quem me estivesse a culpar. E senti-me culpado, admito. Sem demoras pedi que entrasses e que estivesses à vontade. Enquanto o fazias fui ao roupeiro buscar umas roupas secas que certamente te ficariam largas mas que serviam para o propósito e arranjar uma toalha para te secares. Ao regressar à sala com as roupas e toalha deparo-me contigo já semi nua, sem rodeios, sem qualquer problemas, sem vergonhas… Talvez para ti fosse normal ao ponto se já te sentires à vontade neste sentido não sei, mas a verdade é que ao assistir a tamanha beldade fiquei paralisado por completo. Paralisado e desorientado. Não foi por acaso que de seguida estendi a mão que segurava a roupa seca e pedi para te secares…

Reparaste que estava corado e a tremer até. E eras tu quem estava quase nua e sem parecer com frio. Sorriste. Sentia-me culpado, pecador em estar a encarar tamanha beldade, tão nua quanto a minha vergonha. Pensamentos aleatórios invadiram a minha cabeça. Como nunca teria reparado em ti desta forma. Muitos foram os momentos que passamos juntos, calados ou a conversar, a rir ou chorar, ao estalo e à facada, aos berros surdos e ao silêncios gritantes e agora enfrentava este momento único, onde estava fascinado com a tua carne.

A certa altura notei que começava a incomodar-te, devorada com o meu olhar provavelmente. Cruzaste os braços tapando o peito onde ainda pingava gotas de água do teu cabelo devido à chuvada. Começaste a tremer e o meu reflexo foi aproximar de ti para te cobrir com a tolha e com esse mesmo gesto e de forma inconsciente um abraço surgiu.

Foi um abraço quente e gelado ao mesmo tempo. Gelado devido à tua pele, quente impulsionado pelos nossos sentimentos. O que se estaria a passar? O toque era diferente, cheio de temperatura, cor e cheiro. O que senti no momento era indescritível. Parecia o chegar de algo tão esperado, um finalmente de algo aguardado. Abracei-te totalmente de forma a que os meus braços aquecessem o máximo de ti mas estavas tão gelada.

Afastei-te de mim, olhei-te nos olhos e quisemos aproximar as nossas bocas. Estávamos a ignorar o facto que estavas a gelar e poderias ficar constipada. Tentei ser mais forte que o momento… Agarrei-te as mãos e pedi que fosses para o banho, para te aqueceres. Concordaste e pegaste a toalha que tinha na mão mas a outra mão continuava agarrada à minha. Caminhaste puxando-me… Fiquei confuso e impedi que continuasses o trajecto. Foi então que me disseste:

– Vem comigo…

– Mas…

– Tenho frio, vem comigo…

© 100 Modos #69Letras 2016

Um espaço vazio

Estou sozinha. Nua. Ajoelhada do chão. As mãos na cara amparam as lágrimas que me queimam a alma. Não existe nada à minha volta. Nada! Apenas um espaço vazio. Tão vazio como o meu coração.
Hoje o meu silêncio é tudo o que tenho para te dar. Já te dei o meu corpo, o meu amor, o meu prazer, a minha vida. Daria tudo mais por ti. Tudo! Mas o meu tudo não é suficiente.
A minha pele guarda em segredo a magia do teu toque. Sublime, único e viciante. Eu não quero mais nada da vida, a partir do momento em que tu caíste nela.
Não quero outra voz no meu ouvido. Não quero outras mãos a descobrir o meu corpo. Não quero outro calor misturado no meu. Não quero outros segredos. Não quero outra loucura.
Só te queria a ti, no caos que é a nossa vida. Na confusão dos meus sentimentos. Nos rasgos de lucidez que me assaltam os sonhos.
O mundo será sempre um lugar muito pequeno para nós…

Raio de Sol | #69Letras

15 minutos

Mais uma vez quero vos deixar um pequeno conselho e algo que defendo muito.

Uma vez quando estava numa igreja a assistir a um casamento no qual era padrinho do noivo decidi prestar atenção às palavras que o padre dizia. Não sou muito disto admito. Tenho as minhas opiniões, as quais defendo e as quais não tenho que obrigar ninguém a aceitar. Mas naquele momento as palavras que costumava ignorar chamaram-me a atenção.

Recordo-me perfeitamente do que o padre dizia.

“Reservem sempre todos os dias, todos, 15 minutos do vosso dia para namorar.”

Obviamente que tal afirmação provocou o riso geral na igreja. Ainda por cima pela fama que o padre tinha por ser um brincalhão. E é isso. A brincar dizemos coisas sérias. E foi aí que a minha atenção se focou no padre.

