O tempo não pára

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Bolas!

Não há como entender o tempo! Quando estava com ele, era vê-lo a passar em alta velocidade todo cheio de pressa e sem esperar por ninguém. Agora que estou longe dele o tempo acha que tem todo o tempo do mundo para acontecer. Ninguém merece. -.-

O tempo não pára de passar, os dias sucedem-se o sol e a lua são cumpridores rotineiros mas estranhamente alguma coisa mudou. Os dias parecem-me mais compridos e teimosos em finalizar do que o habitual.
Parece que faz tempo que não te vejo. Meses! Eternidades! Ínfimas eternidades!   Ando por aí numa ânsia passiva a encarar todas as horas do dia com a maior das pacificidades quando por dentro fervo de impaciência e revolto-me contra as horas pois  parece que os minutos duplicaram!
Tenho pressa, tenho muita, os segundos inquietam-me e ainda por cima deixei o sossego aí contigo, irrequieta-se esta minha alma, preciso de ti e de te ver.
São longos estes dias sem ti com tanto amor enjaulado à espera que o soltes quando a ti tornar.

 

A Vizinha

Deitados no terraço exibimos felicidade

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Não era uma noite qualquer era a Noite de eles brilharem sob o céu estrelado.
O chão pedrado ainda estava morno resultante daquele dia escaldante, tirámos os olhos do chão e deitados lado a lado olhámos para o céu. Acendi um cigarro que fumei deitada onde me perdi a ver as nuvens de fumo que soprava se dissiparem no ar. Os momentos perfeitos são simples de encontrar quando existe entrega e vontade de amar, e nós ali, naquele pequeno refúgio descobrimos o paraíso a três passos do leito onde fizemos amor até  cansar. Deitados no terraço exibimos felicidade, partilhámos com as estrelas o sorriso rasgado. Não nos olhamos, não  precisei que acontecesse para te sentir iluminado estendido ao meu lado. O nosso olhar perdeu-se no céu, não era sonhador, era satisfeito com o agora, com aquele momento que tinha tanto de tão simples quanto de grandioso. De quando em vez, os nossos olhos fechavam-se para nos fundirmos com o som que o vento orquestrava sempre que tocava nas arvores acariando as folhas na passagem, quando os olhos tornavam a abrir as estrelas ainda lá estavam a sorrir para nós, eram muitas, pareciam tão próximas mesmo estando tão distantes…. parecemos nós, separados mas unidos como se não existisse distância. Aquela noite não fora uma noite qualquer, foi a noite em que percebemos que gostamos um do outro, que não precisamos de olhar um para o outro para sentir que estamos presentes nos nossos momentos e que não precisamos de falar para apreciar a companhia um do outro, que o silêncio entre nós é  paixão e não tedioso e que se olharmos em frente, se tirarmos os olhos do chão avistamos um mundo que ainda nos consegue encantar…. e na tua companhia meu amor, tudo o que já existia antes, ganhou ainda mais admiração desde que por ti me apaixonei.

A Vizinha 

como se fossem primeiras vezes

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Nunca havíamos vivido aqueles momentos mas eram-nos tão cúmplices que pareciam repetições como se fossem primeiras vezes repetidas vezes sem conta na verdade éramos virgens em tudo o que vivemos um como o outro.
Foram mágicas aquelas primeiras vezes de tudo, mas ainda assim a comunhão com que nos amamos indicava que já tivéramos passado… talvez sim, cada um de nós individualmente tenhamos pulado até ao futuro em pensamento e profetizar aqueles momentos.
Nunca antes os meus olhos tinham observado tanta beleza como naquela tela de um azul tão claro que se fundia no horizonte realçando divinamente a linha azul do mar esverdeado. As pequenas embarcações espalhadas pareciam ter sido pintadas ao acaso, a brisa era quente a bebida que tomamos gelada e lembrando-me daquele momento e das pequenas ilhotas que irradiavam da Ria poderia jurar conhecer aquela pintura que antes nunca vista de qualquer lado.

A Vizinha

Entre o sonho e a realidade.

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Depertei primeiro que tu naquela manhã, o dia nasceu e o sol raiou pelo quarto a dentro, deixei-me estar a observar-te num lento e calmo despertar. O que os meus olhos viam parecia uma outra realidade, uma que sonhara dias antes até àquele momento, e desperta naquele novo dia dei-me conta que estava no meio dela. Cheguei-me para ti, beijei-te a pele e inspirei-te profundamente. Deixei-me boiar algures entre dormitar e velar, parecia eu que tinha dois pés em paralelos diferentes, entre o sonho e a realidade.
Tornei a adormecer.
Estava feliz.

A Vizinha

O passado visitou-me…(…)

 

O passado visitou-me…

As memórias são tudo o que me resta de ti… Um dia destes, por mais que me esforce não conseguirei mais projectar o teu rosto quando em ti pensar. Mas quanto às memórias em palavras te irei guardar. Com calma terei pedaços de ti escritos… E quando um dia a memória me falhar serás a velha história que quererei sempre revisitar.

 

© 👠Cátia Teixeira, Vizinha 69 Letras 2016

Meu doce e insano pecado

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Se pegar numa folha de papel terei mil motivos para escrever porque és tão errado. Sei-o, sinto-o nos meus ossos, és errado, serás dor de cabeça se te deixar entrar… novamente. Se for pesar os pros e contras tu perdes, não tens hipótese… Sei do que és feito… de uma matéria que se mistura na perfeição com a minha… sei que és errado, vejo os sinais de perigo e as sirenes que me alertam mas ainda assim é para lá que vou. se és queda o meu destino é o precipício, contigo é sem paraquedas, o meu corpo tem vertigens mas a minha alma sede da adrenalina com que me injetas… a segurança está na direção oposta a ti, nego-ma porque te quero assim, homem errado, fruto do pecado pelo qual deliro e me sinto tentada… tremo e estremeço almejo e fantasio em tornar a trincar-te… doce e insano pecado.

A Vizinha

Não peço perfeição.

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Não peço perfeição.
Peço o ardor da paixão e a verdade nos lábios.

Não quero perfeição.
Quero controvérsia de opiniões e discutir vontades.

Não amo a perfeição.
Amo a genuinidade a presença e a verdade.

A Vizinha