É verdade. É importante. É imperativo. É necessário. É o que nos une e assim o mantém. Sei que muitos de nós / vós tem uma vida complicada, preenchida, atarefada etc. Mas este tempinho é deveras importante. E também é verdade que quando se quer tempo, arranja-se. Dedicar este pequeno tempo a quem amamos é como construir pilares na relação.

Cheguem a casa abracem-na. Agradeçam o jantar se for caso. Namorem-na. Todos precisamos e se não o fizerem ao virar da esquina pode estar lá alguém disposto a dedicar 15 minutos do seu dia a dia à vossa amada. Ou até mais. Sentir-se-ão melhor acreditem, pois estará alguém sempre do vosso lado.

Juntos sim, não abandonados, ok?

© 100 Modos #69Letras 2016

Um pecado, meio ácido meio doce

Estava dorido, moído, sentia que tinha descansado pouco. Ainda estava em modo de arranque mas lembrava-me de curtos momentos da noite. Não me conseguia lembrar de tudo, sentia-me pecador e existia um odor fresco e doce no quarto que reconheci de imediato.

Levantei-me a custo e fui ao espelho. Tinha algumas marcas de arranhões. Nos ombros, braços, peito, na zona superior das costas. Sorri, lembrei-me de mais momentos, levemente, de movimentos, cores, um calor singular. Ao ajeitar o cabelo notei através do reflexo do espelho algo estranho na minha cama, um tecido. Olhei para a cama e fui até lá, ao pegar no tecido notei que se tratava de uma blusa. A blusa dela. Desta minha companhia da noite. Algo instintivo me obrigou a cheirar a blusa, precisava de o fazer. Mais imagens vieram à minha cabeça, desta vez tudo mais claro e intenso. Um súbito arrepio percorrer todo o meu corpo provocando uma sensação de calor. Estava com calor. Não era apenas o cheiro da blusa. Era mesmo um reflexo do meu corpo, sobre o que se passou. Sentia-me excitado. Com fome. Ajeitei a blusa e voltei a colocar em cima da cama. Fiquei parado, pensativo.

“Ok. Não sabes onde mora, mas sabes do que ela precisa. Sabes que estará no café a esta hora. Ora siga. E levo limões.”

Sim, os limões. O tais que que ela veio pedir ontem. Os que acabou por não levar. Arrumei uns quantos para dentro de um saco de pano. Fiz questão de encher bem o saco. De propósito. Tinha bastantes e alguns bem sumarentos. Eram limões a mais, mas o intuito era outro.

Tomei um duche rápido, vesti-me, perfumei-me e segui para o café acompanhado do saco de limões e a blusa claro. Caminhei, ansioso, até ao café, não era muito longe. Comecei a sorrir antes de sequer chegar, estava ligeiramente nervoso sobre o que iria dizer para iniciar a conversa. Tinha sido tudo tão inesperado, tão intenso e tão real. Ao reparar em mim fez um olhar surpreendido, inicialmente meio suspeito, parecia que não estava a acreditar no que via. Rapidamente esboçou um sorriso. Aproximei-me, cumprimentei-a e fui recebido com um café com canela. Era mesmo o que estava a precisa. Assim que me sentei ao lado dela devolvi a esquecida blusa. Ela não contava que a trouxesse tão rápido, e pela sua expressão entendi que ela fez de propósito para se esquecer dela em minha casa. A conversa foi fluindo ao longo do café e não se tocou no assunto sobre a noite anterior. No entanto estávamos ambos muito inquietos e com bastantes olhares denunciadores.

Antes de terminar o café, entreguei o saco de limões. Evidentemente pesado demais para ela. E ela notou. Semi cerrou os olhos seguido de um sorriso. Ela percebeu a minha artimanha. Coloquei propositadamente limões a mais para que ela me pedisse ajuda a carregá-los até sua casa e com isso ficaria a saber onde vivia. E assim foi. Ela levou a blusa e o seu livro que a acompanhava nas manhãs e eu fiquei com o saco.

Fomos o caminho todo em silêncio, talvez porque ela se estivesse a sentir exposta com o facto de vir a saber onde vivia. Tentei aliviar essa pressão dando pequenos encontrões em tom de brincadeira dos quais fui arrancando diversos sorrisos. Devemos ter caminhados uns 3 quarteirões e nem tinha dado conta. Chegámos ao seu prédio, pensava que ela a partir dali prosseguia sozinha. Perguntou-me se a poderia acompanhar pois o elevador não estava a funcionar e vivia num 3º andar. Aceitei, obviamente. O mesmo calor que senti de manhã invadiu novamente o meu corpo. Tinha o coração aos pulos e pensamentos loucos surgiram na minha mente.

“Ela faz-me isto tudo?”

Subimos as escadas e como estava declaradamente excitado ao chegar ao andar dela parecia ter subido uns 20 andares. Estava ofegante e com as pernas doridas, meia culpa da noite anterior. Estiquei a mão para lhe passar o saco dos limões mas ela fez questão que eu entrasse em casa dela. Aceitei o convite. Ao entrar na casa dela fui invadido por um aroma de citrinos, refrescante, dava vontade de ficar por ali horas e horas. Ela fez um gesto para que eu deixasse o saco na cozinha que por sua vez era ao fundo do corredor. Ao pousar o saco na mesa reparei num cesto que ali estava, cheio de limões. Percebi que ela nunca precisou de limões. A safada. Tudo não teria passado de um pretexto para se aproximar de mim.

Aquilo tudo deixou-me bastante inquieto e com vontades animalescas. Ela provocava-me estas energias. Além do cheiro que pairava em sua casa ser dos meus preferidos, ainda estava bastante excitado. Voltei para o corredor, onde se encontrava ela, junto à porta. Fiquei especado a olhar para ela, observando-a com o seu olhar envergonhado por ter notado a desculpa usada no dia anterior. Aproximei-me dela para lhe dar um beijo na cara e… Beijei-lhe a boca. Ela tinha virado a cara no momento da despedida. Um beijo doce surgiu… Doce, ácido, doce de novo.

Viciante.

Aquele corredor tornou-se um palco de um desfile pré-erótico, entre toques sensuais, beijos escaldantes, gemidos tapados, roupa a ser despida sem maneiras… Uma autêntica batalha sexual. Ao chegarmos ao outro lado do corredor, nomeadamente à sala, ela sentou-se no braço do sofá, virada de frente para mim… Puxou-me para ela e despiu-me o pouco que faltava… Não foi de meios modos, e provou-me. Depois de todo este cenário, este foi deveras o momento mais refrescante.

Não sei quanto tempo ali ficamos, talvez umas boas horas. Nem sei o que me terá levado a insistir nisto, talvez uma sede. Nem sei se é correto mas sei que sabe bem. Realmente o limão faz mesmo bem à saúde. E esta companhia faz-me bem à saúde.

“Que bom fruto este…”

© 100 Modos #69Letras 2016

E fizeram-te fugir

Passar simplesmente por ti não chega.

Sei que não te posso confrontar. Seria demasiado egoísta da minha parte. Mas todos os dias o ritual é o mesmo. Cruzamos os nossos olhares diariamente. Eu vejo-te. Bela como sempre, fantástica como nunca. Apenas uma pequena rua nos separa, uma grande angústia nos mantém afastados.

Embora este momento, por assim dizer, ser muito curto, insuficiente para sucumbir esta tortura, é aquele momento que anseio. O que me inquieta na cama, o que não me deixa dormir mais uns minutos. Parece uma força que me arranca da cama e me obriga a sair de casa mesmo sabendo que aqueles segundos são a minha felicidade e a minha tristeza.

Protegida pelo dono, impedida de respirar. Controlada e chantageada. Apesar dos seus passos serem felinos, nota-se o pesar, a solidão que acarta. Algo que me estremece e incomoda. Perfura repetidamente. Desejo é coisa que não esgota em mim de a arrancar daquele mundo. Não seriam precisas muitas palavras para ela perceber o que pretendia e atravessar na minha direcção. Talvez até nem fosse preciso nenhuma…

Infelizmente não posso. É impossível. Uma simples tentativa, um simples impulso, mandaria tudo por água abaixo. Tudo… O pouco que tinha neste caso. O meu maior medo, seria perder o escasso que tenho. Um dia com 24h, 7 dias por semana, 12 meses por ano… E eu só te tenho 1 a 2 minutos por dia, naquele percurso. Não posso estragar tudo por um espasmo descontrolado e destruir 3 mundos. O teu, o meu e o nosso…

Além da família que tenho, da vida que tenho, da mulher que me ama magnificamente… És tu quem eu quero. És a peça de puzzle que me falta neste quadro. Um quadro inacabado. A sensação de incompleto é persistente.

A ligação que temos é gigante, vivida em pouco tempo mas sentida em grandes momentos. Lembro-me que me recebeste nervosamente, invadi-te como se fosse fogo que queima desalmadamente, respondeste com uma ferocidade de um desejo louco. Foram tardes curtas, esquentadas de emoções entre toques que traçavam mapas, beijos húmidos e doces, abraços apertados e esmagadores como se algum de nós fosse fugir a qualquer momento.

E fizeram-te fugir…

Arrancaram-te da minha vida.

A sangue frio.

E eu de sangue quente, apaixonado, entregue.

Apenas fiquei a observar… Perdido…

Enfim, estou confinado a esta felicidade de 1 a 2 minutos. Onde o nosso mundo é vivido à distância. Onde continuarei a fazer este trajecto sozinho cobiçando este desejo de atravessar e de terminar este puzzle.

© 100 Modos #69Letras 2016